Este blog traz a vida do Evangelho diário, com reflexões bíblicas (sobre passagens da Bíblia) e comentários da liturgia diária das missas da Igreja Católica Apostólica Romana. Traz ainda textos interessantes e sugestões de reflexões para a semana do cristianismo e da fé católica.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Não falta agua em Jundiai
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2014/11/por-que-bnao-falta-agua-em-jundiaib.html
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
QUERER VER O SENHOR
Meditação diária de Falar com Deus
http://www.hablarcondios.org/pt/imprimir_meditacaodiaria.asp
TEMPO COMUM. VIGÉSIMA QUINTA SEMANA. QUINTA‑FEIRA
16. QUERER VER O SENHOR
– Limpar o olhar para contemplar Jesus no meio dos afazeres normais.
– A Santíssima Humanidade do Senhor, fonte de amor e de fortaleza.
– Jesus espera‑nos no Sacrário.
I. NO EVANGELHO DA MISSA de hoje, São Lucas diz‑nos que Herodes desejava encontrar‑se com Jesus: Et quaerebat videre eum, procurava alguma maneira de vê‑lo1. Chegavam‑lhe freqüentes notícias do Mestre e queria conhecê‑lo.
Muitas das pessoas que aparecem ao longo do Evangelho mostram o seu interesse em ver Jesus. Os Magos apresentam‑se em Jerusalém com a pergunta nos lábios: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?2 E a seguir declaram o seu propósito: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá‑lo: um propósito bastante diferente do de Herodes. Encontraram‑no no regaço de Maria. Noutra ocasião, uns gentios chegados a Jerusalém aproximaram‑se de Filipe e disseram‑lhe: Queremos ver Jesus3. E, em circunstâncias bem diversas, a Virgem, acompanhada de uns parentes, desceu de Nazaré a Cafarnaum porque desejava ver Jesus. Podemos imaginar o interesse e o amor que levaram Maria a querer encontrar‑se com o seu Filho?
Herodes não soube ver o Senhor, apesar de tê‑lo tão perto. Chegou até a ter oportunidade de ser ensinado por João Batista – que apontava com o dedo o Messias que já estava entre eles –, e, ao invés de seguir‑lhe os ensinamentos, mandou matá‑lo. Aconteceu com Herodes o mesmo que com aqueles fariseus a quem Jesus dirige a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e não entendereis, olhareis com os olhos e não vereis. Porque o coração deste povo embotou‑se, e eles endureceram os ouvidos e fecharam os olhos...4
Pelo contrário, os Apóstolos tiveram a imensa sorte de gozar da presença do Messias, e de com Ele ter tudo o que podiam desejar. Ditosos os vossos olhos porque vêem, e os vossos ouvidos porque ouvem5, diz‑lhes o Mestre. Os grandes Patriarcas e os maiores Profetas do Antigo Testamento nada tinham visto em comparação com o que agora os seus discípulos podiam contemplar. Moisés tinha contemplado a sarça ardente como símbolo do Deus Vivo6. Jacó, depois da sua luta com aquele misterioso personagem, pôde dizer: Eu vi a Deus face a face7; e a mesma coisa Gedeão: Vi Javê face a face8... mas essas visões eram obscuras e pouco precisas em comparação com a claridade daqueles que vêem Cristo face a face: Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não o viram...9 A glória de Estêvão – o primeiro que deu a vida pelo Mestre – consistirá precisamente em ver os céus abertos e Jesus sentado à direita do Pai10.
Jesus vive e está muito perto dos nossos afazeres normais. Temos de purificar o nosso olhar para contemplá‑lo. O seu rosto amável será sempre o principal motivo para sermos fiéis nos momentos difíceis e nas tarefas de cada dia. Temos que dizer‑lhe muitas vezes, com palavras dos Salmos: Vultum tuum, Domine, requiram...11, procuro, Senhor, a tua face... sempre e em todas as coisas.
II. QUEM BUSCA, ENCONTRA12. A Virgem e São José procuraram Jesus durante três dias, e por fim o encontraram13. Zaqueu, que também desejava vê‑lo, fez o que estava ao seu alcance e o Mestre adiantou‑se‑lhe fazendo‑se convidar para almoçar em sua casa14. As multidões ansiosas de estar com Ele tiveram a alegria de vê‑lo e ouvi‑lo15. Ninguém que de coração sincero tenha saído à busca de Cristo ficou frustrado.
Herodes, como se veria mais tarde na Paixão, procurava ver Jesus por curiosidade, por capricho... e assim não é possível encontrá‑lo. Quando Pilatos lho remeteu, Herodes, ao ver Jesus, ficou muito satisfeito, pois havia muito tempo que desejava vê‑lo, por ter ouvido muitas coisas acerca dele, e esperava vê‑lo fazer algum milagre. E fez‑lhe muitas perguntas, mas ele nada lhe respondeu16. Jesus não lhe disse nada, porque o Amor nada tem a dizer à frivolidade. Ele vem ao nosso encontro para que nos entreguemos, para que correspondamos ao seu Amor infinito.
Podemos ver Jesus quando desejamos purificar a nossa alma no sacramento da Confissão, quando não deixamos que os bens passageiros – mesmo os lícitos – tomem conta do nosso coração como se fossem definitivos, pois – como ensina Santo Agostinho – “o amor às sombras deixa os olhos da alma mais fracos e incapazes de ver o rosto de Deus. Por isso, quanto mais o homem dá gosto à sua debilidade, mais se introduz na escuridão”17.
Vultum tuum, Domine, requiram..., procuro, Senhor, a tua face... A contemplação da Santíssima Humanidade do Senhor é fonte inesgotável de amor e de fortaleza no meio das dificuldades da vida. Temos de aproximar‑nos muitas vezes das cenas do Evangelho, e considerar sem pressas que o mesmo Jesus de Betânia, de Cafarnaum, Aquele que acolhe a todos... é quem está presente no Sacrário e se sensibiliza com as nossas confidências.
No mesmo sentido, podem servir‑nos as imagens que representam o Senhor, para podermos ter uma recordação viva da sua presença, como o fizeram os santos. “Entrando um dia no oratório – escreve Santa Teresa de Jesus –, vi uma imagem que ali tinham trazido para guardar [...]. Era de Cristo muito chagado e tão devota que, olhando‑a, perturbei‑me toda de vê‑lo assim, porque representava bem o que passou por nós. Foi tanto o que senti por ter agradecido tão mal aquelas chagas, que o meu coração parecia partir‑se. E lancei‑me a Ele com um grandíssimo derramamento de lágrimas, suplicando‑lhe que me fortalecesse já de uma vez para não ofendê‑lo”18.
Este amor, que de alguma maneira tem de nutrir‑se dos sentidos, é fortaleza para a vida e um bem extraordinário para a alma. Há coisa mais natural do que procurar num retrato, numa imagem, o rosto dAquele que tanto se ama? A mesma Santa Teresa exclamava: “Desventurados os que por culpa própria perdem este bem! Parece que não amam o Senhor, porque, se o amassem, alegrar‑se‑iam de ver o seu retrato, como nesta vida dá contentamento ver o daquele a quem se quer bem”19.
III. IESU, QUEM VELATUM nunc aspicio...20 «Jesus, a quem agora contemplo escondido, rogo‑Vos se cumpra o que tanto desejo: que, ao contemplar‑Vos face a face, seja eu feliz vendo a vossa glória», rezamos no hino Adoro te devote.
Um dia, com a ajuda da graça, veremos Cristo glorioso, cheio de majestade, vir ao nosso encontro para nos receber no seu Reino. Reconhecê‑lo‑emos como o Amigo que nunca nos falhou, a quem procuramos servir mesmo nas coisas mais pequenas. Embora amemos muito este mundo em que vivemos e que é o lugar onde nos devemos santificar, podemos no entanto dizer com Santo Agostinho: “A sede que tenho é a de chegar a ver o rosto de Deus; sinto sede na peregrinação, sinto sede no caminho; mas saciar‑me‑ei quando chegar”21. O nosso coração só experimentará a plenitude com a posse dos bens de Deus.
Mas já temos Jesus conosco. Na Sagrada Eucaristia, temos Cristo completo: o seu Corpo glorioso, a sua Alma humana e a sua Pessoa divina, que se fazem presentes pelas palavras da Consagração. A sua Santíssima Humanidade, escondida sob os acidentes eucarísticos, encontra‑se presente no que tem de mais humilde, de mais comum conosco – o seu Corpo e o seu Sangue, se bem que em estado glorioso –, e de um modo especialmente acessível: sob as aparências do pão e do vinho.
Particularmente no momento da Comunhão e ao fazermos a Visita ao Santíssimo, temos de ir ao encontro do Senhor com um grande desejo de vê‑lo, de encontrar‑nos com Ele, como Zaqueu, como aquelas multidões que tinham postas nEle todas as suas esperanças, como os cegos, os leprosos... Melhor ainda, com o empenho ansioso com que o procuraram Maria e José.
Às vezes, pelas nossas misérias e falta de fé, pode ser‑nos difícil divisar o rosto amável de Jesus. É então que devemos pedir a Nossa Senhora um coração limpo, um olhar claro, um maior desejo de purificação. Pode acontecer‑nos o mesmo que aos Apóstolos depois da Ressurreição: estavam certos de que era o Senhor, tão certos que não se atreviam a perguntar‑lhe: Nenhum dos discípulos ousava perguntar‑lhe: Quem és tu?, sabendo que era o Senhor22. Era algo tão grande encontrar Jesus vivo – o mesmo de sempre – depois de vê‑lo morrer numa Cruz! É tão extraordinário encontrarmos Jesus vivo no Sacrário! Peçamos ao Senhor que nos limpe, que nos aumente a fé.
(1) Lc 9, 7‑9; (2) Mt 2, 3; (3) Jo 12, 21; (4) Mt 13, 14‑15; (5) Mt 13, 16; (6) cfr. Êx 3, 2; (7) Gên 32, 31; (8) Ju 6, 22; (9) Mt 13, 17; (10) At 7, 55; (11) Sl 26, 8; (12) Mt 7, 8; (13) cfr. Lc 2, 48; (14) cfr. Lc 19, 1 e segs.; (15) cfr. Lc 6, 9 e segs.; (16) Lc 23, 8‑9; (17) Santo Agostinho, O livre arbítrio, 1, 16, 43; (18) Santa Teresa, Vida, 9, 1; (19) ibid., 6; (20) Hino Adoro te devote; (21) Santo Agostinho, Comentário aos Salmos, 41, 5; (22) Jo 21, 12.
http://www.hablarcondios.org/pt/imprimir_meditacaodiaria.asp
TEMPO COMUM. VIGÉSIMA QUINTA SEMANA. QUINTA‑FEIRA
16. QUERER VER O SENHOR
– Limpar o olhar para contemplar Jesus no meio dos afazeres normais.
– A Santíssima Humanidade do Senhor, fonte de amor e de fortaleza.
– Jesus espera‑nos no Sacrário.
I. NO EVANGELHO DA MISSA de hoje, São Lucas diz‑nos que Herodes desejava encontrar‑se com Jesus: Et quaerebat videre eum, procurava alguma maneira de vê‑lo1. Chegavam‑lhe freqüentes notícias do Mestre e queria conhecê‑lo.
Muitas das pessoas que aparecem ao longo do Evangelho mostram o seu interesse em ver Jesus. Os Magos apresentam‑se em Jerusalém com a pergunta nos lábios: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?2 E a seguir declaram o seu propósito: Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá‑lo: um propósito bastante diferente do de Herodes. Encontraram‑no no regaço de Maria. Noutra ocasião, uns gentios chegados a Jerusalém aproximaram‑se de Filipe e disseram‑lhe: Queremos ver Jesus3. E, em circunstâncias bem diversas, a Virgem, acompanhada de uns parentes, desceu de Nazaré a Cafarnaum porque desejava ver Jesus. Podemos imaginar o interesse e o amor que levaram Maria a querer encontrar‑se com o seu Filho?
Herodes não soube ver o Senhor, apesar de tê‑lo tão perto. Chegou até a ter oportunidade de ser ensinado por João Batista – que apontava com o dedo o Messias que já estava entre eles –, e, ao invés de seguir‑lhe os ensinamentos, mandou matá‑lo. Aconteceu com Herodes o mesmo que com aqueles fariseus a quem Jesus dirige a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e não entendereis, olhareis com os olhos e não vereis. Porque o coração deste povo embotou‑se, e eles endureceram os ouvidos e fecharam os olhos...4
Pelo contrário, os Apóstolos tiveram a imensa sorte de gozar da presença do Messias, e de com Ele ter tudo o que podiam desejar. Ditosos os vossos olhos porque vêem, e os vossos ouvidos porque ouvem5, diz‑lhes o Mestre. Os grandes Patriarcas e os maiores Profetas do Antigo Testamento nada tinham visto em comparação com o que agora os seus discípulos podiam contemplar. Moisés tinha contemplado a sarça ardente como símbolo do Deus Vivo6. Jacó, depois da sua luta com aquele misterioso personagem, pôde dizer: Eu vi a Deus face a face7; e a mesma coisa Gedeão: Vi Javê face a face8... mas essas visões eram obscuras e pouco precisas em comparação com a claridade daqueles que vêem Cristo face a face: Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não o viram...9 A glória de Estêvão – o primeiro que deu a vida pelo Mestre – consistirá precisamente em ver os céus abertos e Jesus sentado à direita do Pai10.
Jesus vive e está muito perto dos nossos afazeres normais. Temos de purificar o nosso olhar para contemplá‑lo. O seu rosto amável será sempre o principal motivo para sermos fiéis nos momentos difíceis e nas tarefas de cada dia. Temos que dizer‑lhe muitas vezes, com palavras dos Salmos: Vultum tuum, Domine, requiram...11, procuro, Senhor, a tua face... sempre e em todas as coisas.
II. QUEM BUSCA, ENCONTRA12. A Virgem e São José procuraram Jesus durante três dias, e por fim o encontraram13. Zaqueu, que também desejava vê‑lo, fez o que estava ao seu alcance e o Mestre adiantou‑se‑lhe fazendo‑se convidar para almoçar em sua casa14. As multidões ansiosas de estar com Ele tiveram a alegria de vê‑lo e ouvi‑lo15. Ninguém que de coração sincero tenha saído à busca de Cristo ficou frustrado.
Herodes, como se veria mais tarde na Paixão, procurava ver Jesus por curiosidade, por capricho... e assim não é possível encontrá‑lo. Quando Pilatos lho remeteu, Herodes, ao ver Jesus, ficou muito satisfeito, pois havia muito tempo que desejava vê‑lo, por ter ouvido muitas coisas acerca dele, e esperava vê‑lo fazer algum milagre. E fez‑lhe muitas perguntas, mas ele nada lhe respondeu16. Jesus não lhe disse nada, porque o Amor nada tem a dizer à frivolidade. Ele vem ao nosso encontro para que nos entreguemos, para que correspondamos ao seu Amor infinito.
Podemos ver Jesus quando desejamos purificar a nossa alma no sacramento da Confissão, quando não deixamos que os bens passageiros – mesmo os lícitos – tomem conta do nosso coração como se fossem definitivos, pois – como ensina Santo Agostinho – “o amor às sombras deixa os olhos da alma mais fracos e incapazes de ver o rosto de Deus. Por isso, quanto mais o homem dá gosto à sua debilidade, mais se introduz na escuridão”17.
Vultum tuum, Domine, requiram..., procuro, Senhor, a tua face... A contemplação da Santíssima Humanidade do Senhor é fonte inesgotável de amor e de fortaleza no meio das dificuldades da vida. Temos de aproximar‑nos muitas vezes das cenas do Evangelho, e considerar sem pressas que o mesmo Jesus de Betânia, de Cafarnaum, Aquele que acolhe a todos... é quem está presente no Sacrário e se sensibiliza com as nossas confidências.
No mesmo sentido, podem servir‑nos as imagens que representam o Senhor, para podermos ter uma recordação viva da sua presença, como o fizeram os santos. “Entrando um dia no oratório – escreve Santa Teresa de Jesus –, vi uma imagem que ali tinham trazido para guardar [...]. Era de Cristo muito chagado e tão devota que, olhando‑a, perturbei‑me toda de vê‑lo assim, porque representava bem o que passou por nós. Foi tanto o que senti por ter agradecido tão mal aquelas chagas, que o meu coração parecia partir‑se. E lancei‑me a Ele com um grandíssimo derramamento de lágrimas, suplicando‑lhe que me fortalecesse já de uma vez para não ofendê‑lo”18.
Este amor, que de alguma maneira tem de nutrir‑se dos sentidos, é fortaleza para a vida e um bem extraordinário para a alma. Há coisa mais natural do que procurar num retrato, numa imagem, o rosto dAquele que tanto se ama? A mesma Santa Teresa exclamava: “Desventurados os que por culpa própria perdem este bem! Parece que não amam o Senhor, porque, se o amassem, alegrar‑se‑iam de ver o seu retrato, como nesta vida dá contentamento ver o daquele a quem se quer bem”19.
