sábado, 31 de maio de 2008

Folha de S.Paulo - Focados em terra, Beni e Pando votam hoje por autonomia - 01/06/2008

Folha de S.Paulo - Focados em terra, Beni e Pando votam hoje por autonomia - 01/06/2008: "São Paulo, domingo, 01 de junho de 2008


Focados em terra, Beni e Pando votam hoje por autonomia

Referendos em departamentos governados pela oposição a Evo Morales, que seguem o de Santa Cruz, devem agravar crise no país

Vitória do 'sim' daria aos governadores o poder de decidir questão agrária, o que La Paz rechaça; divisões políticas paralisam Bolívia

FABIANO MAISONNAVE
DE CARACAS

Depois de Santa Cruz, outros dois departamentos bolivianos controlados pela oposição desafiam hoje o governo de Evo Morales com referendos autonômicos, tendo como pano de fundo a disputa pelo controle da política agrária.
Assim como fizeram os cruzenhos há pouco menos de um mês, os eleitores dos departamentos amazônicos de Pando e Beni, no norte do país e fronteiriços com o Brasil, irão às urnas sem o aval da CNE (Corte Nacional Eleitoral) para aprovar uma espécie de Constituição regional que aumenta os poderes dos governos locais.
Os estatutos autonômicos são a resposta dos governadores oposicionistas à Constituição aprovada em novembro do ano passado pelas forças governistas. A Carta, que ainda precisa passar p"

Folha de S.Paulo - Estudos feitos com embrião são só uma "aposta", diz biólogo - 01/06/2008

Folha de S.Paulo - Estudos feitos com embrião são só uma "aposta", diz biólogo - 01/06/2008: "São Paulo, domingo, 01 de junho de 2008

Estudos feitos com embrião são só uma 'aposta', diz biólogo

Para Stevens Rehen, país tem de seguir tendência mundial de pesquisa em células-tronco, mas sucesso não é certeza

Pesquisadores brasileiros têm de colaborar mais entre si, afirma neurocientista, que critica a 'sonegação de informação científica'

EDUARDO GERAQUE
DA REPORTAGEM LOCAL

Com a anuência do Supremo Tribunal Federal, o Brasil pode agora, enfim, 'apostar' nos estudos com células-tronco embrionárias. Essa é perspectiva para grupos de pesquisa nacionais de biologia molecular, diz o neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Ele é um dos dois pesquisadores que tentam, dentro do país, cultivar células-tronco retiradas de embriões humanos.
Não há certeza ainda, porém, de que elas renderão novas terapias. 'É uma aposta, mas uma aposta fundamentada. E pode ser que todo mundo dê com os burros n'água daqui a alguns anos', disse o pesquisador à Folha. De acordo com Rehen, depois de o Supremo ter validado a Lei de Biossegurança, o que vem"

sábado, 22 de março de 2008

Vida: tesouro precioso

http://www2.correioweb.com.br/cbonline/opiniao/pri_opi_95.htm
22/03/08
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Ives Gandra Martins Filho e Maria de Assis Calsing
Ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST)

O TST tem jurisprudência pacífica quanto à estabilidade no emprego da mulher gestante, garantindo-lhe a permanência no emprego desde o conhecimento da gravidez. O pressuposto à estabilidade é objetivo — a constatação da gravidez. Esse entendimento partiu da interpretação do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que proíbe a dispensa arbitrária desde a confirmação da gravidez. Fixou-se que o desconhecimento do estado gravídico pelo empregador nã o obsta o direito à indenização decorrente da estabilidade, porque, em síntese, o que se visa proteger é a vida do nascituro, a vida que está por vir: garante-se o emprego da mãe para que não haja prejuízo, em princípio, à gestação de um novo ser humano, responsabilidade de toda a sociedade.

Com efeito, a vida é o principal e mais básico dos direitos humanos fundamentais e condição de existência de todos os demais. Se hoje o direito a um meio ambiente saudável tornou-se direito humano fundamental de terceira geração, é porque o descuido nessa matéria compromete a vida humana, direito fundamental de primeira geração e sustentáculo de todos os demais. Sem garantia à vida, tudo o mais é perfumaria. O próprio direito ao trabalho, que se busca garantir desde o início do século 20 como direito fundamental de segunda geração, só tem sentido se garantida a vida ao trabalhador, já que o trabalho é meio de vida, sustento, realização pessoal e serviço à sociedade.