III. IESU, QUEM VELATUM nunc aspicio...20 «Jesus, a quem agora contemplo escondido, rogo‑Vos se cumpra o que tanto desejo: que, ao contemplar‑Vos face a face, seja eu feliz vendo a vossa glória», rezamos no hino Adoro te devote.
Um dia, com a ajuda da graça, veremos Cristo glorioso, cheio de majestade, vir ao nosso encontro para nos receber no seu Reino. Reconhecê‑lo‑emos como o Amigo que nunca nos falhou, a quem procuramos servir mesmo nas coisas mais pequenas. Embora amemos muito este mundo em que vivemos e que é o lugar onde nos devemos santificar, podemos no entanto dizer com Santo Agostinho: “A sede que tenho é a de chegar a ver o rosto de Deus; sinto sede na peregrinação, sinto sede no caminho; mas saciar‑me‑ei quando chegar”21. O nosso coração só experimentará a plenitude com a posse dos bens de Deus.
Mas já temos Jesus conosco. Na Sagrada Eucaristia, temos Cristo completo: o seu Corpo glorioso, a sua Alma humana e a sua Pessoa divina, que se fazem presentes pelas palavras da Consagração. A sua Santíssima Humanidade, escondida sob os acidentes eucarísticos, encontra‑se presente no que tem de mais humilde, de mais comum conosco – o seu Corpo e o seu Sangue, se bem que em estado glorioso –, e de um modo especialmente acessível: sob as aparências do pão e do vinho.
Particularmente no momento da Comunhão e ao fazermos a Visita ao Santíssimo, temos de ir ao encontro do Senhor com um grande desejo de vê‑lo, de encontrar‑nos com Ele, como Zaqueu, como aquelas multidões que tinham postas nEle todas as suas esperanças, como os cegos, os leprosos... Melhor ainda, com o empenho ansioso com que o procuraram Maria e José.
Às vezes, pelas nossas misérias e falta de fé, pode ser‑nos difícil divisar o rosto amável de Jesus. É então que devemos pedir a Nossa Senhora um coração limpo, um olhar claro, um maior desejo de purificação. Pode acontecer‑nos o mesmo que aos Apóstolos depois da Ressurreição: estavam certos de que era o Senhor, tão certos que não se atreviam a perguntar‑lhe: Nenhum dos discípulos ousava perguntar‑lhe: Quem és tu?, sabendo que era o Senhor22. Era algo tão grande encontrar Jesus vivo – o mesmo de sempre – depois de vê‑lo morrer numa Cruz! É tão extraordinário encontrarmos Jesus vivo no Sacrário! Peçamos ao Senhor que nos limpe, que nos aumente a fé.
(1) Lc 9, 7‑9; (2) Mt 2, 3; (3) Jo 12, 21; (4) Mt 13, 14‑15; (5) Mt 13, 16; (6) cfr. Êx 3, 2; (7) Gên 32, 31; (8) Ju 6, 22; (9) Mt 13, 17; (10) At 7, 55; (11) Sl 26, 8; (12) Mt 7, 8; (13) cfr. Lc 2, 48; (14) cfr. Lc 19, 1 e segs.; (15) cfr. Lc 6, 9 e segs.; (16) Lc 23, 8‑9; (17) Santo Agostinho, O livre arbítrio, 1, 16, 43; (18) Santa Teresa, Vida, 9, 1; (19) ibid., 6; (20) Hino Adoro te devote; (21) Santo Agostinho, Comentário aos Salmos, 41, 5; (22) Jo 21, 12.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
A LUZ NO CANDEEIRO
Meditação diária de Falar com Deus
http://www.hablarcondios.org/pt/imprimir_meditacaodiaria.asp
TEMPO COMUM. VIGÉSIMA QUINTA SEMANA. SEGUNDA‑FEIRA
13. A LUZ NO CANDEEIRO
– Os cristãos devem iluminar o ambiente em que vivem.
– Prestígio profissional.
– Como astros no meio do mundo.
I. NO EVANGELHO DA MISSA1, lemos este ensinamento do Senhor: Ninguém acende uma lâmpada e a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama, mas põe‑na sobre o candeeiro, para que os que entram vejam a luz.
Quem segue o Senhor – quem acende uma lâmpada – deve trabalhar não só pela sua própria santificação, mas também pela dos outros. Jesus Cristo ilustra‑o com diversas imagens muito expressivas e acessíveis ao povo simples que o escutava. Em todas as casas se acendia a lamparina ao cair da tarde, e todos sabiam onde colocá‑la e por quê. A lamparina era acesa para iluminar e devia ser colocada no alto, talvez pendurada num suporte fixo previsto para esse fim. Não passava pela cabeça de ninguém escondê‑la de tal maneira que a sua luz ficasse oculta. Para que então iria servir?
Vós sois a luz do mundo2, tinha dito Jesus em outra ocasião aos seus discípulos. A luz do discípulo é a mesma do Mestre. Sem esse resplendor de Cristo, a sociedade jaz nas trevas mais espessas. E quando se caminha na escuridão, tropeça‑se e cai‑se. Sem Cristo, o mundo torna‑se difícil e pouco habitável.
Os cristãos devem iluminar o ambiente em que vivem e trabalham. Não se compreende um discípulo de Cristo sem luz: seria como uma lâmpada colocada debaixo de um vaso ou da cama. O Concílio Vaticano II salientou a obrigação do apostolado como um direito e um dever que nascem do Batismo e da Confirmação3, a ponto de afirmar que todo o membro do Corpo Místico “que não trabalha segundo a sua medida para o aumento desse Corpo, deve considerar‑se inútil para a Igreja e para si mesmo”4.
Este apostolado, que tem formas tão diversas, é contínuo, como é contínua a luz que ilumina os que estão na casa. “O simples testemunho de vida cristã e as boas obras feitas em espírito sobrenatural possuem a força de atraírem os homens para a fé e para Deus”5. Não é, pois, uma luz intermitente, porque resulta do brilho emitido permanentemente pelas obras dos que seguem o Mestre. “Onde quer que vivam, pelo exemplo da sua vida e pelo testemunho da sua palavra, todos os cristãos devem manifestar o novo homem de que se revestiram pelo Batismo, e a virtude do Espírito Santo que os revigorou pela Confirmação. Assim os outros, vendo as boas obras que fazem, glorificarão o Pai (cfr. Mt 5, 16) e compreenderão mais perfeitamente o genuíno sentido da vida e o vínculo universal da comunhão humana”6.
Vejamos hoje se aqueles que trabalham ombro a ombro conosco, os que vivem ao nosso lado, debaixo do mesmo teto, os que se relacionam conosco por um ou outro motivo, recebem de modo habitual essa luz que lhes indica amavelmente o caminho que conduz a Deus. É a luz da conduta irrepreensível e alegre, que flui espontaneamente de cada uma das nossas obras, sejam ou não vistas pelos homens, e que os impressiona precisamente porque flui de modo contínuo e natural.
II. O TRABALHO, o prestígio profissional, é o candeeiro sobre o qual deve brilhar a luz de Cristo. Que apostolado poderia realizar uma mãe de família que não cuidasse com esmero do seu lar? Como poderia falar de Deus aos seus amigos um estudante que não estudasse? Ou um empresário que não vivesse os princípios da justiça social com os seus empregados...?
O Senhor quer que o farmacêutico avie uma receita com competência, que o profissional liberal seja honesto e leal nos serviços que presta, que o funcionário público seja justo, atencioso e insubornável, que o taxista conheça bem as ruas da grande cidade, que o motorista de um meio público de transporte não maltrate os passageiros pela maneira precipitada e aos solavancos com que conduz... E os exemplos poderiam multiplicar‑se até o infinito.
Toda a vida do Senhor dá‑nos a entender que, sem a honestidade, a diligência e a perfeição na execução próprias de um bom trabalhador, a vida cristã fica reduzida, quando muito, a um feixe de desejos, talvez aparentemente piedosos, mas estéreis. Cada cristão deve “viver de tal modo que à sua volta se perceba o bonus odor Christi (cfr. 2 Cor 2, 15), o bom odor de Cristo; deve agir de tal modo que, através das ações do discípulo, se possa descobrir o rosto do Mestre”7.
Desde o começo da sua vida pública, o Senhor foi conhecido como o carpinteiro, filho de Maria8. E perante os milagres, a multidão exclamava: Fez tudo bem feito!9, absolutamente tudo: “os grandes prodígios e as coisas triviais, cotidianas, que a ninguém deslumbraram, mas que Cristo realizou com a plenitude de quem é perfectus Deus, perfectus homo (Símbolo Quicumque), perfeito Deus e homem perfeito”10. Jesus, que quis servir‑se de imagens tiradas dos mais diversos ofícios para exemplificar os seus ensinamentos, “olha com amor o trabalho, as suas diversas manifestações, vendo em cada uma delas um aspecto particular da semelhança do homem com Deus, Criador e Pai”11.
Para chegarmos a ter um sólido prestígio profissional, é necessário cuidarmos da formação própria da nossa atividade ou ofício, dedicar‑lhe as horas necessárias, fixar metas para aperfeiçoá‑la cada dia, mesmo depois de concluídos os estudos ou o período de aprendizagem. Os conhecimentos profissionais devem ser vistos por nós como um cabedal posto por Deus nas nossas mãos para que o façamos crescer. Não nos esqueçamos nunca de que, para nós, a vocação profissional é um elemento da vocação cristã.
Como conseqüência lógica desta seriedade no exercício da atividade profissional, o fiel cristão terá entre os seus colegas a reputação de bom trabalhador ou de bom estudante que lhe é necessária para realizar um apostolado profundo12. Quase sem o perceber, estará mostrando como a doutrina de Cristo se faz realidade no meio do mundo, numa vida corrente. E dará toda a razão ao comentário de Santo Ambrósio: as coisas parecem menos difíceis quando se vêem realizadas em outros13. E todos têm direito a esse bom exemplo da nossa parte.
III. É EVIDENTE que a doutrina de Cristo não se difundiu devido aos meios humanos, mas aos impulsos da graça. Mas também não há dúvida de que a ação apostólica edificada sobre uma vida sem virtudes humanas, sem valia pessoal, seria uma hipocrisia e motivo de desprezo por parte dos que queremos aproximar do Senhor. Por isso o Concílio Vaticano II formula estas graves palavras: “O cristão que negligencia os seus deveres temporais negligencia os seus deveres para com o próximo; negligencia sobretudo as suas obrigações para com Deus e põe em perigo a sua salvação eterna”14.
Seja qual for a profissão ou ofício que se desempenhe, o prestígio adquirido, dia a dia num trabalho feito com toda a consciência confere uma autoridade moral perante os colegas e companheiros que facilita a tarefa apostólica de ensinar, esclarecer, persuadir e atrair... É tão importante esta solidez profissional que um bom cristão não tem desculpa nenhuma para não adquiri‑la: para aqueles que se empenham em viver a fundo a sua vocação de filhos de Deus, o trabalho competente e os meios para consegui‑lo constituem um dever primário.
A competência e a seriedade com que se realiza o trabalho profissional converte‑se assim num candeeiro que ilumina os colegas e amigos15. A caridade cristã passa então a tornar‑se visível de muito longe, e a luz da doutrina projeta‑se dessa altura num círculo muito amplo; e por ser intensa, é uma luz que nunca deixa de ser familiar e próxima, acessível e cálida.
São Paulo exorta os primeiros cristãos de Filipos a viverem no meio daquela geração afastada de Deus de tal maneira que brilhem como astros no meio do mundo16. Assim aconteceu, e o exemplo que deram arrastava tanto que deles se pôde dizer: “O que a alma é para o corpo, isso são os cristãos no meio do mundo”17, como se pode ler num dos escritos cristãos mais antigos.
Peçamos a Nossa Senhora, Sede da Sabedoria, que nos ensine a ser fiéis ao cumprimento do dever profissional, a não trabalhar como diletantes, mas espremendo as nossas energias, como quem sabe que Deus nos vê a cada instante e espera de nós uma obra perfeita ao fim de cada jornada. Este testemunho da nossa inteligência e das nossas mãos será uma das melhores provas da nossa fé junto daqueles que queremos atrair para Deus.
(1) Lc 8, 16‑18; (2) Mt 5, 14; (3) cfr. Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 33; (4) Concílio Vaticano II, Decreto Apostolicam actuositatem, 2; (5) ibid., 6; (6) Concílio Vaticano II, Decreto Ad gentes, 11; (7) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 105; (8) Mc 6, 3; (9) Mc 7, 37; (10) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 56; (11) João Paulo II, Carta Encíclica Laborens exercens, 14.09.81, 26; (12) cfr. Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 36; (13) Santo Ambrósio, Sobre as virgens, 2, 2; (14) Concílio Vaticano II, Constituição Gaudium et spes, 43; (15) cfr. Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 61; (16) Fil 2, 15; (17) Epístola a Diogneto, VI, 1.
http://www.hablarcondios.org/pt/imprimir_meditacaodiaria.asp
TEMPO COMUM. VIGÉSIMA QUINTA SEMANA. SEGUNDA‑FEIRA
13. A LUZ NO CANDEEIRO
– Os cristãos devem iluminar o ambiente em que vivem.
– Prestígio profissional.
– Como astros no meio do mundo.
I. NO EVANGELHO DA MISSA1, lemos este ensinamento do Senhor: Ninguém acende uma lâmpada e a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama, mas põe‑na sobre o candeeiro, para que os que entram vejam a luz.
Quem segue o Senhor – quem acende uma lâmpada – deve trabalhar não só pela sua própria santificação, mas também pela dos outros. Jesus Cristo ilustra‑o com diversas imagens muito expressivas e acessíveis ao povo simples que o escutava. Em todas as casas se acendia a lamparina ao cair da tarde, e todos sabiam onde colocá‑la e por quê. A lamparina era acesa para iluminar e devia ser colocada no alto, talvez pendurada num suporte fixo previsto para esse fim. Não passava pela cabeça de ninguém escondê‑la de tal maneira que a sua luz ficasse oculta. Para que então iria servir?
Vós sois a luz do mundo2, tinha dito Jesus em outra ocasião aos seus discípulos. A luz do discípulo é a mesma do Mestre. Sem esse resplendor de Cristo, a sociedade jaz nas trevas mais espessas. E quando se caminha na escuridão, tropeça‑se e cai‑se. Sem Cristo, o mundo torna‑se difícil e pouco habitável.
Os cristãos devem iluminar o ambiente em que vivem e trabalham. Não se compreende um discípulo de Cristo sem luz: seria como uma lâmpada colocada debaixo de um vaso ou da cama. O Concílio Vaticano II salientou a obrigação do apostolado como um direito e um dever que nascem do Batismo e da Confirmação3, a ponto de afirmar que todo o membro do Corpo Místico “que não trabalha segundo a sua medida para o aumento desse Corpo, deve considerar‑se inútil para a Igreja e para si mesmo”4.
Este apostolado, que tem formas tão diversas, é contínuo, como é contínua a luz que ilumina os que estão na casa. “O simples testemunho de vida cristã e as boas obras feitas em espírito sobrenatural possuem a força de atraírem os homens para a fé e para Deus”5. Não é, pois, uma luz intermitente, porque resulta do brilho emitido permanentemente pelas obras dos que seguem o Mestre. “Onde quer que vivam, pelo exemplo da sua vida e pelo testemunho da sua palavra, todos os cristãos devem manifestar o novo homem de que se revestiram pelo Batismo, e a virtude do Espírito Santo que os revigorou pela Confirmação. Assim os outros, vendo as boas obras que fazem, glorificarão o Pai (cfr. Mt 5, 16) e compreenderão mais perfeitamente o genuíno sentido da vida e o vínculo universal da comunhão humana”6.
Vejamos hoje se aqueles que trabalham ombro a ombro conosco, os que vivem ao nosso lado, debaixo do mesmo teto, os que se relacionam conosco por um ou outro motivo, recebem de modo habitual essa luz que lhes indica amavelmente o caminho que conduz a Deus. É a luz da conduta irrepreensível e alegre, que flui espontaneamente de cada uma das nossas obras, sejam ou não vistas pelos homens, e que os impressiona precisamente porque flui de modo contínuo e natural.
II. O TRABALHO, o prestígio profissional, é o candeeiro sobre o qual deve brilhar a luz de Cristo. Que apostolado poderia realizar uma mãe de família que não cuidasse com esmero do seu lar? Como poderia falar de Deus aos seus amigos um estudante que não estudasse? Ou um empresário que não vivesse os princípios da justiça social com os seus empregados...?
O Senhor quer que o farmacêutico avie uma receita com competência, que o profissional liberal seja honesto e leal nos serviços que presta, que o funcionário público seja justo, atencioso e insubornável, que o taxista conheça bem as ruas da grande cidade, que o motorista de um meio público de transporte não maltrate os passageiros pela maneira precipitada e aos solavancos com que conduz... E os exemplos poderiam multiplicar‑se até o infinito.
Toda a vida do Senhor dá‑nos a entender que, sem a honestidade, a diligência e a perfeição na execução próprias de um bom trabalhador, a vida cristã fica reduzida, quando muito, a um feixe de desejos, talvez aparentemente piedosos, mas estéreis. Cada cristão deve “viver de tal modo que à sua volta se perceba o bonus odor Christi (cfr. 2 Cor 2, 15), o bom odor de Cristo; deve agir de tal modo que, através das ações do discípulo, se possa descobrir o rosto do Mestre”7.
Desde o começo da sua vida pública, o Senhor foi conhecido como o carpinteiro, filho de Maria8. E perante os milagres, a multidão exclamava: Fez tudo bem feito!9, absolutamente tudo: “os grandes prodígios e as coisas triviais, cotidianas, que a ninguém deslumbraram, mas que Cristo realizou com a plenitude de quem é perfectus Deus, perfectus homo (Símbolo Quicumque), perfeito Deus e homem perfeito”10. Jesus, que quis servir‑se de imagens tiradas dos mais diversos ofícios para exemplificar os seus ensinamentos, “olha com amor o trabalho, as suas diversas manifestações, vendo em cada uma delas um aspecto particular da semelhança do homem com Deus, Criador e Pai”11.
Para chegarmos a ter um sólido prestígio profissional, é necessário cuidarmos da formação própria da nossa atividade ou ofício, dedicar‑lhe as horas necessárias, fixar metas para aperfeiçoá‑la cada dia, mesmo depois de concluídos os estudos ou o período de aprendizagem. Os conhecimentos profissionais devem ser vistos por nós como um cabedal posto por Deus nas nossas mãos para que o façamos crescer. Não nos esqueçamos nunca de que, para nós, a vocação profissional é um elemento da vocação cristã.
Como conseqüência lógica desta seriedade no exercício da atividade profissional, o fiel cristão terá entre os seus colegas a reputação de bom trabalhador ou de bom estudante que lhe é necessária para realizar um apostolado profundo12. Quase sem o perceber, estará mostrando como a doutrina de Cristo se faz realidade no meio do mundo, numa vida corrente. E dará toda a razão ao comentário de Santo Ambrósio: as coisas parecem menos difíceis quando se vêem realizadas em outros13. E todos têm direito a esse bom exemplo da nossa parte.
III. É EVIDENTE que a doutrina de Cristo não se difundiu devido aos meios humanos, mas aos impulsos da graça. Mas também não há dúvida de que a ação apostólica edificada sobre uma vida sem virtudes humanas, sem valia pessoal, seria uma hipocrisia e motivo de desprezo por parte dos que queremos aproximar do Senhor. Por isso o Concílio Vaticano II formula estas graves palavras: “O cristão que negligencia os seus deveres temporais negligencia os seus deveres para com o próximo; negligencia sobretudo as suas obrigações para com Deus e põe em perigo a sua salvação eterna”14.
Seja qual for a profissão ou ofício que se desempenhe, o prestígio adquirido, dia a dia num trabalho feito com toda a consciência confere uma autoridade moral perante os colegas e companheiros que facilita a tarefa apostólica de ensinar, esclarecer, persuadir e atrair... É tão importante esta solidez profissional que um bom cristão não tem desculpa nenhuma para não adquiri‑la: para aqueles que se empenham em viver a fundo a sua vocação de filhos de Deus, o trabalho competente e os meios para consegui‑lo constituem um dever primário.
A competência e a seriedade com que se realiza o trabalho profissional converte‑se assim num candeeiro que ilumina os colegas e amigos15. A caridade cristã passa então a tornar‑se visível de muito longe, e a luz da doutrina projeta‑se dessa altura num círculo muito amplo; e por ser intensa, é uma luz que nunca deixa de ser familiar e próxima, acessível e cálida.
São Paulo exorta os primeiros cristãos de Filipos a viverem no meio daquela geração afastada de Deus de tal maneira que brilhem como astros no meio do mundo16. Assim aconteceu, e o exemplo que deram arrastava tanto que deles se pôde dizer: “O que a alma é para o corpo, isso são os cristãos no meio do mundo”17, como se pode ler num dos escritos cristãos mais antigos.
Peçamos a Nossa Senhora, Sede da Sabedoria, que nos ensine a ser fiéis ao cumprimento do dever profissional, a não trabalhar como diletantes, mas espremendo as nossas energias, como quem sabe que Deus nos vê a cada instante e espera de nós uma obra perfeita ao fim de cada jornada. Este testemunho da nossa inteligência e das nossas mãos será uma das melhores provas da nossa fé junto daqueles que queremos atrair para Deus.
(1) Lc 8, 16‑18; (2) Mt 5, 14; (3) cfr. Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 33; (4) Concílio Vaticano II, Decreto Apostolicam actuositatem, 2; (5) ibid., 6; (6) Concílio Vaticano II, Decreto Ad gentes, 11; (7) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 105; (8) Mc 6, 3; (9) Mc 7, 37; (10) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 56; (11) João Paulo II, Carta Encíclica Laborens exercens, 14.09.81, 26; (12) cfr. Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 36; (13) Santo Ambrósio, Sobre as virgens, 2, 2; (14) Concílio Vaticano II, Constituição Gaudium et spes, 43; (15) cfr. Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 61; (16) Fil 2, 15; (17) Epístola a Diogneto, VI, 1.
sábado, 20 de setembro de 2014
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
TU ÉS O CRISTO
Meditação diária de Falar com Deus
http://www.hablarcondios.org/pt/imprimir_meditacaodiaria.asp
http://www.hablarcondios.org/pt/imprimir_meditacaodiaria.asp
TEMPO COMUM. DÉCIMA OITAVA SEMANA. QUINTA‑FEIRA
52. TU ÉS O CRISTO
– Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo: confessar assim a divindade de Cristo.
– Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem.
– Cristo: Caminho, Verdade e Vida.
I. JESUS ENCONTRA‑SE em Cesaréia de Filipe, nos confins do território judeu. Subitamente, pergunta aos seus discípulos: Quem dizem os homens que é o Filho do homem?1 Os Apóstolos referem‑lhe as opiniões que corriam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas.
Muitos dos que ouviam a pregação de Jesus tinham‑no em alta conta, mas
não sabiam quem Ele era na realidade. O Mestre fixa agora os olhos nos
Apóstolos e pergunta‑lhes em tom amável: E vós, quem dizeis que eu sou?
Parece exigir dos seus, dos que o seguem mais de perto, uma confissão
de fé clara e sem paliativos; eles não devem limitar‑se a seguir uma
opinião pública superficial e cambiante: devem conhecer e proclamar
Aquele por quem deixaram tudo para viver uma vida nova.
Pedro responde categoricamente: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. É uma afirmação clara da divindade de Jesus, como o confirmam as palavras que o Senhor pronuncia a seguir: Bem‑aventurado és, Simão, filho de João, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas meu Pai que está nos céus. Pedro deve ter ficado profundamente comovido com as palavras do Mestre.
Também hoje há opiniões discordantes e errôneas a
respeito de Jesus, pois é grande a ignorância acerca da sua Pessoa e
missão. Apesar de vinte séculos de pregação e de apostolado da Igreja,
muitas mentes não descobriram a verdadeira identidade de Jesus, que vive
no meio de nós e nos pergunta: E vós, quem dizeis que eu sou?
Nós, ajudados pela graça de Deus, que nunca falta, temos de proclamar
com firmeza, com a firmeza sobrenatural da fé: Tu és o meu Deus e o meu
Rei, perfeito Deus e Homem perfeito, “centro do cosmos e da história”2, centro da minha vida e razão de ser de todas as minhas obras.
Nos duros momentos da Paixão, quando Jesus estiver prestes a consumar a sua missão na terra, o Sumo Sacerdote perguntar‑lhe‑á: És tu o Messias, o Filho de Deus bendito? E Jesus declarará: Eu o sou. E vereis o Filho do homem sentado à direita do poder de Deus, e vir sobre as nuvens do céu3.
Nessa resposta, o Senhor não só dá testemunho de ser o
Messias esperado, mas esclarece a transcendência divina do seu
messianismo, ao aplicar a si próprio a profecia do Filho do Homem do
profeta Daniel4. Serve‑se das
expressões mais fortes de todas as passagens bíblicas para declarar a
divindade da sua Pessoa. Então condenam‑no como blasfemo.
Só a luz da fé sobrenatural nos permite saber que
Jesus Cristo é infinitamente superior a qualquer criatura: Ele é o
“Filho único de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de
Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não
criado, consubstancial ao Pai, por quem todas as coisas foram feitas; e
que por nós, homens, e para a nossa salvação desceu dos céus, e se
encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem...”5 Saiu do Pai6,
mas continua em plena comunhão com Ele, porque tem a mesma natureza
divina. Será Ele quem, junto com o Pai, enviará o Espírito Santo7, pois tem e possui como próprio tudo o que é do Pai8.
Apresenta‑se como supremo Legislador: Ouvistes o que foi dito aos antigos... Mas eu vos digo...9 Na Antiga Lei, dizia‑se: Assim falou Javé, mas Jesus não fala nem ordena em nome de ninguém: Eu vos digo...
É em seu próprio nome que proclama um ensinamento divino e estabelece
uns preceitos que se prendem com o que há de mais essencial no homem.
Exerce o poder de perdoar os pecados, qualquer pecado10,
um poder que, como todos os judeus sabiam, é próprio e exclusivo de
Deus. E não só absolve pessoalmente, mas dá o poder das chaves – o poder
de governar e de perdoar – a Pedro e aos demais Apóstolos, bem como aos
seus sucessores11. Promete apresentar‑se no fim do mundo como único juiz dos vivos e dos mortos12. Nunca houve ninguém que se arrogasse tais prerrogativas.
Jesus exigiu – exige – dos seus discípulos uma fé
inquebrantável na sua Pessoa, uma fé que chegue ao ponto de fazê‑los
tomar a Cruz sobre os seus ombros: Quem não toma a sua cruz e me segue não é digno de mim13;
a atitude que nos pede em relação ao seu Pai celestial, exige‑a também
em relação a si mesmo: uma fé sem fissuras, um amor sem medida14.
Nós, que queremos segui‑lo muito de perto, dizemos‑lhe com Pedro, quando estamos diante do Sacrário: Senhor, Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Verdadeiramente, “quem encontra Jesus encontra um bom tesouro, aquele
que com efeito é bom acima de todo o bem. E quem perde Jesus perde
muito, e mais que o mundo inteiro. Aquele que vive sem Jesus é
paupérrimo, e riquíssimo quem com Ele vive”15.
Não o deixemos nunca; fortaleçamos o nosso amor com muitos atos de fé,
com a audácia em dar a conhecer em qualquer ambiente a nossa fé e o
nosso amor por Cristo vivo.
II. DEPOIS DE TANTO TEMPO,
Jesus continua a ser para muitos, que ainda não possuem o dom
sobrenatural da fé ou vivem apoltronados na tibieza, uma figura
evanescente, inconcreta. Nós também podíamos responder hoje a Jesus como
os Apóstolos lhe responderam naquele dia em Cesaréia de Filipe: uns
dizem que foste um homem de grandes ideais, outros... Verdadeiramente,
continuam a ser atuais as palavras de João Batista: No meio de vós está quem vós não conheceis16.
Somente o dom divino da fé nos permite proclamar,
unidos ao Magistério da Igreja: “Cremos em Nosso Senhor Jesus Cristo,
que é o Filho de Deus. Ele é o Verbo eterno, nascido do Pai antes de
todos os séculos e consubstancial ao Pai...”17
Cremos que em Jesus Cristo existem duas naturezas: uma divina e outra
humana, diferentes e inseparáveis, e uma única Pessoa, a Segunda Pessoa
da Santíssima Trindade, que é incriada e eterna, que se encarnou por
obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria.
Jesus é também Homem perfeito. Nasce na maior
indigência, aclamado pelos anjos do céu; passa fome e sede; cansa‑se e
às vezes tem de reclinar‑se sobre uma pedra ou sentar‑se à beira de um
poço; sente‑se tão esgotado que dorme enquanto navega com uns
pescadores; chora junto do sepulcro do amigo Lázaro; tem medo e pavor da
morte, antes de sofrer os ultrajes da crucifixão.
E essa Santíssima Humanidade de Jesus, igual à nossa menos no pecado, fez‑se caminho para o Pai. Ele vive hoje – Por que procurais entre os mortos aquele que vive?18 – e continua a ser o mesmo. “Iesus Christus heri et hodie; ipse et in saecula
(Hebr XIII, 8). Quanto gosto de recordá‑lo: Jesus Cristo, o mesmo que
foi ontem para os Apóstolos e para as multidões que o procuravam, vive
hoje para nós e viverá pelos séculos. Somos nós, os homens, quem às
vezes não consegue descobrir o seu rosto, perenemente atual, porque
olhamos com olhos cansados ou turvos”19; com um olhar pouco penetrante porque nos falta amor.
III. A VIDA CRISTÃ
consiste em amar a Cristo, em imitá‑lo, em servi‑lo... E o coração tem
um lugar importante nesse seguimento. De tal maneira é assim que, quando
por tibieza ou por uma oculta soberba se descura a piedade, o trato de
amizade com Jesus, torna‑se impossível continuar a seguir o Senhor.
Seguir Cristo de perto é ser seu amigo, é ter a experiência viva de que
Ele é o único amigo que nunca falha, que nunca atraiçoa nem desilude.
Santo Agostinho, depois de inúmeras tentativas vãs de
seguir o Senhor, conta‑nos qual foi um dos elementos‑chave do seu longo
processo de conversão: “Andava à procura da força idônea para gozar de
Vós e não a encontrava, até que abracei o Mediador entre Deus e os
homens: o Homem Cristo Jesus, que é sobre todas as coisas bendito pelos
séculos, que nos chama e nos diz: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6)”20. Amar o Homem Cristo Jesus!
Jesus Cristo é o único Caminho. Ninguém pode ir ao Pai a não ser por Ele21.
Só por Ele, com Ele e nEle podemos alcançar o nosso destino
sobrenatural. A Igreja no‑lo recorda todos os dias na Santa Missa: Por Ele, com Ele e nEle, a Ti, Deus Pai Todo‑Poderoso, toda a honra e toda a glória, na unidade do Espírito Santo... Unicamente por meio de Cristo, seu Filho muito amado, é que o Pai aceita o nosso amor e a nossa homenagem.
Cristo é também a Verdade. A verdade absoluta e
total, Sabedoria incriada, que se nos revela na sua Santíssima
Humanidade. Sem Cristo, a nossa vida é uma grande mentira. Com Ele, tem a
segurança de quem sabe que não pode deixar de acertar.
E é a nossa Vida. O Antigo Testamento narra que Moisés, por indicação de Deus, ergueu o braço e feriu a rocha por duas vezes, e brotou água tão abundante que todo o povo sedento pôde beber22. Aquela água era figura da Vida que brota abundantemente de Cristo e que saltará até a vida eterna23.
É a água da graça, da vida sobrenatural, que brota de Cristo,
especialmente através dos sacramentos. Toda a graça que possuímos, a de
toda a humanidade caída e reparada, é graça de Deus através de Cristo.
Esta graça é‑nos comunicada de muitas maneiras; mas o seu manancial é
único: o próprio Cristo, a sua Santíssima Humanidade unida à Pessoa do
Verbo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
Quando o Senhor nos perguntar na intimidade do nosso
coração: “E tu, quem dizes que Eu sou?”, saibamos responder‑lhe com a fé
de Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Caminho, a Verdade e a Vida..., Aquele sem o qual a minha vida está completamente perdida.
(1) Mt 16, 13‑23; (2) João Paulo II, Enc. Redemptor hominis, 4‑III‑1979, 1; (3) Mc 14, 61‑62; (4) cfr. Dan 7, 13‑14; (5) Missal Romano, Credo Niceno‑Constantinopolitano;
(6) cfr. Jo 8, 42; (7) cfr. Jo 15, 26; (8) cfr. Jo 16, 11‑15; (9) Mt 5,
21‑48; (10) cfr. Mt 11, 28; (11) cfr. Mt 18, 18; (12) cfr. Mc 15, 62;
(13) Mt 18, 32; (14) cfr. K. Adam, Jesus Cristo, pág. 15‑16; (15) T. Kempis, Imitação de Cristo, II, 8, 2; (16) Jo 1, 26; (17) Paulo VI, Credo do povo de Deus, 30‑VI‑1968; (18) cfr. Lc 24, 5; (19) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 127; (20) Santo Agostinho, Confissões, 7, 18; (21) cfr. Jo 14, 6; (22) Num 20, 1‑13; cfr. Primeira leitura da Missa da quinta‑feira da décima oitava semana do TC, ano I; (23) cfr. Jo 4, 14; 7, 38.
sábado, 31 de maio de 2014
VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA
Meditação diária de Falar com Deus
http://www.hablarcondios.org/pt/imprimir_meditacaodiaria.asp
31 DE MAIO
36. VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA
Festa
– Serviço alegre aos outros.