A ciência de monstra que a vida humana surge no momento da concepção, decorrente da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, configurando um novo ser, com seu patrimônio genético próprio. Todos os livros de embriologia ou mesmo de ensino médio são unânimes em afirmar que a vida começa com a fecundação. A fertilização in vitro criou a “realidade heterodoxa” do embrião fora do útero. Entretanto, ironicamente, ela confirma o momento da fecundação como origem do ser humano, dado que inúmeros embriões heterodoxa mente produzidos já nasceram como crianças.

Para o Estado Democrático de Direito não podem existir cidadãos de primeira e de segunda categoria. Se a personalidade humana existe desde a concepção, o fato de o indivíduo não ser ainda nascido não o torna passível de ser utilizado por outros indivíduos.

É tremendamente preocupante, portanto, o uso de células-tronco embrionárias com fins terapêuticos. A par de não ser o melhor método de tratamento de doenças, já que as células-tron co adultas têm se mostrado mais eficazes (basta verificar que o próprio Thomson, iniciador das pesquisas com células-tronco embrionárias, está abandonando essa linha de pesquisa para centrar-se nas células-tronco adultas), representa nitidamente processo de canibalização, incompatível com o estágio de civilização da sociedade moderna. Se a pesquisa com células-tronco adultas se mostra cientificamente mais bem-sucedida e eticamente não reprovável, por que a insistência na liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias? Só se é jogo preliminar da partida principal referente ao aborto.

No clássico Julgamento de Nuremberg (1961), o presidente da Corte Internacional que julgou os principais juízes alemães, juiz Daniel Haywood, no voto final, lembrava que a nação é uma extensão de nós mesmos, não sendo possível separar a ética do Estado da ética aplicável ao indivíduos. No diálogo final entre o juiz Haywood e o juiz alemão condenado Ernest Janning (que redigira a Constitui ção de Weimar de 1919), este diz àquele: Aqueles milhares de pessoas... (falando a respeito dos campos de concentração nazistas). Não podia imaginar que chegaria àquilo. Ao que Haywood responde: Chegou àquilo da primeira vez que condenou um inocente.

Giorgio Agamben, em seu livro Homo sacer: O Poder soberano e a vida nua” (UFMG–2004), tratando das pesquisas científicas no contexto da Segunda Guerra Mundial, alerta para o perigo da vida humana passar a ser um conceito político e não bio lógico.

Nesse contexto, a decisão que ora se encontra nas mãos dos ministros do STF sobre os limites éticos da pesquisa científica não atingirá apenas os cientistas que pretendem trabalhar nesse segmento e nem as pessoas que seriam as prováveis beneficiárias do desenvolvimento desse tipo de pesquisa. Repercutirá na sociedade como um todo, naquilo que nos faz seguir a cada dia quando levantamos e para o qual tanto lutamos, no nosso tesouro mais precioso — a vida, que, como cantou Gonzaguinha, é bonita, é bonita e é bonita... Possa ela continuar sendo assim.

As aparências enganam

São Paulo, sábado, 22 de março de 2008

A turbulência na economia norte-americana está conectada a uma crise sistêmica global?