– Procurar Jesus por intermédio de Maria. Fé.
– O Magnificat.
A festa de hoje, instituída por Urbano VI em 1389, situa-se entre a Anunciação do Senhor e o nascimento de João Batista, de acordo com o relato evangélico. Comemora-se a visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel, já avançada em idade, para ajudá-la na esperança da sua maternidade, e ao mesmo tempo para partilhar com ela o júbilo das maravilhas realizadas por Deus em ambas. Esta festa da Virgem, com a qual terminamos o mês que lhe é dedicado, manifesta-nos a sua ação medianeira, o seu espírito de serviço e a sua profunda humildade. Ensina-nos a levar a alegria cristã aos lugares aonde vamos. Como Maria, temos de ser causa de alegria para os outros.
I. VINDE E ESCUTAI, todos os que temeis a Deus, e eu vos contarei as maravilhas que o Senhor fez em mim1, lemos na Antífona de entrada da Missa.
Pouco depois da Anunciação, Nossa Senhora foi visitar sua prima Isabel, que vivia na região montanhosa da Judéia, a quatro ou cinco dias de caminho. Naqueles dias – diz São Lucas –, Maria levantou-se e foi com presteza à montanha, a uma cidade de Judá2. A Virgem, ao conhecer por meio do Anjo o estado de Isabel, apressa-se a ir ajudá-la nas lides da casa. Ninguém a obriga; Deus, através do Anjo, não lhe exigira nada nesse sentido, e Isabel não lhe solicitara ajuda. Maria poderia ter permanecido na sua própria casa, para preparar a chegada do seu Filho, o Messias. Mas põe-se a caminho cum festinatione, com alegre prontidão, para prestar os seus singelos serviços à sua prima3.
Nós acompanhamo-la por aqueles caminhos nestes momentos de oração e dizemos-lhe com as palavras que lemos na primeira Leitura da Missa: Entoa cânticos de louvor, filha de Sião, alegra-te e exulta de todo o coração, filha de Jerusalém [...]. O Senhor, que é o rei de Israel, está no meio de ti [...]. Ele se regozijará em ti com júbilo eterno4.
É fácil imaginar a imensa alegria que dominava a nossa Mãe desde o dia da Anunciação, e o grande desejo que teria de comunicá-la. Por outro lado, o anjo dissera-lhe: Eis que Isabel, tua prima, também concebeu um filho..., e, segundo esse testemunho expresso, tratava-se de uma concepção prodigiosa, relacionada de algum modo com o Messias que estava para vir5.
Nossa Senhora entrou em casa de Zacarias e saudou sua prima. E aconteceu que, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança saltou no seu seio, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Toda a casa se transformou pela presença de Jesus e de Maria. A saudação da Virgem “foi eficaz porquanto cumulou Isabel do Espírito Santo. Com as suas palavras, mediante a profecia, Maria fez brotar na sua prima, como de uma fonte, um rio de dons divinos [...]. Com efeito, onde quer que esteja a cheia de graça, tudo fica repleto de alegria”6. É um prodígio que Jesus realiza por meio de Maria, dAquela que esteve associada desde os começos à Redenção e à alegria que Cristo traz ao mundo.
A festa de hoje apresenta-nos uma faceta da vida interior de Maria: a sua atitude de serviço humilde e de amor desinteressado pelos que se encontram em necessidade7, uma atitude que se traduz numa maravilhosa sementeira de alegria. Maria convida-nos sempre à entrega pronta, alegre e simples aos outros. Mas isto só será possível se nos mantivermos muito unidos ao Senhor, trazendo-o dentro de nós pelo estado de graça e pelo espírito de oração: “A união com Deus, a vida sobrenatural, comporta sempre a prática atraente das virtudes humanas: Maria leva a alegria ao lar de sua prima, porque «leva» Cristo”8. Nós «levamos» Cristo conosco, e com Ele a alegria, aos lugares onde vamos..., ao trabalho, aos vizinhos, a um doente...? Somos habitualmente causa de alegria para os outros?
II. À CHEGADA DE NOSSA SENHORA, Isabel, repleta do Espírito Santo, proclama em voz alta: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! De onde a mim esta dita, que venha a Mãe do meu Senhor visitar-me? Porque assim que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre.
Isabel não se limita a chamá-la bendita, mas relaciona o seu louvor com o fruto do ventre de Maria, que é bendito pelos séculos. Maria e Jesus estarão sempre juntos. Os momentos mais prodigiosos da vida de Jesus transcorrerão – como neste caso – em íntima união com a sua Mãe, Medianeira de todas as graças: “Esta união entre Mãe e Filho na obra da Salvação – diz o Concílio Vaticano II – manifesta-se desde o tempo da conceição virginal de Cristo até a sua morte”9.
Devemos aprender hoje, uma vez mais, que cada encontro com Maria representa um novo encontro com Jesus. “Se procurarmos Maria, encontraremos Jesus. E aprenderemos a entender um pouco do que há no coração de um Deus que se aniquila [...]”10, que se torna acessível no meio da simplicidade dos dias correntes de uma cena doméstica como a visita de Maria à sua prima Santa Isabel.
Lembremo-nos, porém, de que esse dom imenso – podermos conhecer e amar a Cristo – teve o seu começo na fé de Santa Maria: Bem-aventurada a que acreditou, diz Isabel a Maria. “A plenitude de graça, anunciada pelo anjo, significa o dom do próprio Deus; a fé de Maria, proclamada por Isabel na Visitação, significa que a Virgem de Nazaré correspondeu a esse dom”11.
Manter a fé, robustecê-la no meio da vida diária, não é fácil. Tudo parece tão banal ou tão necessário, tão dependente dos nossos esforços ou de leis meramente naturais, que tendemos a perder de vista que é Deus quem produz em nós o querer e o agir12. Sem mim, nada podeis fazer13, disse-nos o Senhor: nada. O nosso Deus é um Deus escondido14, que prefere atuar por meio de causas segundas. Seremos tão insensatos – e tão infelizes – que não descubramos a sua mão amorosa, os seus desígnios eternos, tanto nos eventos mais clamorosos como no suceder “mecânico” das horas de trabalho, da vida familiar? Para um homem de fé, para uma mulher de fé, tudo é Providência.
III. O CLIMA QUE RODEIA e empapa o episódio da Visitação é de alegria; o mistério da Visitação é um mistério jubiloso. João Batista exulta de alegria no seio de Santa Isabel; Isabel, cheia de alegria pelo dom da maternidade, prorrompe em aclamações ao Senhor; e, enfim, Maria eleva aos céus o Magnificat, um hino transbordante de alegria messiânica15. O Magnificat é “o cântico dos tempos messiânicos, onde confluem a alegria do antigo e do novo Israel”16. E é a manifestação mais pura do segredo íntimo da Virgem, que lhe fora revelado pelo anjo. Não há nele rebuscamento nem artificialismo: é o espelho da alma de Nossa Senhora, uma alma cheia de grandeza e tão próxima do seu Criador: A minha alma glorifica o Senhor, e o meu espírito rejubila em Deus, meu Salvador.
E com este canto de alegria humilde, a Virgem deixou-nos uma profecia: Eis que desde agora me chamarão bem-aventurada todas as gerações. “Desde remotíssimos tempos a Bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de Mãe de Deus, sob cuja proteção os fiéis se refugiam súplices em todos os seus perigos e necessidades. Por isso, sobretudo a partir do Concílio de Éfeso, o culto do povo de Deus a Maria cresceu maravilhosamente em veneração e amor, em invocações e desejos de imitação, de acordo com as suas próprias palavras proféticas: Eis que me chamarão bem-aventurada todas as gerações, porque fez em mim grandes coisas aquele que é Todo-Poderoso”17.
A nossa Mãe Santa Maria não se distinguiu por nenhum feito prodigioso; o Evangelho não nos dá a conhecer nenhum milagre que tenha realizado enquanto esteve na terra; poucas, muito poucas são as palavras que dEla nos conservou o texto inspirado. A sua vida aos olhos dos outros foi a de uma mulher corrente, que devia levar adiante a sua família. No entanto, a profecia cumpriu-se fielmente. Quem pode contar os louvores, as invocações, as oferendas e os santuários em sua honra, as devoções marianas...? Ao longo de vinte séculos, chamaram-na bem-aventurada pessoas de todo o gênero e condição: intelectuais e gente que não sabia ler, reis, guerreiros, artesãos, pessoas de idade avançada e crianças que começavam a balbuciar... Nós estamos cumprindo agora aquela profecia. Ave Maria, cheia de graça [...], bendita sois vós entre as mulheres..., dizemos-lhe na intimidade do nosso coração.
De modo particular, tivemos ocasião de invocá-la ao longo dos dias deste mês de maio, “mas o mês de maio não pode terminar; deve continuar na nossa vida, porque a veneração, o amor, a devoção à Virgem não podem desaparecer do nosso coração, e, além disso, devem crescer e manifestar-se num testemunho de vida cristã, modelada conforme o exemplo de Maria, o nome da formosa flor que sempre invoco, manhã e tarde, como canta Dante Alighieri (Paraíso 23, 88)”18.
Pelo trato íntimo com Maria, descobrimos Jesus. “Como seria o olhar alegre de Jesus! O mesmo que brilharia nos olhos de sua Mãe, que não pode conter a alegria – «Magnificat anima mea Dominum!» –, e a sua alma glorifica o Senhor desde que o traz dentro de si e a seu lado. – Ó Mãe! Que a nossa alegria, como a tua, seja a alegria de estar com Ele e de o possuir”19.
(1) Sl 65, 16; Antífona de entrada da Missa de 31 de maio; (2) Lc 1, 39-59; (3) cfr. M. D. Philippe, Misterio de Maria, pág. 142; (4) Sof 3, 14.17-18; (5) cfr. F. M. Willam, Vida de Maria, pág. 85; (6) Pseudo-Gregório Taumaturgo, Homilia II sobre a Anunciação; (7) João Paulo II, Homilia, 31-V-1979; (8) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 566; (9) Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 57-58; (10) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 144; (11) João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 25-III-1987, 12; (12) Fil 2, 13; (13) Jo 15, 5; (14) Is 45, 15; (15) cfr. id.,Homilia, 31-V-1979; (16) Paulo VI, Exort. Apost. Marialis cultus, 2-II-1974, 18; (17) Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 66; (18) João Paulo II, Homilia, 25-V-1979; (19) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 95.
http://www.hablarcondios.org/pt/imprimir_meditacaodiaria.asp
31 DE MAIO
36. VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA
Festa
– Serviço alegre aos outros.
– Procurar Jesus por intermédio de Maria. Fé.
– O Magnificat.
A festa de hoje, instituída por Urbano VI em 1389, situa-se entre a Anunciação do Senhor e o nascimento de João Batista, de acordo com o relato evangélico. Comemora-se a visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel, já avançada em idade, para ajudá-la na esperança da sua maternidade, e ao mesmo tempo para partilhar com ela o júbilo das maravilhas realizadas por Deus em ambas. Esta festa da Virgem, com a qual terminamos o mês que lhe é dedicado, manifesta-nos a sua ação medianeira, o seu espírito de serviço e a sua profunda humildade. Ensina-nos a levar a alegria cristã aos lugares aonde vamos. Como Maria, temos de ser causa de alegria para os outros.
I. VINDE E ESCUTAI, todos os que temeis a Deus, e eu vos contarei as maravilhas que o Senhor fez em mim1, lemos na Antífona de entrada da Missa.
Pouco depois da Anunciação, Nossa Senhora foi visitar sua prima Isabel, que vivia na região montanhosa da Judéia, a quatro ou cinco dias de caminho. Naqueles dias – diz São Lucas –, Maria levantou-se e foi com presteza à montanha, a uma cidade de Judá2. A Virgem, ao conhecer por meio do Anjo o estado de Isabel, apressa-se a ir ajudá-la nas lides da casa. Ninguém a obriga; Deus, através do Anjo, não lhe exigira nada nesse sentido, e Isabel não lhe solicitara ajuda. Maria poderia ter permanecido na sua própria casa, para preparar a chegada do seu Filho, o Messias. Mas põe-se a caminho cum festinatione, com alegre prontidão, para prestar os seus singelos serviços à sua prima3.
Nós acompanhamo-la por aqueles caminhos nestes momentos de oração e dizemos-lhe com as palavras que lemos na primeira Leitura da Missa: Entoa cânticos de louvor, filha de Sião, alegra-te e exulta de todo o coração, filha de Jerusalém [...]. O Senhor, que é o rei de Israel, está no meio de ti [...]. Ele se regozijará em ti com júbilo eterno4.
É fácil imaginar a imensa alegria que dominava a nossa Mãe desde o dia da Anunciação, e o grande desejo que teria de comunicá-la. Por outro lado, o anjo dissera-lhe: Eis que Isabel, tua prima, também concebeu um filho..., e, segundo esse testemunho expresso, tratava-se de uma concepção prodigiosa, relacionada de algum modo com o Messias que estava para vir5.
Nossa Senhora entrou em casa de Zacarias e saudou sua prima. E aconteceu que, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança saltou no seu seio, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Toda a casa se transformou pela presença de Jesus e de Maria. A saudação da Virgem “foi eficaz porquanto cumulou Isabel do Espírito Santo. Com as suas palavras, mediante a profecia, Maria fez brotar na sua prima, como de uma fonte, um rio de dons divinos [...]. Com efeito, onde quer que esteja a cheia de graça, tudo fica repleto de alegria”6. É um prodígio que Jesus realiza por meio de Maria, dAquela que esteve associada desde os começos à Redenção e à alegria que Cristo traz ao mundo.
A festa de hoje apresenta-nos uma faceta da vida interior de Maria: a sua atitude de serviço humilde e de amor desinteressado pelos que se encontram em necessidade7, uma atitude que se traduz numa maravilhosa sementeira de alegria. Maria convida-nos sempre à entrega pronta, alegre e simples aos outros. Mas isto só será possível se nos mantivermos muito unidos ao Senhor, trazendo-o dentro de nós pelo estado de graça e pelo espírito de oração: “A união com Deus, a vida sobrenatural, comporta sempre a prática atraente das virtudes humanas: Maria leva a alegria ao lar de sua prima, porque «leva» Cristo”8. Nós «levamos» Cristo conosco, e com Ele a alegria, aos lugares onde vamos..., ao trabalho, aos vizinhos, a um doente...? Somos habitualmente causa de alegria para os outros?
II. À CHEGADA DE NOSSA SENHORA, Isabel, repleta do Espírito Santo, proclama em voz alta: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! De onde a mim esta dita, que venha a Mãe do meu Senhor visitar-me? Porque assim que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre.
Isabel não se limita a chamá-la bendita, mas relaciona o seu louvor com o fruto do ventre de Maria, que é bendito pelos séculos. Maria e Jesus estarão sempre juntos. Os momentos mais prodigiosos da vida de Jesus transcorrerão – como neste caso – em íntima união com a sua Mãe, Medianeira de todas as graças: “Esta união entre Mãe e Filho na obra da Salvação – diz o Concílio Vaticano II – manifesta-se desde o tempo da conceição virginal de Cristo até a sua morte”9.
Devemos aprender hoje, uma vez mais, que cada encontro com Maria representa um novo encontro com Jesus. “Se procurarmos Maria, encontraremos Jesus. E aprenderemos a entender um pouco do que há no coração de um Deus que se aniquila [...]”10, que se torna acessível no meio da simplicidade dos dias correntes de uma cena doméstica como a visita de Maria à sua prima Santa Isabel.
Lembremo-nos, porém, de que esse dom imenso – podermos conhecer e amar a Cristo – teve o seu começo na fé de Santa Maria: Bem-aventurada a que acreditou, diz Isabel a Maria. “A plenitude de graça, anunciada pelo anjo, significa o dom do próprio Deus; a fé de Maria, proclamada por Isabel na Visitação, significa que a Virgem de Nazaré correspondeu a esse dom”11.
Manter a fé, robustecê-la no meio da vida diária, não é fácil. Tudo parece tão banal ou tão necessário, tão dependente dos nossos esforços ou de leis meramente naturais, que tendemos a perder de vista que é Deus quem produz em nós o querer e o agir12. Sem mim, nada podeis fazer13, disse-nos o Senhor: nada. O nosso Deus é um Deus escondido14, que prefere atuar por meio de causas segundas. Seremos tão insensatos – e tão infelizes – que não descubramos a sua mão amorosa, os seus desígnios eternos, tanto nos eventos mais clamorosos como no suceder “mecânico” das horas de trabalho, da vida familiar? Para um homem de fé, para uma mulher de fé, tudo é Providência.
III. O CLIMA QUE RODEIA e empapa o episódio da Visitação é de alegria; o mistério da Visitação é um mistério jubiloso. João Batista exulta de alegria no seio de Santa Isabel; Isabel, cheia de alegria pelo dom da maternidade, prorrompe em aclamações ao Senhor; e, enfim, Maria eleva aos céus o Magnificat, um hino transbordante de alegria messiânica15. O Magnificat é “o cântico dos tempos messiânicos, onde confluem a alegria do antigo e do novo Israel”16. E é a manifestação mais pura do segredo íntimo da Virgem, que lhe fora revelado pelo anjo. Não há nele rebuscamento nem artificialismo: é o espelho da alma de Nossa Senhora, uma alma cheia de grandeza e tão próxima do seu Criador: A minha alma glorifica o Senhor, e o meu espírito rejubila em Deus, meu Salvador.
E com este canto de alegria humilde, a Virgem deixou-nos uma profecia: Eis que desde agora me chamarão bem-aventurada todas as gerações. “Desde remotíssimos tempos a Bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de Mãe de Deus, sob cuja proteção os fiéis se refugiam súplices em todos os seus perigos e necessidades. Por isso, sobretudo a partir do Concílio de Éfeso, o culto do povo de Deus a Maria cresceu maravilhosamente em veneração e amor, em invocações e desejos de imitação, de acordo com as suas próprias palavras proféticas: Eis que me chamarão bem-aventurada todas as gerações, porque fez em mim grandes coisas aquele que é Todo-Poderoso”17.
A nossa Mãe Santa Maria não se distinguiu por nenhum feito prodigioso; o Evangelho não nos dá a conhecer nenhum milagre que tenha realizado enquanto esteve na terra; poucas, muito poucas são as palavras que dEla nos conservou o texto inspirado. A sua vida aos olhos dos outros foi a de uma mulher corrente, que devia levar adiante a sua família. No entanto, a profecia cumpriu-se fielmente. Quem pode contar os louvores, as invocações, as oferendas e os santuários em sua honra, as devoções marianas...? Ao longo de vinte séculos, chamaram-na bem-aventurada pessoas de todo o gênero e condição: intelectuais e gente que não sabia ler, reis, guerreiros, artesãos, pessoas de idade avançada e crianças que começavam a balbuciar... Nós estamos cumprindo agora aquela profecia. Ave Maria, cheia de graça [...], bendita sois vós entre as mulheres..., dizemos-lhe na intimidade do nosso coração.
De modo particular, tivemos ocasião de invocá-la ao longo dos dias deste mês de maio, “mas o mês de maio não pode terminar; deve continuar na nossa vida, porque a veneração, o amor, a devoção à Virgem não podem desaparecer do nosso coração, e, além disso, devem crescer e manifestar-se num testemunho de vida cristã, modelada conforme o exemplo de Maria, o nome da formosa flor que sempre invoco, manhã e tarde, como canta Dante Alighieri (Paraíso 23, 88)”18.
Pelo trato íntimo com Maria, descobrimos Jesus. “Como seria o olhar alegre de Jesus! O mesmo que brilharia nos olhos de sua Mãe, que não pode conter a alegria – «Magnificat anima mea Dominum!» –, e a sua alma glorifica o Senhor desde que o traz dentro de si e a seu lado. – Ó Mãe! Que a nossa alegria, como a tua, seja a alegria de estar com Ele e de o possuir”19.
(1) Sl 65, 16; Antífona de entrada da Missa de 31 de maio; (2) Lc 1, 39-59; (3) cfr. M. D. Philippe, Misterio de Maria, pág. 142; (4) Sof 3, 14.17-18; (5) cfr. F. M. Willam, Vida de Maria, pág. 85; (6) Pseudo-Gregório Taumaturgo, Homilia II sobre a Anunciação; (7) João Paulo II, Homilia, 31-V-1979; (8) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 566; (9) Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 57-58; (10) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 144; (11) João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 25-III-1987, 12; (12) Fil 2, 13; (13) Jo 15, 5; (14) Is 45, 15; (15) cfr. id.,Homilia, 31-V-1979; (16) Paulo VI, Exort. Apost. Marialis cultus, 2-II-1974, 18; (17) Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 66; (18) João Paulo II, Homilia, 25-V-1979; (19) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 95.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Frases inspiradoras do Papa Francisco sobre Maria - Aleteia
Frases inspiradoras do Papa Francisco sobre Maria - Aleteia
No mês de Maria, a Aleteia oferece uma coletânea de frases do Papa Francisco nas quais ele explica a devoção a Nossa Senhora
04.05.2014 Aleteia
Maria, mãe da esperança
“A esperança é a virtude daqueles que, experimentando o conflito, a luta diária entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, creem na Ressurreição de Cristo, na vitória do Amor. Escutamos o canto de Maria, o Magnificat: é o cântico da esperança, é o cântico do Povo de Deus no seu caminhar através da história. É o cântico de muitos santos e santas, alguns conhecidos, outros, muitíssimos, desconhecidos, mas bem conhecidos por Deus: mães, pais, catequistas, missionários, padres, freiras, jovens, e também crianças, avôs e avós; eles enfrentaram a luta da vida, levando no coração esperança dos pequenos e dos humildes.” (Homilia de 15 de agosto de 2013)
Mestra dos discípulos de Cristo
“A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: ‘Mostrai-nos Jesus’ de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria. Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela nos pede: ‘Fazei o que Ele vos disser’ (Jo 2,5). Sim, Mãe, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria.” (Homilia de 24 de julho de 2013)
Maria e a vida no Espírito Santo
“A Virgem Maria ensina-nos o que significa viver no Espírito Santo e o que significa acolher a novidade de Deus na nossa vida. Ela concebeu Jesus por obra do Espírito, e cada cristão, cada um de nós, está chamado a acolher a Palavra de Deus, a acolher Jesus dentro de si e depois levá-lo a todos. Maria invocou o Espírito com os Apóstolos no cenáculo: também nós, todas as vezes que nos reunimos em oração, somos amparados pela presença espiritual da Mãe de Jesus, para receber o dom do Espírito e ter a força de testemunhar Jesus ressuscitado.” (Regina Coeli, 28 de abril de 2013)
Maria, ícone da fé
“No contexto do Evangelho de Lucas, a menção do coração bom e virtuoso, em referência à Palavra ouvida e conservada, pode constituir um retrato implícito da fé da Virgem Maria; o próprio evangelista nos fala da memória de Maria, dizendo que conservava no coração tudo aquilo que ouvia e via, de modo que a Palavra produzisse fruto na sua vida. A Mãe do Senhor é ícone perfeito da fé, como dirá Santa Isabel: ‘Feliz de ti que acreditaste’ (Lc 1, 45).” (Lumen Fidei, 58)
Maria, mãe do Filho de Deus
“Pelo seu vínculo com Jesus, Maria está intimamente associada com aquilo que acreditamos. Na concepção virginal de Maria, temos um sinal claro da filiação divina de Cristo: a origem eterna de Cristo está no Pai, Ele é o Filho em sentido total e único, e por isso nasce, no tempo, sem intervenção do homem. Sendo Filho, Jesus pode trazer ao mundo um novo início e uma nova luz, a plenitude do amor fiel de Deus que Se entrega aos homens. Por outro lado, a verdadeira maternidade de Maria garantiu, ao Filho de Deus, uma verdadeira história humana, uma verdadeira carne na qual morrerá na cruz e ressuscitará dos mortos. Maria acompanhá-Lo-á até à cruz (cf. Jo 19, 25), donde a sua maternidade se estenderá a todo o discípulo de seu Filho (cf. Jo 19, 26-27). Estará presente também no Cenáculo, depois da ressurreição e ascensão de Jesus, para implorar com os Apóstolos o dom do Espírito (cf. Atos 1, 14). O movimento de amor entre o Pai e o Filho no Espírito percorreu a nossa história; Cristo atrai-nos a Si para nos poder salvar (cf. Jo 12, 32). No centro da fé, encontra-se a confissão de Jesus, Filho de Deus, nascido de mulher, que nos introduz, pelo dom do Espírito Santo, na filiação adotiva (cf. Gl 4, 4-6).” (Lumen Fidei, 59)
sources: Aleteia
http://www.aleteia.org/pt/religiao/artigo/%2Fpt%2Freligiao%2Fartigo%2Ffrases-inspiradoras-do-papa-francisco-sobre-maria-6441381295816704
SEJA PARCEIRO
No mês de Maria, a Aleteia oferece uma coletânea de frases do Papa Francisco nas quais ele explica a devoção a Nossa Senhora
04.05.2014 Aleteia
Maria, mãe da esperança
“A esperança é a virtude daqueles que, experimentando o conflito, a luta diária entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, creem na Ressurreição de Cristo, na vitória do Amor. Escutamos o canto de Maria, o Magnificat: é o cântico da esperança, é o cântico do Povo de Deus no seu caminhar através da história. É o cântico de muitos santos e santas, alguns conhecidos, outros, muitíssimos, desconhecidos, mas bem conhecidos por Deus: mães, pais, catequistas, missionários, padres, freiras, jovens, e também crianças, avôs e avós; eles enfrentaram a luta da vida, levando no coração esperança dos pequenos e dos humildes.” (Homilia de 15 de agosto de 2013)
Mestra dos discípulos de Cristo
“A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: ‘Mostrai-nos Jesus’ de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria. Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela nos pede: ‘Fazei o que Ele vos disser’ (Jo 2,5). Sim, Mãe, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria.” (Homilia de 24 de julho de 2013)
Maria e a vida no Espírito Santo
“A Virgem Maria ensina-nos o que significa viver no Espírito Santo e o que significa acolher a novidade de Deus na nossa vida. Ela concebeu Jesus por obra do Espírito, e cada cristão, cada um de nós, está chamado a acolher a Palavra de Deus, a acolher Jesus dentro de si e depois levá-lo a todos. Maria invocou o Espírito com os Apóstolos no cenáculo: também nós, todas as vezes que nos reunimos em oração, somos amparados pela presença espiritual da Mãe de Jesus, para receber o dom do Espírito e ter a força de testemunhar Jesus ressuscitado.” (Regina Coeli, 28 de abril de 2013)
Maria, ícone da fé
“No contexto do Evangelho de Lucas, a menção do coração bom e virtuoso, em referência à Palavra ouvida e conservada, pode constituir um retrato implícito da fé da Virgem Maria; o próprio evangelista nos fala da memória de Maria, dizendo que conservava no coração tudo aquilo que ouvia e via, de modo que a Palavra produzisse fruto na sua vida. A Mãe do Senhor é ícone perfeito da fé, como dirá Santa Isabel: ‘Feliz de ti que acreditaste’ (Lc 1, 45).” (Lumen Fidei, 58)
Maria, mãe do Filho de Deus
“Pelo seu vínculo com Jesus, Maria está intimamente associada com aquilo que acreditamos. Na concepção virginal de Maria, temos um sinal claro da filiação divina de Cristo: a origem eterna de Cristo está no Pai, Ele é o Filho em sentido total e único, e por isso nasce, no tempo, sem intervenção do homem. Sendo Filho, Jesus pode trazer ao mundo um novo início e uma nova luz, a plenitude do amor fiel de Deus que Se entrega aos homens. Por outro lado, a verdadeira maternidade de Maria garantiu, ao Filho de Deus, uma verdadeira história humana, uma verdadeira carne na qual morrerá na cruz e ressuscitará dos mortos. Maria acompanhá-Lo-á até à cruz (cf. Jo 19, 25), donde a sua maternidade se estenderá a todo o discípulo de seu Filho (cf. Jo 19, 26-27). Estará presente também no Cenáculo, depois da ressurreição e ascensão de Jesus, para implorar com os Apóstolos o dom do Espírito (cf. Atos 1, 14). O movimento de amor entre o Pai e o Filho no Espírito percorreu a nossa história; Cristo atrai-nos a Si para nos poder salvar (cf. Jo 12, 32). No centro da fé, encontra-se a confissão de Jesus, Filho de Deus, nascido de mulher, que nos introduz, pelo dom do Espírito Santo, na filiação adotiva (cf. Gl 4, 4-6).” (Lumen Fidei, 59)
sources: Aleteia
http://www.aleteia.org/pt/religiao/artigo/%2Fpt%2Freligiao%2Fartigo%2Ffrases-inspiradoras-do-papa-francisco-sobre-maria-6441381295816704
SEJA PARCEIRO
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Eu sou o pão vivo que desceu do céu - Evangelho (Jo 6,44-51)
Dia Litúrgico: Quinta-feira da 3ª semana da Páscoa
http://evangeli.net/evangelho
Evangelho (Jn 6,44-51): «Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrair. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o ensinamento do Pai e o aprendeu vem a mim. Ninguém jamais viu o Pai, a não ser aquele que vem de junto de Deus: este viu o Pai. Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê, tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo».
Comentário: Rev. D. Pere MONTAGUT i Piquet (Barcelona, Espanha)
Eu sou o pão vivo que desceu do céu
Hoje cantamos ao Senhor de quem recebemos a glória e o triunfo. O Ressuscitado se apresenta perante sua Igreja com aquele «Sou o que sou» que o identifica como fonte de salvação: «Eu sou o pão da vida» (Jo 6,48). Em ação de graça, a comunidade reunida em torno ao Vivente o conhece amorosamente e aceita a instrução de Deus, reconhecida agora como o ensino do Pai. Cristo, imortal e glorioso, nos faz lembrar de novo que o Pai é o autêntico protagonista de tudo. Os que o escutam e nele acreditam, vivem em comunhão com o que vêm de Deus, com o único que o tem visto e, assim, a fé é o começo da vida eterna.
O pão vivo é Jesus. Não é um alimento que assimilemos, senão que pelo contrário nos assimila. Ele nos faz ter fome de Deus, sede de escutar sua Palavra que é gozo e alegria do coração. A Eucaristia é antecipação da glória celestial: «Partimos um mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, para viver por sempre em Jesus Cristo» (Santo Inácio de Antioquia). A comunhão com a carne de Cristo ressuscitado nos faz acostumar com tudo aquilo que desce do céu, quer dizer, receber e assumir nossa verdadeira condição: Estamos feitos para Deus e somente Ele sacia plenamente nosso espírito.
Mas esse pão vivo não nos fará viver um dia mais além da morte física, senão que nos foi dado agora «pela vida do mundo» (Jo 6,51). O desígnio do Pai, que não nos criou para morrer, está ligado à fé e ao amor. Quer uma resposta atual, livre e pessoal, a sua iniciativa. Cada vez que comemos esse pão, adentremo-nos no Amor mesmo! Já não vivemos para nós mesmos, já não vivemos no erro. O mundo ainda é precioso porque há quem continua amando-o até o extremo, porque há um Sacrifício do qual se beneficiam até os que o ignoram.
http://evangeli.net/evangelho
Evangelho (Jn 6,44-51): «Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrair. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o ensinamento do Pai e o aprendeu vem a mim. Ninguém jamais viu o Pai, a não ser aquele que vem de junto de Deus: este viu o Pai. Em verdade, em verdade, vos digo: quem crê, tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. Aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo».
Comentário: Rev. D. Pere MONTAGUT i Piquet (Barcelona, Espanha)
Eu sou o pão vivo que desceu do céu
Hoje cantamos ao Senhor de quem recebemos a glória e o triunfo. O Ressuscitado se apresenta perante sua Igreja com aquele «Sou o que sou» que o identifica como fonte de salvação: «Eu sou o pão da vida» (Jo 6,48). Em ação de graça, a comunidade reunida em torno ao Vivente o conhece amorosamente e aceita a instrução de Deus, reconhecida agora como o ensino do Pai. Cristo, imortal e glorioso, nos faz lembrar de novo que o Pai é o autêntico protagonista de tudo. Os que o escutam e nele acreditam, vivem em comunhão com o que vêm de Deus, com o único que o tem visto e, assim, a fé é o começo da vida eterna.
O pão vivo é Jesus. Não é um alimento que assimilemos, senão que pelo contrário nos assimila. Ele nos faz ter fome de Deus, sede de escutar sua Palavra que é gozo e alegria do coração. A Eucaristia é antecipação da glória celestial: «Partimos um mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, para viver por sempre em Jesus Cristo» (Santo Inácio de Antioquia). A comunhão com a carne de Cristo ressuscitado nos faz acostumar com tudo aquilo que desce do céu, quer dizer, receber e assumir nossa verdadeira condição: Estamos feitos para Deus e somente Ele sacia plenamente nosso espírito.
Mas esse pão vivo não nos fará viver um dia mais além da morte física, senão que nos foi dado agora «pela vida do mundo» (Jo 6,51). O desígnio do Pai, que não nos criou para morrer, está ligado à fé e ao amor. Quer uma resposta atual, livre e pessoal, a sua iniciativa. Cada vez que comemos esse pão, adentremo-nos no Amor mesmo! Já não vivemos para nós mesmos, já não vivemos no erro. O mundo ainda é precioso porque há quem continua amando-o até o extremo, porque há um Sacrifício do qual se beneficiam até os que o ignoram.
Eu sou o pão vivo descido do céu - Evangelho: Jo 6,44-51
Boa Nova para cada dia
http://www.loyola.com.br/liturgia_diaria.asp
“Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente”. (Jo 6,51ab).
Neste Evangelho Jesus conversou com os judeus que lhe pediam um sinal de que Ele fosse Messias. E como sinal dado no passado por Deus a Seu Povo, mencionaram o Maná.