NÃO

ROBERTO LUIS TROSTER

A COMPARAÇÃO entre o momento atual e o ocorrido em 1929, antecipando uma crise sistêmica global, aflige cada vez mais.
Na ocasião, o PIB americano caiu pela metade e demorou uma década para voltar ao nível de antes da crise. A recessão dos EUA arrastou a economia de outros países, incluindo a nossa.
Há paralelos entre as duas situações que assombram; entretanto, há diferenças básicas que mostram que a possibilidade de um colapso mundial é remota.
Em outubro de 1929, vivia-se uma fase de crescimento prolongado acompanhada de euforia nos mercados financeiros e elevação no preço das commodities, com efeitos positivos nos países produtores de matérias-primas. Subitamente, o clima da Bolsa norte-americana mudou e os preços das ações despencaram. Registrou-se uma destruição de riqueza financeira expressiva. A pressão inflacionária era positiva, então.
É uma descrição que pode aplicar-se "ipsis litteris" aos EUA de agosto de 2007, com dois agravantes. O primeiro é que a perda de riqueza financeira inicial é significantemente maior: atualmente, estão estimadas em US$ 400 bilhões as perdas no mercado de crédito hipotecário e quase o triplo na desvalorização de imóveis, prejuízos da ordem de um décimo do PIB. O segundo fator, piorando o quadro, é que a integração dos mercados é maior nos dias de hoje, facilitando a propagação de uma crise.
As semelhanças preocupam, mas as diferenças mostram que é uma situação estruturalmente diferente. O primeiro motivo é a atuação diametralmente oposta do Fed. Em 1929, o Fed elevou os juros e adotou a política de que o mercado deveria se ajustar sozinho. O resultado foi uma crise bancária sem precedentes. Os depósitos bancários de milhões de famílias e empresas norte-americanas evaporaram. Isso destruiu a capacidade de consumir e investir da economia americana e a afundou na grande depressão da década de 1930.
Na atual turbulência, não se perdeu sequer um centavo em depósitos bancários de famílias, os prejuízos são todos de grandes aplicadores espalhados pelo mundo e há liquidez abundante de petrodólares e reservas de países emergentes para investir.
Ilustrando o ponto, até agora foram injetados cerca de US$ 100 bilhões em aportes de capital a bancos norte-americanos para amortecer as perdas. A atuação do Fed está sendo contundente para estancar os danos: baixou rapidamente os juros, injetou liquidez nos mercados, interferiu ativamente para evitar a quebra do Bear Sterns e criou linhas de empréstimos para que bancos comprem ativos de instituições em dificuldades.
Outra distinção é a estrutura da economia mundial. Na década de 20, os EUA eram o carro-chefe da economia mundial. Por isso, a recessão americana se propagou aos demais países que dependiam de suas importações. Em 2008, embora continuem importantes, perderam peso relativo e há outros pólos de crescimento, como a Europa e os emergentes, notadamente a China. A solvência desses países, incluindo o Brasil, é melhor.
Os sinais da economia americana são dissonantes. Por um lado, os números no setor de construção civil e de inflação preocupam, mas há pontos positivos, como a dinâmica de outros setores da economia, sua velocidade de ajuste e o fato de que as exportações americanas estão crescendo ao dobro da taxa de importações, corrigindo, assim, o déficit externo.
É fato, a economia norte-americana apresenta problemas e se observarão mais ajustes, como a elevação dos juros pelo Fed no futuro próximo.
Entretanto, a parte maior do estrago já está feita. Agora, deve-se dar tempo ao tempo e esperar pela correção dos desequilíbrios e pela absorção das perdas. A má notícia é que o nervosismo vai continuar. As aparências enganam. Não se deve confundir preocupação com recessão. Como também não se deve achar que o Brasil está totalmente imune.
Mas, tanto lá como aqui, a solução está na aplicação de boa política econômica.



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ROBERTO LUIS TROSTER, 57, é doutor em economia pela USP e sócio da Integral Trust. Foi economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), da ABBC e do Banco Itamarati.

robertotroster@uol.com.br

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2203200809.htm

A dupla crise financeira mundial

TENDÊNCIAS/DEBATES

São Paulo, sábado, 22 de março de 2008

A turbulência na economia norte-americana está conectada a uma crise sistêmica global?