Jesus também dará um sinal, mas não o Maná, porque:
“Os vossos pais comeram o Maná no deserto e, no entanto, morreram” (Jo 6,49).
O Maná era mero alimento material. O “pão vivo descido do céu”, que o próprio Jesus, é alimento espiritual. O material se acabou. O espiritual alimenta para a eternidade.
E quem nos espera na eternidade?
É o próprio Deus Pai.
Foi precisamente para levar todos ao Pai que Ele fez o plano de mandar seu Filho à terra, revelar-se como Filho e ser crido por aqueles que o Pai quer atrair para Si.
E o Pai quer atrair para si todas as pessoas, para que, como Suas criaturas, voltem para Ele e jamais se separem Dele. Isto é a Vida Eterna.
Autor: Pe. Valdir Marques, SJ
http://www.loyola.com.br/liturgia_diaria.asp
“Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente”. (Jo 6,51ab).
Neste Evangelho Jesus conversou com os judeus que lhe pediam um sinal de que Ele fosse Messias. E como sinal dado no passado por Deus a Seu Povo, mencionaram o Maná.
Jesus também dará um sinal, mas não o Maná, porque:
“Os vossos pais comeram o Maná no deserto e, no entanto, morreram” (Jo 6,49).
O Maná era mero alimento material. O “pão vivo descido do céu”, que o próprio Jesus, é alimento espiritual. O material se acabou. O espiritual alimenta para a eternidade.
E quem nos espera na eternidade?
É o próprio Deus Pai.
Foi precisamente para levar todos ao Pai que Ele fez o plano de mandar seu Filho à terra, revelar-se como Filho e ser crido por aqueles que o Pai quer atrair para Si.
E o Pai quer atrair para si todas as pessoas, para que, como Suas criaturas, voltem para Ele e jamais se separem Dele. Isto é a Vida Eterna.
Autor: Pe. Valdir Marques, SJ
O DESERTO DA RESSURREIÇÃO
08/05/2014
Quinta-feira, 08 de maio de 2014
http://www.gloriososaojose.org.br/meditacoes.php
At 8,26-40 Sl 65,8-9.16-17.20 Jo 6,44-51
O DESERTO DA RESSURREIÇÃO
“O Anjo do Senhor disse a Filipe: Levanta-te e vai, por volta do meio-dia, pela estrada que desce de Jerusalém a Gaza. A estrada está deserta.” (At 8,26)
Acabamos de terminar os quarenta dias do deserto quaresmal, imitando o jejum de Jesus no deserto (Mt 4,1-2). Agora Jesus está ressuscitado, e celebramos o Tempo Pascal, o quinquagésimo Domingo de festa e alegria. No entanto, como Filipe, alguns de nós podemos ainda nos encontrar no deserto após o Domingo da Páscoa (At 8,26). Você pode ter perdido um ente querido (At 8,2), sofrido perseguições, por sua fé, na Páscoa (At 8,3), ou simplesmente retornado à sua vida normal após a elevação espiritual da Páscoa (At 8,27).
Se você está no deserto Pascal, certamente não está sozinho(a). Outros, como o eunuco Etíope (At 8,27), também estão neste deserto Pascal. No deserto Pascal podem ser encontradas:
- fome espiritual (At 8,31);
- água refrescante que aparece no momento exato, mesmo em meio ao mais árido terreno (At 8,36);
- a precisa e poderosa orientação do Espírito (At 8,29);
- as sementes da evangelização internacional (At 8,27.39);
- a conversão (At 8,38); e
- a alegria (At 8,39).
Se você ainda está no deserto, não peça para ser retirado(a) dele, ao invés disso, peça que seus ouvidos sejam abertos (Sl 40,7; Is 50,4). Seu vazio e sofrimento podem ser, exatamente, o que o Espírito usará para trazer a alegria da Páscoa ao mundo. Quando o propósito do Senhor estiver completo, o Espírito poderá rapidamente conduzi-lo(a) da aridez do deserto ao alívio que você precisa (At 8,39.40).
Oração: Pai usa-me para transmitir a Tua Palavra em todo o mundo.
Promessa: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo.” (Jo 6,51)
Louvor: Tendo decidido dedicar, voluntariamente, seu tempo para preparar Um Pão, Um Corpo, Nelson vive o pedido de Jesus para que o Evangelho seja proclamado em todo o mundo (Mt 28,19-20).
Quinta-feira, 08 de maio de 2014
http://www.gloriososaojose.org.br/meditacoes.php
At 8,26-40 Sl 65,8-9.16-17.20 Jo 6,44-51
O DESERTO DA RESSURREIÇÃO
“O Anjo do Senhor disse a Filipe: Levanta-te e vai, por volta do meio-dia, pela estrada que desce de Jerusalém a Gaza. A estrada está deserta.” (At 8,26)
Acabamos de terminar os quarenta dias do deserto quaresmal, imitando o jejum de Jesus no deserto (Mt 4,1-2). Agora Jesus está ressuscitado, e celebramos o Tempo Pascal, o quinquagésimo Domingo de festa e alegria. No entanto, como Filipe, alguns de nós podemos ainda nos encontrar no deserto após o Domingo da Páscoa (At 8,26). Você pode ter perdido um ente querido (At 8,2), sofrido perseguições, por sua fé, na Páscoa (At 8,3), ou simplesmente retornado à sua vida normal após a elevação espiritual da Páscoa (At 8,27).
Se você está no deserto Pascal, certamente não está sozinho(a). Outros, como o eunuco Etíope (At 8,27), também estão neste deserto Pascal. No deserto Pascal podem ser encontradas:
- fome espiritual (At 8,31);
- água refrescante que aparece no momento exato, mesmo em meio ao mais árido terreno (At 8,36);
- a precisa e poderosa orientação do Espírito (At 8,29);
- as sementes da evangelização internacional (At 8,27.39);
- a conversão (At 8,38); e
- a alegria (At 8,39).
Se você ainda está no deserto, não peça para ser retirado(a) dele, ao invés disso, peça que seus ouvidos sejam abertos (Sl 40,7; Is 50,4). Seu vazio e sofrimento podem ser, exatamente, o que o Espírito usará para trazer a alegria da Páscoa ao mundo. Quando o propósito do Senhor estiver completo, o Espírito poderá rapidamente conduzi-lo(a) da aridez do deserto ao alívio que você precisa (At 8,39.40).
Oração: Pai usa-me para transmitir a Tua Palavra em todo o mundo.
Promessa: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo.” (Jo 6,51)
Louvor: Tendo decidido dedicar, voluntariamente, seu tempo para preparar Um Pão, Um Corpo, Nelson vive o pedido de Jesus para que o Evangelho seja proclamado em todo o mundo (Mt 28,19-20).
Evangelho (João 6,44-51) - O ENSINAMENTO DO PAI
Comentário ao Evangelho
http://www.domtotal.com/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php
O ENSINAMENTO DO PAI
É o Pai quem tem a iniciativa na dinâmica da fé dos cristãos. No seu amor, elege o ser humano para ser objeto de sua revelação, e o convida a aderir ao Filho Jesus. Só vai a Jesus quem é escolhido e impelido pelo Pai. Só se entrega a Jesus quem se deixa guiar pelo Pai. E tudo quanto o Pai realiza está em função de guiar a humanidade para o Filho. O ato de fé no Senhor Jesus é, portanto, indício de obediência ao ensinamento do Pai e de submissão à sua vontade.
A incredulidade configura-se como rebeldia contra o Pai. Não se trata de mera oposição a Jesus, numa atitude sem maiores conseqüências. Nem, tampouco, pode ser considerada como uma fatalidade na vida das pessoas, numa espécie de anulação de sua liberdade.
No ato de fé, está implicada a liberdade humana. Instruído pelo Pai, cabe ao ser humano acolher ou não a instrução recebida. Se a acolhe, sem dúvida será capaz de reconhecer em Jesus o enviado do Pai. Se a rejeita, não somente se tornará um adversário do Filho, mas também do Pai. Não é possível acolher a moção do Pai, mas fechar-se para o Filho. Ou seja, não dá para ficar no meio do caminho. Quem recebeu o ensinamento do Pai, necessariamente, irá a Jesus.
Oração
Espírito de docilidade ao Pai, reforça minha disposição para acolher os ensinamentos divinos e colocar-me, resolutamente, na busca do Ressuscitado.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
http://www.domtotal.com/religiao/eucaristia/liturgia_diaria.php
O ENSINAMENTO DO PAI
É o Pai quem tem a iniciativa na dinâmica da fé dos cristãos. No seu amor, elege o ser humano para ser objeto de sua revelação, e o convida a aderir ao Filho Jesus. Só vai a Jesus quem é escolhido e impelido pelo Pai. Só se entrega a Jesus quem se deixa guiar pelo Pai. E tudo quanto o Pai realiza está em função de guiar a humanidade para o Filho. O ato de fé no Senhor Jesus é, portanto, indício de obediência ao ensinamento do Pai e de submissão à sua vontade.
A incredulidade configura-se como rebeldia contra o Pai. Não se trata de mera oposição a Jesus, numa atitude sem maiores conseqüências. Nem, tampouco, pode ser considerada como uma fatalidade na vida das pessoas, numa espécie de anulação de sua liberdade.
No ato de fé, está implicada a liberdade humana. Instruído pelo Pai, cabe ao ser humano acolher ou não a instrução recebida. Se a acolhe, sem dúvida será capaz de reconhecer em Jesus o enviado do Pai. Se a rejeita, não somente se tornará um adversário do Filho, mas também do Pai. Não é possível acolher a moção do Pai, mas fechar-se para o Filho. Ou seja, não dá para ficar no meio do caminho. Quem recebeu o ensinamento do Pai, necessariamente, irá a Jesus.
Oração
Espírito de docilidade ao Pai, reforça minha disposição para acolher os ensinamentos divinos e colocar-me, resolutamente, na busca do Ressuscitado.
(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
O PÃO QUE DÁ A VIDA ETERNA
www.hablarcondios.org/pt/imprimir_meditacaodiaria.asp
Meditação diária de Falar com Deus
TEMPO PASCAL. TERCEIRA SEMANA. QUINTA-FEIRA
65. O PÃO QUE DÁ A VIDA ETERNA
– O anúncio da Sagrada Eucaristia na sinagoga de Cafarnaum. O Senhor pede-nos uma fé viva. Hino Adoro te devote.
– O mistério da fé. A Transubstanciação.
– Os efeitos da Comunhão na alma: sustenta, repara e deleita.
I. EU SOU O PÃO DA VIDA. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu para que todo aquele que dele comer não morra1. É o surpreendente e maravilhoso anúncio feito por Jesus na sinagoga de Cafarnaum e que lemos hoje no Evangelho da Missa. O Senhor continua: Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá eternamente. E o pão que eu hei de dar é a minha carne para a salvação do mundo2.
Jesus revela o grande mistério da Sagrada Eucaristia. As suas palavras são de um realismo tão grande que excluem qualquer outra interpretação. Sem a fé, essas palavras não têm sentido. Pelo contrário, se pela fé aceitamos a presença real de Cristo na Eucaristia, a revelação de Jesus torna-se clara e inequívoca, e mostra-nos o infinito amor de Deus para conosco.
Adoro te devote, latens deitas, quae sub his figuris vere latitas: “Adoro-vos com devoção, Deus escondido, que sob estas aparências estais verdadeiramente presente”, dizemos à Sagrada Eucaristia, com palavras do hino composto por São Tomás e que há muitos séculos foi adotado pela liturgia da Igreja. É uma expressão de fé e piedade que nos pode servir para manifestar o nosso amor, pois constitui um resumo dos principais pontos da doutrina católica sobre este sagrado mistério.
“Adoro-vos com devoção, Deus escondido”, repetimos bem devagar na intimidade do nosso coração, com fé, esperança e amor. Os que estavam naquele dia na sinagoga entenderam o sentido profundo e realista das palavras do Senhor; se as tivessem entendido num sentido simbólico ou figurado, não se teriam deixado invadir pelo assombro e pela confusão, como São João diz a seguir, nem teria havido muitos que abandonaram o Senhor naquele mesmo dia. Duras são estas palavras. Quem as pode ouvir?3, dizem aqueles homens enquanto se retiram. São duras – continuam a ser duras – para os que não têm o coração bem disposto, para os que não admitem sem sombra de dúvida que Jesus de Nazaré, Deus que se fez homem, se comunica desse modo aos homens, por amor. “Adoro-vos com devoção, Deus escondido”, dizemos-lhe na nossa oração, manifestando-lhe o nosso amor, o nosso agradecimento e o assentimento humilde com que o acatamos. É uma atitude imprescindível para nos aproximarmos deste mistério de Amor.
Tibi se cor meum totum subiicit, quia te contemplans totum deficit: “A Vós se submete o meu coração por inteiro e se rende totalmente ao contemplar-vos”. Sentimos necessidade de repetir estas palavras muitas vezes, porque são muitos os incrédulos. O Senhor também nos pergunta a nós, a todos os que queremos segui-lo de perto: Também vós quereis partir?4 E ao vermos a desorientação e a confusão em que andam tantos cristãos que se separaram do tronco da fé, que têm a alma indiferente às realidades sobrenaturais, o nosso amor reafirma-se: “A Vós se submete o meu coração por inteiro”.
A nossa fé na presença real de Cristo na Eucaristia deve ser muito firme: “Cremos que, assim como o pão e o vinho consagrados pelo Senhor na Última Ceia se converteram no seu Corpo e no seu Sangue, os quais pouco depois seriam oferecidos por nós na Cruz, assim também o pão e o vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e no Sangue de Cristo, que está sentado gloriosamente no Céu; e cremos que a presença misteriosa do Senhor, sob a aparência daqueles elementos, que continuam a aparecer aos sentidos da mesma maneira que antes, é verdadeira, real e substancial”5.
II. NÃO SE PODEM MITIGAR as palavras do Senhor: O pão que eu hei de dar é a minha carne para a salvação do mundo. “Eis o mistério da fé”, proclamamos imediatamente depois da Consagração na Santa Missa. Essa foi e é a pedra de toque da fé cristã. Pela transubstanciação, o pão e o vinho “já não são o pão comum e a comum bebida, mas sinal de uma coisa sagrada, sinal de um alimento espiritual; mas além disso adquirem um novo significado e um novo fim enquanto contêm uma «realidade» que com razão denominamos ontológica; porque sob as referidas espécies já não existe o que antes havia, mas algo completamente diferente [...], visto que, uma vez convertida a substância ou natureza do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, já nada resta do pão e do vinho, a não ser as aparências: debaixo delas está presente Cristo todo inteiro, na sua realidade física, corporalmente, ainda que não do mesmo modo que os corpos estão num lugar”6.
Olhamos para Jesus presente no Sacrário, talvez a poucos metros de nós, ou vamos com o coração à igreja mais próxima, e lhe dizemos que sabemos pela fé que Ele está ali presente. Cremos firmemente nas promessas que fez em Cafarnaum e que realizou pouco depois no Cenáculo: Credo quidquid dixit Dei Filius: nihil hoc verbo veritatis verius: “Creio em tudo o que disse o Filho de Deus; nada de mais verdadeiro que esta palavra de verdade”.
A nossa fé e o nosso amor devem manifestar-se especialmente no momento da Comunhão. Recebemos o Pão vivo que desceu dos céus, o alimento absolutamente necessário para chegarmos à meta. Recebemos o próprio Cristo, perfeito Deus e homem perfeito, misteriosamente escondido, mas desejoso de comunicar-nos a vida divina. Nesse momento, mediante a sua Humanidade gloriosa, a sua Divindade atua na nossa alma com uma intensidade maior do que quando esteve aqui na terra. Nenhum daqueles que foram curados – Bartimeu, o paralítico de Cafarnaum, os leprosos... – esteve tão perto de Cristo – do próprio Cristo – como nós o estamos em cada Comunhão. Os efeitos que este Pão vivo, Jesus, produz na nossa alma são incontáveis e de uma riqueza infinita. A Igreja resume-os nestas palavras: “Todos os efeitos que a comida e a bebida materiais produzem na vida do corpo, sustentando, reparando e deleitando, realiza-os este sacramento na vida espiritual”7.
Oculto sob as espécies sacramentais, Jesus espera-nos. Ficou para que o recebêssemos, para nos fortalecer no amor. Examinemos hoje como é a nossa fé, vejamos como é o nosso amor, como preparamos cada Comunhão. Dizemos ao Senhor com Pedro: Nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus8. Tu és o nosso Redentor, a razão do nosso viver.
III. A COMUNHÃO SUSTENTA a vida da alma de modo semelhante ao de como o alimento corporal sustenta o corpo. A recepção da Sagrada Eucaristia mantém o cristão na graça de Deus, pois a alma recupera-se do contínuo desgaste que sofre devido às feridas que nela permanecem após o pecado original e os pecados pessoais. Mantém a vida de Deus na alma, livrando-a da tibieza; e ajuda a evitar o pecado mortal e a lutar eficazmente contra os veniais.