SIM

CHARLES TANG

DIARIAMENTE, as manchetes das principais mídias em todo o mundo focalizam a séria crise financeira do "subprime" americano e avaliam o impacto que ela poderá causar nas economias de cada país. Neste mundo globalizado e interconectado, quase sem fronteiras financeiras, problemas locais podem se tornar globais. A seriedade com que o Fed (o banco central dos EUA) tem enfrentado essa turbulência tem dado algum conforto temporário.
A colaboração do Banco Central Europeu, nos volumes praticados, demonstra uma preocupação coletiva com essa crise, cuja grandeza nem fora ainda dimensionada.
Na busca por capital adicional para fazer frente a seus prejuízos, os maiores bancos americanos têm assumido prejuízos de tal magnitude que está ocorrendo uma desnacionalização, já que somente conseguiram se socorrer com investidores estrangeiros.
Enquanto a atenção mundial está focalizada no "subprime", menos atenção está sendo dada a uma desorganização financeira de maior severidade, cujos fundamentos já existem e se aceleram com a crise "subprime".
Desde 1971, quando os EUA se retiraram do padrão ouro estabelecido desde Bretton Woods e criaram o "padrão dólar", a expansão do volume de dólar emitido ficou somente limitada pela confiança que o mundo deposita na economia americana.
Ainda é o dólar a moeda internacional, aquela em que todas as riquezas das nações do mundo estão depositadas e em que a quase totalidade do comércio mundial e das transações financeiras internacionais se fazem.
Porém, a debilidade atual da economia americana e a condução de sua política econômica, o consumo desenfreado, o baixo índice de poupança e o déficit externo gigantesco fazem com que o valor dessa moeda despenque. A queda causa perdas expressivas na maioria das nações, que ainda mantêm as reservas em dólar.
A China viu o yuan valorizado quase 14% nos últimos 14 meses. A perda para o país, com reservas de mais de US$ 1,5 trilhão, é monumental. A moeda brasileira, que mais se valorizou, embora com um volume menor de reservas, teve, proporcionalmente, um prejuízo ainda maior.
A Opep ora debate se continua aceitando o dólar como pagamento. O preço atual exagerado do petróleo embutiu um componente de ajuste pela perda do valor do dólar. Inúmeros países diversificam ou iniciam a diversificação de suas reservas.
O que mais chama a atenção e dá o alerta sobre essa crise em formação é que cidadãos do mundo que guardavam dólares sob seus colchões estão vendendo. Pela primeira vez na história pós-guerra, os americanos acham o mundo muito caro. O turismo mundial, principalmente na zona do euro valorizado, antes lotado de ianques, ora vê pouco desses cidadãos.
Estamos diante da possível desestruturação do sistema financeiro mundial, com o desacoplamento do dólar como moeda internacional e de reserva das nações.
O maior produto de exportação dos EUA tem sido um papel moeda impresso com qualquer valor desejado.
O mundo se inundou com esse produto em muito maior volume do que qualquer commodity ou bem de consumo. Atualmente, a dívida externa americana se aproxima de US$ 4 trilhões, cerca de 30% do seu PIB.
Enquanto o mundo confiava na solidez do "almighty dollar", os EUA podiam imprimir qualquer volume do papelzinho verde. O que acontecerá quando as nações começarem a se portar como os cidadãos e começarem a vender a moeda ora em queda livre? E como elas conseguirão se livrar do dólar em troca de outra reserva sem sofrer prejuízos maiores?
As medidas recém-tomadas pelo Brasil na tentativa de valorizar o dólar são inócuas enquanto nossos juros forem os mais elevados do mundo. O problema do câmbio no Brasil, além da atual situação da economia americana, é a manutenção dos juros brasileiros nos atuais patamares.



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CHARLES TANG, membro do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e membro fundador do Ipede (Instituto de Pesquisa e Estudos de Desenvolvimento Econômico), é presidente binacional da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2203200808.htm

Do PET ao PET

São Paulo, sábado, 22 de março de 2008

A AGÊNCIA NACIONAL de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu incentivo importante para livrar córregos, rios e represas de um grande flagelo, as garrafas PET. Após seis anos de debates, baixou resolução autorizando o uso de recipientes reciclados de tereftalato de polietileno (nome da resina mais conhecida pela abreviação PET) para embalar produtos alimentares, como bebidas. Com isso, pôs um ponto final nas dúvidas sobre a segurança do processo de reciclagem para a saúde humana.
A Anvisa convenceu-se da eficácia de tecnologias para descontaminar as garrafas recolhidas, mesmo que tenham passado por lixões. São processos já autorizados em países com normas sanitárias exigentes, como Alemanha e EUA. Passa a exigir apenas registro do fabricante, procedimentos já aprovados por agências reconhecidas (como a FDA americana), sistema de controle de qualidade, análise de contaminantes e informações no rótulo sobre a origem da resina.
Com essa regulamentação, as quatro empresas que já buscaram autorização na Anvisa poderão empregar a tecnologia "bottle-to-bottle", que permite transformar vasilhames PET de uma determinada cor em garrafas novas do mesmo tipo. Mesmo sem contar com essa possibilidade, o setor alcançou um índice de reciclagem de 51,3% em 2006, último dado disponível na Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet).
Espera-se, com isso, que a indústria de refrigerantes -principal usuária de recipientes PET e portanto origem primária da poluição- invista bastante na reciclagem. Assim será possível livrar nossos cursos d'água das mais de 184 mil toneladas anuais que ainda não são recuperadas. É a melhor maneira de banir da paisagem esse lixo perene, que pode demorar até um século para degradar-se.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2203200802.htm

sábado, 1 de março de 2008

Para cientistas, resultado de clonagem humana é imprevisível

15/03/2001 - 02h32

ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR
da Folha de S.Paulo, em San Francisco