A Sagrada Eucaristia aumenta também a vida sobrenatural, fá-la crescer e desenvolver-se. E, ao mesmo tempo que sacia espiritualmente, aumenta na alma o desejo dos bens eternos: Os que me comem terão ainda mais fome, e os que me bebem terão ainda mais sede9. A comida material converte-se naquele que a come e, conseqüentemente, restaura-lhe as perdas e acrescenta-lhe as forças vitais. A comida espiritual, porém, converte nela aquele que a come, e assim o efeito próprio deste sacramento é a conversão do homem em Cristo, para que não seja ele quem vive, mas Cristo nele; e, em conseqüência, tem um duplo efeito: restaura as perdas espirituais causadas pelos pecados e deficiências e aumenta as forças das virtudes”10.
Por último, a graça que recebemos em cada Comunhão deleita aquele que comunga com as devidas disposições. Nada se pode comparar à alegria da Sagrada Eucaristia, à amizade e proximidade de Jesus presente em nós. “Jesus Cristo, durante a sua vida mortal, não passou nunca por lugar algum sem derramar as suas bênçãos abundantemente, e daí podemos deduzir como devem ser grandes e preciosos os dons de que participam aqueles que têm a felicidade de recebê-lo na Sagrada Comunhão; ou, para dizê-lo melhor, como toda a nossa felicidade neste mundo consiste em receber Jesus Cristo na Sagrada Comunhão”11.
A Comunhão é “o remédio para as nossas necessidades cotidianas”12, “remédio de imortalidade, antídoto contra a morte e alimento para vivermos para sempre em Jesus Cristo”13. Concede a paz e a alegria de Cristo à alma, e é verdadeiramente “uma antecipação da bem-aventurança eterna”14.
De todos os exercícios e práticas de piedade, não há nenhum cuja eficácia santificadora possa comparar-se à digna recepção deste sacramento. Nele não somente recebemos a graça, mas o próprio Manancial e Fonte donde ela brota. Todos os sacramentos se ordenam para a Sagrada Eucaristia e têm-na por centro15.
Jesus, oculto sob os acidentes do pão, deseja que o recebamos com freqüência: o banquete, diz-nos Ele, está preparado16. São muitos os ausentes e Jesus espera-nos, ao mesmo tempo que nos envia a anunciar aos outros que também os espera a eles no Sacrário.
Se o pedirmos à Santíssima Virgem, Ela nos ajudará a abeirar-nos da Comunhão cada vez mais bem preparados.
(1) Jo 6, 48-50; (2) Jo 6, 51; (3) Jo 6, 60; (4) cfr. Jo 6, 67; (5) Paulo VI, Enc. Credo do povo de Deus, 24; (6) Paulo VI, Enc. Mysterium Fidei, 3-IX-1965; (7) Conc. de Florença, Bula Exsultate Deo; Dz 1322-698; (8) Jo 6, 70; (9) Jo 6, 35; (10) São Tomás, Coment. ao livro IV das Sentenças, d. 12, q. 2, a. 11; (11) Cura d’Ars, Sermão sobre a Comunhão; (12) Santo Ambrósio, Sobre os mistérios, 4; (13) Santo Inácio de Antioquia, Epístola aos Efésios, 20; (14) cfr. Jo 6, 58; Dz 875; (15) cfr. São Tomás, Suma Teológica, 3, q. 65, a. 3; (16) cfr. Lc 14, 15 e segs.
Meditação diária de Falar com Deus
TEMPO PASCAL. TERCEIRA SEMANA. QUINTA-FEIRA
65. O PÃO QUE DÁ A VIDA ETERNA
– O anúncio da Sagrada Eucaristia na sinagoga de Cafarnaum. O Senhor pede-nos uma fé viva. Hino Adoro te devote.
– O mistério da fé. A Transubstanciação.
– Os efeitos da Comunhão na alma: sustenta, repara e deleita.
I. EU SOU O PÃO DA VIDA. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu para que todo aquele que dele comer não morra1. É o surpreendente e maravilhoso anúncio feito por Jesus na sinagoga de Cafarnaum e que lemos hoje no Evangelho da Missa. O Senhor continua: Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá eternamente. E o pão que eu hei de dar é a minha carne para a salvação do mundo2.
Jesus revela o grande mistério da Sagrada Eucaristia. As suas palavras são de um realismo tão grande que excluem qualquer outra interpretação. Sem a fé, essas palavras não têm sentido. Pelo contrário, se pela fé aceitamos a presença real de Cristo na Eucaristia, a revelação de Jesus torna-se clara e inequívoca, e mostra-nos o infinito amor de Deus para conosco.
Adoro te devote, latens deitas, quae sub his figuris vere latitas: “Adoro-vos com devoção, Deus escondido, que sob estas aparências estais verdadeiramente presente”, dizemos à Sagrada Eucaristia, com palavras do hino composto por São Tomás e que há muitos séculos foi adotado pela liturgia da Igreja. É uma expressão de fé e piedade que nos pode servir para manifestar o nosso amor, pois constitui um resumo dos principais pontos da doutrina católica sobre este sagrado mistério.
“Adoro-vos com devoção, Deus escondido”, repetimos bem devagar na intimidade do nosso coração, com fé, esperança e amor. Os que estavam naquele dia na sinagoga entenderam o sentido profundo e realista das palavras do Senhor; se as tivessem entendido num sentido simbólico ou figurado, não se teriam deixado invadir pelo assombro e pela confusão, como São João diz a seguir, nem teria havido muitos que abandonaram o Senhor naquele mesmo dia. Duras são estas palavras. Quem as pode ouvir?3, dizem aqueles homens enquanto se retiram. São duras – continuam a ser duras – para os que não têm o coração bem disposto, para os que não admitem sem sombra de dúvida que Jesus de Nazaré, Deus que se fez homem, se comunica desse modo aos homens, por amor. “Adoro-vos com devoção, Deus escondido”, dizemos-lhe na nossa oração, manifestando-lhe o nosso amor, o nosso agradecimento e o assentimento humilde com que o acatamos. É uma atitude imprescindível para nos aproximarmos deste mistério de Amor.
Tibi se cor meum totum subiicit, quia te contemplans totum deficit: “A Vós se submete o meu coração por inteiro e se rende totalmente ao contemplar-vos”. Sentimos necessidade de repetir estas palavras muitas vezes, porque são muitos os incrédulos. O Senhor também nos pergunta a nós, a todos os que queremos segui-lo de perto: Também vós quereis partir?4 E ao vermos a desorientação e a confusão em que andam tantos cristãos que se separaram do tronco da fé, que têm a alma indiferente às realidades sobrenaturais, o nosso amor reafirma-se: “A Vós se submete o meu coração por inteiro”.
A nossa fé na presença real de Cristo na Eucaristia deve ser muito firme: “Cremos que, assim como o pão e o vinho consagrados pelo Senhor na Última Ceia se converteram no seu Corpo e no seu Sangue, os quais pouco depois seriam oferecidos por nós na Cruz, assim também o pão e o vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e no Sangue de Cristo, que está sentado gloriosamente no Céu; e cremos que a presença misteriosa do Senhor, sob a aparência daqueles elementos, que continuam a aparecer aos sentidos da mesma maneira que antes, é verdadeira, real e substancial”5.
II. NÃO SE PODEM MITIGAR as palavras do Senhor: O pão que eu hei de dar é a minha carne para a salvação do mundo. “Eis o mistério da fé”, proclamamos imediatamente depois da Consagração na Santa Missa. Essa foi e é a pedra de toque da fé cristã. Pela transubstanciação, o pão e o vinho “já não são o pão comum e a comum bebida, mas sinal de uma coisa sagrada, sinal de um alimento espiritual; mas além disso adquirem um novo significado e um novo fim enquanto contêm uma «realidade» que com razão denominamos ontológica; porque sob as referidas espécies já não existe o que antes havia, mas algo completamente diferente [...], visto que, uma vez convertida a substância ou natureza do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, já nada resta do pão e do vinho, a não ser as aparências: debaixo delas está presente Cristo todo inteiro, na sua realidade física, corporalmente, ainda que não do mesmo modo que os corpos estão num lugar”6.
Olhamos para Jesus presente no Sacrário, talvez a poucos metros de nós, ou vamos com o coração à igreja mais próxima, e lhe dizemos que sabemos pela fé que Ele está ali presente. Cremos firmemente nas promessas que fez em Cafarnaum e que realizou pouco depois no Cenáculo: Credo quidquid dixit Dei Filius: nihil hoc verbo veritatis verius: “Creio em tudo o que disse o Filho de Deus; nada de mais verdadeiro que esta palavra de verdade”.
A nossa fé e o nosso amor devem manifestar-se especialmente no momento da Comunhão. Recebemos o Pão vivo que desceu dos céus, o alimento absolutamente necessário para chegarmos à meta. Recebemos o próprio Cristo, perfeito Deus e homem perfeito, misteriosamente escondido, mas desejoso de comunicar-nos a vida divina. Nesse momento, mediante a sua Humanidade gloriosa, a sua Divindade atua na nossa alma com uma intensidade maior do que quando esteve aqui na terra. Nenhum daqueles que foram curados – Bartimeu, o paralítico de Cafarnaum, os leprosos... – esteve tão perto de Cristo – do próprio Cristo – como nós o estamos em cada Comunhão. Os efeitos que este Pão vivo, Jesus, produz na nossa alma são incontáveis e de uma riqueza infinita. A Igreja resume-os nestas palavras: “Todos os efeitos que a comida e a bebida materiais produzem na vida do corpo, sustentando, reparando e deleitando, realiza-os este sacramento na vida espiritual”7.
Oculto sob as espécies sacramentais, Jesus espera-nos. Ficou para que o recebêssemos, para nos fortalecer no amor. Examinemos hoje como é a nossa fé, vejamos como é o nosso amor, como preparamos cada Comunhão. Dizemos ao Senhor com Pedro: Nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus8. Tu és o nosso Redentor, a razão do nosso viver.
III. A COMUNHÃO SUSTENTA a vida da alma de modo semelhante ao de como o alimento corporal sustenta o corpo. A recepção da Sagrada Eucaristia mantém o cristão na graça de Deus, pois a alma recupera-se do contínuo desgaste que sofre devido às feridas que nela permanecem após o pecado original e os pecados pessoais. Mantém a vida de Deus na alma, livrando-a da tibieza; e ajuda a evitar o pecado mortal e a lutar eficazmente contra os veniais.
A Sagrada Eucaristia aumenta também a vida sobrenatural, fá-la crescer e desenvolver-se. E, ao mesmo tempo que sacia espiritualmente, aumenta na alma o desejo dos bens eternos: Os que me comem terão ainda mais fome, e os que me bebem terão ainda mais sede9. A comida material converte-se naquele que a come e, conseqüentemente, restaura-lhe as perdas e acrescenta-lhe as forças vitais. A comida espiritual, porém, converte nela aquele que a come, e assim o efeito próprio deste sacramento é a conversão do homem em Cristo, para que não seja ele quem vive, mas Cristo nele; e, em conseqüência, tem um duplo efeito: restaura as perdas espirituais causadas pelos pecados e deficiências e aumenta as forças das virtudes”10.
Por último, a graça que recebemos em cada Comunhão deleita aquele que comunga com as devidas disposições. Nada se pode comparar à alegria da Sagrada Eucaristia, à amizade e proximidade de Jesus presente em nós. “Jesus Cristo, durante a sua vida mortal, não passou nunca por lugar algum sem derramar as suas bênçãos abundantemente, e daí podemos deduzir como devem ser grandes e preciosos os dons de que participam aqueles que têm a felicidade de recebê-lo na Sagrada Comunhão; ou, para dizê-lo melhor, como toda a nossa felicidade neste mundo consiste em receber Jesus Cristo na Sagrada Comunhão”11.
A Comunhão é “o remédio para as nossas necessidades cotidianas”12, “remédio de imortalidade, antídoto contra a morte e alimento para vivermos para sempre em Jesus Cristo”13. Concede a paz e a alegria de Cristo à alma, e é verdadeiramente “uma antecipação da bem-aventurança eterna”14.
De todos os exercícios e práticas de piedade, não há nenhum cuja eficácia santificadora possa comparar-se à digna recepção deste sacramento. Nele não somente recebemos a graça, mas o próprio Manancial e Fonte donde ela brota. Todos os sacramentos se ordenam para a Sagrada Eucaristia e têm-na por centro15.
Jesus, oculto sob os acidentes do pão, deseja que o recebamos com freqüência: o banquete, diz-nos Ele, está preparado16. São muitos os ausentes e Jesus espera-nos, ao mesmo tempo que nos envia a anunciar aos outros que também os espera a eles no Sacrário.
Se o pedirmos à Santíssima Virgem, Ela nos ajudará a abeirar-nos da Comunhão cada vez mais bem preparados.
(1) Jo 6, 48-50; (2) Jo 6, 51; (3) Jo 6, 60; (4) cfr. Jo 6, 67; (5) Paulo VI, Enc. Credo do povo de Deus, 24; (6) Paulo VI, Enc. Mysterium Fidei, 3-IX-1965; (7) Conc. de Florença, Bula Exsultate Deo; Dz 1322-698; (8) Jo 6, 70; (9) Jo 6, 35; (10) São Tomás, Coment. ao livro IV das Sentenças, d. 12, q. 2, a. 11; (11) Cura d’Ars, Sermão sobre a Comunhão; (12) Santo Ambrósio, Sobre os mistérios, 4; (13) Santo Inácio de Antioquia, Epístola aos Efésios, 20; (14) cfr. Jo 6, 58; Dz 875; (15) cfr. São Tomás, Suma Teológica, 3, q. 65, a. 3; (16) cfr. Lc 14, 15 e segs.
«E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo»
Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra as Heresias, V, 2, 2-3 (trad. Breviário)
«E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne, pela vida do mundo»
Estão completamente enganados aqueles que rejeitam o projecto que Deus guarda para a sua Criação, negam a salvação da carne e desprezam a ideia da sua regeneração, ao declará-la incapaz de receber uma natureza imperecível. Se a carne não se salva, também o Senhor não nos redimiu com o seu Sangue, nem o cálice da Eucaristia é a comunhão do seu Sangue, nem o pão que partimos é a comunhão do seu Corpo (1Cor 10,16), […] que o Verbo de Deus assumiu em toda a sua realidade e pela qual nos resgatou pelo seu Sangue. […] E porque somos seus membros (1Cor 6,15) e nos alimentamos das criaturas que nos proporciona, […] Ele afirmou que aquele cálice, fruto da Criação, é o seu Sangue que fortalece o nosso sangue, e confirmou que aquele pão, fruto também da Criação, é o seu Corpo que fortalece o nosso corpo. Uma vez que o cálice de vinho misturado com água e o pão natural, ao receberem a palavra de Deus, se transformam na Eucaristia do Sangue e do Corpo de Cristo, com os quais se alimenta e revigora a substância da nossa carne, como há quem negue que a carne é capaz de receber o dom de Deus, que é a vida eterna, essa carne que se alimenta do Sangue e Corpo de Cristo e se torna membro do seu Corpo? Por isso diz o santo Apóstolo na carta aos Efésios: «Somos membros do seu Corpo, da sua carne e dos seus ossos» (Ef 5,30 [Vulg.]; cf Gn 2,24); não é de um homem espiritual e invisível que o diz, […] mas sim do organismo verdadeiramente humano, que consta de carne, de nervos e ossos, e que se nutre do cálice do seu Sangue e se robustece com o pão que é o seu Corpo. […] Assim também os nossos corpos, nutridos pela Eucaristia, depositados na terra, […] ressuscitarão a seu tempo, quando o Verbo de Deus lhes conceder a ressurreição «para glória de Deus Pai» (Fil 2,11).
quarta-feira, 16 de abril de 2014
VENHA A JESUS - Quarta-feira,16 de Abril de 2014
Glorioso São José : Santíssimo Pai de Jesus e Esposo de Maria
16/04/2014
Is 50,4-9 Sal 69,8-10; 21-22; 31; 33-34 Mt 26,14-25
VENHA A JESUS
"Judas Iscariotes foi ter com os príncipes dos sacerdotes." (Mt 26,14)
Judas estava acostumado a ser amigo íntimo de Jesus e ter acesso privilegiado a ele. No entanto, durante a semana mais importante na vida de ambos (Judas e Jesus), Judas dialogou com os príncipes dos sacerdotes, e não com Jesus. Judas procurou os principais sacerdotes pois os achava como uma "autoridade" maior do que Jesus, e entregou a sua lealdade aos príncipes dos sacerdotes em vez de Jesus, o Senhor do universo.
Adão e Eva estavam acostumados a serem amigos íntimos de Deus no jardim de Éden. Eles tiveram acesso privilegiado ao Senhor. No entanto, Adão e Eva no jardim dialogaram com a serpente (Satanás), em vez de dialogarem com Deus. Eles aceitaram a "autoridade" de Satanás sobre a árvore da vida, em vez de Deus.