Cientistas de prestígio reagiram com repulsa ao anúncio de que Panayiotis Zavos e Severino Antinori planejam clonar seres humanos em curto prazo.

Um dos mais enfáticos é justamente o pesquisador escocês Ian Wilmut, chefe das pesquisas que levaram, em 1997, ao primeiro mamífero clonado, a ovelha Dolly. Fazer o mesmo com seres humanos, para ele, é "criminosamente irresponsável".

Na semana passada, Wilmut relatou ao jornal norte-americano "The Washington Post" um outro caso de seu laboratório, o de um cordeiro clonado que, desde a fase de embrião, parecia perfeitamente saudável. Mas, quando nasceu, tinha gravíssimos problemas de frequência respiratória. Era malformação das artérias pulmonares. Teve de ser sacrificado.

"E se fosse uma criança? Quem seria responsável? Que tipo de vida ela teria?", perguntou Wilmut.

Pelo menos em tese, a clonagem de um ser humano é tecnicamente simples. Pega-se um óvulo doador e dele se extrai o núcleo (que contém o DNA, armazenador de toda a informação genética).

Esse "espaço vazio" é então preenchido quando se funde a célula "oca" com outra -extraída, por exemplo, de um fragmento da pele da pessoa que se quer clonar. Passando uma corrente elétrica, esse material fundido começa a se multiplicar, dando início à formação de um embrião.

Por isso, o clone tem exatamente o mesmo material genético de um único ser. E não uma mistura do DNA do pai e da mãe, como todos os mamíferos concebidos de modo "convencional".

Fator de risco As consequências do procedimento são imprevisíveis.

"É na praia que se vai reconhecer um ser humano clonado", disse ao "The Washington Post" o cientista Michael West, presidente de uma empresa de alta tecnologia especializada em clones de animais. Ele se refere aos umbigos enormes que todos os animais clonados apresentam, por razões totalmente desconhecidas.

Jon Hill, veterinário da Universidade Cornell, lembrou que vacas clonadas costumam ter a cabeça deformada, como a de um cachorro buldogue.

Numa universidade texana, um bezerro clonado apresentou diabetes juvenil do tipo 1, nunca antes diagnosticada em gado.

Um dos pioneiros da pesquisa em clonagem, Rudolf Jaenisch, expressa indignação.

"Esses animais podem ser sacrificados, mas o que fazer com seres humanos anormais? A simples tentativa de clonar pessoas já é uma ofensa, um crime."

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Endereço da página:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u2959.shtml

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Votos em reais

FILIPE CAMPANTE

Um sistema fundado em contribuições de pessoas físicas propõe uma saída entre a promiscuidade atual e o financiamento público