Nesta, que é a mais santa das semanas, devemos aprender com os erros de Adão, Eva, Judas, e um grande número de pessoas ao longo dos séculos. Quando se trata da Paixão de Cristo, você está com Jesus ou contra Jesus (Lc 11,23). Dê ao Senhor a lealdade absoluta sobre o seu coração e língua. Entregue a sua simpatia Jesus (Sl 69,21). Dialogue com Deus, e não as forças que se opõem a ele. Jesus diz a cada um de nós: "Vinde a mim" (Mt 11,28) .
Oração: Pai, sê o Senhor do meu coração e da minha lealdade. "Mantem-me fiel ao Teu ensino e que nunca me separe de ti."
Promessa: "O Senhor Deus é a minha ajuda, e não serei desonrado." (Is 50,7)
Louvor: Louvor a Ti, Senhor Jesus, pelo Teu constante e infalível amor por mim e por todas as pessoas. Eu Te adoro Senhor.
16/04/2014
Is 50,4-9 Sal 69,8-10; 21-22; 31; 33-34 Mt 26,14-25
VENHA A JESUS
"Judas Iscariotes foi ter com os príncipes dos sacerdotes." (Mt 26,14)
Judas estava acostumado a ser amigo íntimo de Jesus e ter acesso privilegiado a ele. No entanto, durante a semana mais importante na vida de ambos (Judas e Jesus), Judas dialogou com os príncipes dos sacerdotes, e não com Jesus. Judas procurou os principais sacerdotes pois os achava como uma "autoridade" maior do que Jesus, e entregou a sua lealdade aos príncipes dos sacerdotes em vez de Jesus, o Senhor do universo.
Adão e Eva estavam acostumados a serem amigos íntimos de Deus no jardim de Éden. Eles tiveram acesso privilegiado ao Senhor. No entanto, Adão e Eva no jardim dialogaram com a serpente (Satanás), em vez de dialogarem com Deus. Eles aceitaram a "autoridade" de Satanás sobre a árvore da vida, em vez de Deus.
Nesta, que é a mais santa das semanas, devemos aprender com os erros de Adão, Eva, Judas, e um grande número de pessoas ao longo dos séculos. Quando se trata da Paixão de Cristo, você está com Jesus ou contra Jesus (Lc 11,23). Dê ao Senhor a lealdade absoluta sobre o seu coração e língua. Entregue a sua simpatia Jesus (Sl 69,21). Dialogue com Deus, e não as forças que se opõem a ele. Jesus diz a cada um de nós: "Vinde a mim" (Mt 11,28) .
Oração: Pai, sê o Senhor do meu coração e da minha lealdade. "Mantem-me fiel ao Teu ensino e que nunca me separe de ti."
Promessa: "O Senhor Deus é a minha ajuda, e não serei desonrado." (Is 50,7)
Louvor: Louvor a Ti, Senhor Jesus, pelo Teu constante e infalível amor por mim e por todas as pessoas. Eu Te adoro Senhor.
A Tanzânia precisa de comida e não de contraceptivos | ZENIT - O mundo visto de Roma
A Tanzânia precisa de comida e não de contraceptivos | ZENIT - O mundo visto de Roma
A Tanzânia precisa de comida e não de contraceptivos
O Population Research Institute denuncia que os Estados Unidos investem em controle demográfico contra a vontade das mulheres e ignorando os problemas reais
Roma, (Zenit.org) Redacao | 110 visitas
Um país como a Tanzânia é ameaçado por muitos problemas, mas a superpopulação não é um deles. O revela um estudo do Population Research Institute, que demonstra como o Usaid (a agência federal dos EUA responsável pela ajuda estrangeira) está adotando uma política de intervenção no país Africano totalmente alienada dos problemas reais.
O Population Research Institute denuncia que o Usaid gasta somente 20 centavos na nutrição para cada dólar gasto na contracepção, diante de um 16% de crianças menores de cinco anos na Tanzânia que estão abaixo do peso. E ainda, no País, uma criança em nove morre antes do seu quinto aniversário e uma mulher em vinte e três corre o risco de morrer durante o parto; No entanto, a USAID - a controvérsia do Pri - gasta apenas 36 centavos na saúde materna e infantil para cada dólar gasto em contracepção. Além disso, destaca ainda o centro de pesquisa, em um País onde apenas o 12% da população tem acesso a instalações sanitárias decentes, apenas 23 centavos são gastos pelos Estados-Unidos em matéria de água e serviços de saneamento para cada dólar investido para o controle da população.
"Talvez – lê-se em uma passagem do artigo publicado pela Population Research Institute – o Usaid poderia justificar estes gastos se o povo da Tanzânia pedisse maiores intervenções para a contracepção. Mas não é assim”. Em um dos Países mais pobres do mundo (o PIB per capita é de 1.700 dólares por ano), não se entende o motivo de gastar tanto em contracepção com relação ao que é gasto “para a saúde materna, a saúde das crianças, a água, a higiene, a nutrição, e o cuidado das doenças”. Especialmente, nota o Pri, as mulheres da Tanzânia demonstram que querem continuar a colocar filhos no mundo, com uma taxa de fertilidade de 5,4 e com uma estatística que diz que pelo menos a metade das mulheres da Tanzânia que já tem cinco filhos gostariam de ter mais ainda.
E destaca, além do mais, que mais de 50% das mulheres casadas e mais de 60% das solteiras pararam de usar contraceptivos. Destas, apenas 1% o fez pelos custos excessivos, enquanto que todas as outras pararam por uma nova gravidez ou porque não gostavam da forma como o próprio corpo reagia a estas medicinas. Portanto, diz o Population Research Institute, que o 70% das mulheres da Tanzânia suspende o uso dos contraceptivos pagos com as contribuições dos "contribuintes americanos desavisados".
Polemicamente, o Pri conclui dizendo que Barack Obama, “que se define a si mesmo como um anti-imperialista”, estaria mais em sintonia com os desejos do povo africano se decidisse investir para enviar ajudas concretas, mais do que para defender políticas de controle populacional. “Pelo contrário – escreve o Pri – ele até mesmo aumentou um ‘imperialismo reprodutivo’, gastando mais dinheiro do que jamais fora gasto antes para incentivar o aborto, esterilização e contracepção entre os africanos (além de que entre os asiáticos e entre os latino-americanos)”. A próxima vez que quiser se desculpar de algo – sugerem ao presidente dos Estados Unidos o centro de pesquisa – que o faça para as políticas de aborto, esterilização e contracepção para com aqueles que estão chorando porque não têm água potável para beber, comida, e cuidados médicos básicos”.
***
Fonte : http://pop.org/
[Trad.TS]
(15 de Abril de 2014) © Innovative Media Inc.
Homilética: Quinta-feira Santa | ZENIT - O mundo visto de Roma
Homilética: Quinta-feira Santa | ZENIT - O mundo visto de Roma
Homilética: Quinta-feira Santa
Comentário do Pe. Antonio Rivero, L.C. sobre a liturgia
São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 192 visitas
COMENTÁRIO À LITURGIA
QUINTA-FEIRA SANTA
CICLO A
Textos: Êxodo 12, 1-8. 11-14; 1 Coríntios 11, 23-26; João 13, 1-15.
Pe. Antonio Rivero L.C. Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de são Paulo (Brasil).
Ideia principal: Dia do Amor feito entrega e presentes.
Resumo da mensagem: na primeira Páscoa cristã, Deus Pai por amor nos entregagenerosamente o seu Filho-Cordeiro imaculado e imolado para a nossa salvação (primeira leitura). Jesus por amor nos entrega o sacerdócio, a Eucaristia e o mandamento do amor (evangelho e segunda leitura). Somente precisamos de mãos e coração para receber estes presentes maravilhosos, agradecer com amor e corresponder com a nossa entrega.
Pontos da ideia principal:
Em primeiro lugar, nesta Santa Missa Vespertina da Ceia do Senhor a Igreja comemora aqueles momentos nos quais Cristo nos deu as máximas provas do seu amor, oferecendo a sua vida por nós. Com esta celebração começa o solene Tríduo Pascal, onde o mistério infinito do Amor de Deus pela humanidade caída se desprende diante dos nossos olhos e nos convida à gratidão, à adoração, à reparação e à imitação. Este amor se faz entrega e presente: o presente do sacerdócio ministerial, o presente da Eucaristia e o presente do mandamento novo do amor.
Em segundo lugar, o que simbolizam esses três presentes? No lavatório é o amor que se humilha. Na Eucaristia é o amor que se imola, isto é, se partilha, se compartilha e se reparte, perpetuando o sacrifício de Cristo na cruz. No sacerdócio é o amor que se faz visível e se prolonga em homens de carne e osso, aos quais Jesus faz “outros Cristos” para que o representem e se configuram com Ele, que é Cabeça e Pastor.
Finalmente, diante do presente do lavatório e do mandamento do amor, só me resta deixar que Cristo lave os meus pés e a minha consciência e me abaixar para lavar os pés dos meus irmãos com a caridade. Diante do presente da Eucaristia, somente resta agradecer, receber a Eucaristia com um coração limpo e fazer-nos eucaristias vivas para os nossos irmãos, para que a nossa vida seja uma Eucaristia permanente, isto é, uma imolação constante pelos demais, uma presencia consoladora para os demais e um fator de unidade com os demais. Diante do presente do Sacerdócio, somente resta rezar a Deus para que mande santos sacerdotes à sua Igreja que sejam “outros Cristos”.
Para refletir: como estou tratando o mandamento do amor: com delicadeza ou piso esse mandamento com meu egoísmo e soberba? Como vivo a Eucaristia: com fervor, limpeza interior e adoração? Peço a Deus que tenha piedade de nós enviando santas e abundantes vocações ao sacerdócio?
Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:
Qual o significado da Cruz? | Editora Cléofas - Prof. Felipe Aquino
Qual o significado da Cruz? | Editora Cléofas - Prof. Felipe Aquino
“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem” (Mt 24,30). A cruz é o símbolo do cristão, que nos ensina qual é nossa autêntica vocação como seres humanos.
Por que a Cruz?
Categoria: Artigos
Publicado em 14 de abril de 2014
Hoje parecemos assistir ao desaparecimento progressivo do símbolo da cruz. Desaparece das casas dos vivos e das tumbas dos mortos, e desaparece sobretudo do coração de muitos homens e mulheres a quem incomoda contemplar um homem cravado na cruz. Não devemos estranhar isto, pois já no início do cristianismo São Paulo falava de falsos irmãos que queriam abolir a cruz: “Pois há muitos dos quais muitas vezes eu vos disse e agora repito, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3, 18).
Uns afirmam que é um símbolo maldito; outros que não houve tal cruz, e que era apenas um mastro; para muitos o Cristo da cruz é um Cristo impotente; há quem ensine que Cristo não morreu na cruz. A cruz é símbolo de humilhação, derrota e morte para todos aqueles que ignoram o poder de Cristo para mudar a humilhação em exaltação, a derrota em vitória, a morte em vida e a cruz em caminho para a luz.
Jesus, sabendo a repulsa que ia produzir a pregação da cruz, “começou a mostrar aos seus discípulos que era necessário que fosse a Jerusalém e sofresse muito…que fosse morto e ressurgisse ao terceiro dia. Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo dizendo: ‘Deus não o permita, Senhor, isto jamais te acontecerá!’ Ele, porém, voltando-se para Pedro, disse: “Afasta-te de mim, Satanás!…porque não pensas as coisas de Deus, mas as dos homens!” (Mt 16, 21-23).
Pedro ignorava o poder de Cristo e não tinha fé na ressurreição, por isso quis apartá-lo do caminho que leva a cruz, mas Cristo lhe ensina que quem se opõe à cruz fica do lado de Satanás.
Satanás, o orgulhoso e soberbo, odeia a cruz, porque Jesus Cristo, humilde e obediente, venceu-o nela, porque “humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz!”, e assim transformou a cruz em vitória: “Por isso Deus o sobrexaltou grandemente e o agraciou com o Nome que é sobre todo o nome” (Fl 2, 8-9).
Algumas pessoas, para nos confundir, perguntam-nos: Você adoraria a faca com que mataram o seu pai?
É obvio que não!
1º. Porque meu pai não tem poder para converter um símbolo de derrota em símbolo de vitória; mas Cristo sim tem poder. Ou você não crê no poder do sangue de Cristo? Se a terra que pisou Jesus é Terra Santa, a cruz banhada com o sangue de Cristo, com mais razão, é Santa Cruz.
2º. Não foi a cruz a que matou Jesus mas os nossos pecados. “Ele foi trespassado por causa das nossas transgressões, esmagado em virtude de nossas iniquidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz caiu sobre Ele, sim, por suas feridas fomos curados”. (Is 53, 5). Como pode ser a cruz um sinal maldito, se nos cura e nos devolve a paz?
3º. A história de Jesus não termina na morte. Quando recordamos a cruz de Cristo, nossa fé e esperança se centram no ressuscitado. Por isso para São Paulo a cruz era motivo de glória (Gl 6, 14).
Ensina-nos os quem somos
A cruz, com seus dois madeiros, ensina-nos quem somos e qual é nossa dignidade: o madeiro horizontal nos mostra o sentido de nosso caminhar, ao qual Jesus Cristo se uniu fazendo-se igual a nós em tudo, exceto no pecado. Somos irmãos do Senhor Jesus, filhos de um mesmo Pai no Espírito! O madeiro que suportou os braços abertos do Senhor nos ensina a amar nossos irmãos como a nós mesmos. E o madeiro vertical nos ensina qual é nosso destino eterno. Não temos morada aqui na terra, caminhamos para a vida eterna. Todos temos uma mesma origem: a Trindade que nos criou por amor. E um destino comum: o céu, a vida eterna. A cruz nos ensina qual é nossa real identidade.
Recorda-nos o Amor Divino
“Pois Deus amou tanto ao mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3, 16). Mas como o entregou? Acaso não foi na cruz? A cruz é a lembrança de quanto amor o Pai tem por nós e do amor maior de Cristo, que deu a vida por seus amigos (Jo 15, 13). O demônio odeia a cruz, porque nos recorda o amor infinito de Jesus. Leia: Gálatas 2, 20.
Sinal de nossa reconciliação
A cruz é sinal de reconciliação com Deus, conosco mesmos, com os humanos e com toda a ordem da criação em meio a um mundo marcado pela ruptura e pela falta de comunhão.
O sinal do cristão
Cristo tem muitos falsos seguidores que o buscam só por seus milagres. Mas Ele não se deixa enganar, (Jo 6, 64); por isso advertiu: “Aquele que não toma sua cruz e me segue não é digno de mim” (Mt 10, 38).
Objeção: A Bíblia diz: “Maldito o que pende do madeiro…”.
Resposta: Os malditos que merecíamos a cruz por nossos pecados éramos nós, mas Cristo, o Bendito, ao banhar com seu sangue a cruz, converteu-a em caminho de salvação.
Contemplar a cruz com fé nos salva
Jesus disse: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, para que todo aquele que crer tenha nele vida eterna” (Jo 3, 14-15). Ao ver a serpente, os feridos de veneno mortal ficavam curados. Ao ver o crucificado, o centurião pagão tornou-se crente; João, o apóstolo que presenciou o fato, converteu-se em testemunha. Leia: João 19, 35-37.
Força de Deus
“Com efeito, a linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder de Deus” (1Cor 1, 18), como foi para o centurião, que reconheceu o poder de Cristo crucificado. Ele vê a cruz e confessa um trono; vê uma coroa de espinhos e reconhece um rei; vê um homem com os pés e mãos cravados e invoca um salvador. Por isso o Senhor ressuscitado não apagou de seu corpo as chagas da cruz, mas mostrou-as como sinal de sua vitória. Leia: João 20, 24-29.
Síntese do Evangelho
São Paulo resumia o Evangelho como a pregação da cruz (1Cor 1,17-18). Por isso o Santo Padre e os grandes missionários pregaram o Evangelho com o crucifixo na mão: “Os judeus pedem sinais e os gregos andam em busca de sabedoria; nós, porém anunciamos Cristo crucificado, que para os judeus é escândalo (porque para eles era um símbolo maldito), para os gentios é loucura (porque para eles era sinal de fracasso), mas para aqueles que são chamados, …, é Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Cor1, 23-24).
Hoje há muitos católicos que, como os discípulos de Emaús, vão-se da Igreja porque acreditam que a cruz é derrota. Jesus sai ao encontro de todos eles e lhes diz: “Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse na sua glória?” Leia: Lucas 24, 25-26. A cruz é, pois, o caminho à glória, o caminho à luz. Quem rechaça a cruz não segue Jesus. Leia: Mateus 16, 24
Nossa razão, dirá João Paulo II, nunca vai poder esgotar o mistério de amor que a cruz representa, mas a cruz pode dar à razão a resposta última que esta procura. São Paulo coloca, não a sabedoria das palavras, mas a Palavra da Sabedoria como critério, simultaneamente, de verdade e de salvação» (JP II,Fides et ratio, 23).
Assinar:
Postagens (Atom)