QUASE 37 MILHÕES de eleitores norte-americanos já se manifestaram, com seus votos durante as prévias, sobre aqueles que pretendem ou pretenderam disputar a Presidência dos EUA. O próximo presidente terá passado pelo crivo desses e de mais muitos outros milhões de cidadãos antes mesmo da eleição propriamente dita. Mais ainda, como salientado em recente reportagem de Fernando Rodrigues nesta Folha ("Pequenas doações batem recorde neste ano", Mundo, 10/2), centenas de milhares de eleitores terão contribuído para o financiamento da campanha que o terá levado à vitória e das dos seus oponentes.
Como poderíamos atingir no Brasil esse nível de envolvimento político, com o saudável fortalecimento da democracia que ele engendra? Como aprofundar a participação dos cidadãos para além do voto obrigatório no dia da eleição?
Uma resposta para esse dilema pode estar exatamente na questão do financiamento de campanha. Trata-se, mais precisamente, da adoção de um sistema baseado em contribuições individuais. É sabido que o custo das campanhas eleitorais no Brasil tem alcançado níveis antes inimagináveis -que o digam os mais de R$ 80 milhões gastos na campanha do presidente Lula em 2006. Esse custo tem sido em larga medida coberto por doações de empresas, o que por sua vez dá origem a muita discussão sobre como conter a influência excessiva desses financiadores e a promiscuidade que disso resulta. Infelizmente, essa discussão -quando não descambando em soluções apressadas e de cunho autoritário, como a proibição de certos tipos de evento de campanha- tem parado no beco sem saída do financiamento público. Afinal de contas, o contribuinte demonstra justificável receio de repassar seus impostos para um sistema sobre o qual ele não exerce qualquer controle direto.
Um sistema fundado em contribuições de pessoas físicas propõe uma saída entre a promiscuidade atual e o financiamento público, ao fazer uso da necessidade de recursos dos partidos para dar-lhes incentivos para mobilizar e responder às preocupações dos cidadãos. Consideremos, por exemplo, o sistema norte-americano, assim simplificado: apenas indivíduos podem doar dinheiro para campanhas, e as empresas limitam-se a organizar "comitês de ação política", com o objetivo de arrecadar doações individuais e repassá-las aos candidatos. A opção de financiamento público existe para estes, mas com o montante de recursos condicionado ao volume que conseguirem obter junto aos cidadãos. Os partidos têm, portanto, um forte incentivo a buscar e mobilizar os doadores individuais -vale dizer, os eleitores-, e os recursos vindos destes mantêm sob controle a influência promíscua das doações de empresas, cuja motivação tende a ser menos transparente do que a do eleitor comum.
É importante notar que não estamos falando de contribuições de milionários. Como há um limite às doações de um indivíduo para cada candidato (atualmente de US$ 2.300 por ciclo eleitoral), a influência de qualquer indivíduo fica também limitada.
O caso dos EUA mostra que muitas das doações são de apenas um punhado de dólares, e a campanha de Barack Obama prova que pode ser vantajoso montar uma base ampla de pequenos doadores, fornecendo recursos ao longo de meses sem atingir o teto individual. Tendo isso em mente, é mais fácil dirimir um eventual ceticismo em relação à implementação de um sistema de doações individuais no Brasil, baseado no fato de que o eleitor brasileiro típico, com menos dinheiro à disposição do que o norte-americano, teria menos recursos a despender em política.
É claro que o desenho do sistema teria de considerar a questão da transparência, exigindo a divulgação das doações e combatendo o caixa dois, mas é difícil imaginar que ele não seria muito mais transparente do que o atual. Com efeito, partidos obrigados a buscar recursos junto aos eleitores poderiam até mesmo ser forçados a reformular mais profundamente o sistema vigente, no qual tipicamente as pessoas cujas vozes são ouvidas no processo pré-eleitoral de um partido podem facilmente ser reunidas no apartamento de algum figurão da liderança, e o número de indivíduos envolvidos com o financiamento das campanhas não chega a cinco dígitos.



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FILIPE CAMPANTE, 29, doutor em economia pela Universidade Harvard (EUA), é professor de políticas públicas na Escola de Governo John F. Kennedy de Harvard.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A pílula de efeito retroativo

(descoberta uma pílula capaz de mudar o passado)

O que passou, passou. Não se pode mudar o passado. Pode-se sim, tentar evitar os efeitos do passado. Aquele que furtou nunca poderá negar o furto que praticou. Mas poderá – e deverá – reparar o efeito do furto, devolvendo ao dono o objeto furtado. Uma ofensa praticada nunca deixará de ter sido uma ofensa. Mas seu efeito poderá ser reparado mediante um pedido de perdão. Se alguém comprou um produto com defeito, poderá desfazer o negócio; mas não poderá mudar o fato de que um dia comprou aquela mercadoria defeituosa.

Da mesma maneira, se uma mulher concebeu, sempre será verdade que ela concebeu. Ainda que no dia seguinte ela provoque um aborto, de modo a livrar-se do efeito da concepção (a criança concebida), ela não poderá mudar o passado. Ou poderá?

Segundo alguns laboratórios farmacêuticos e segundo o próprio Ministério da Saúde, o passado pode ser mudado. Suponhamos que o ato sexual tenha ocorrido hoje.

“Pesquisas de laboratório demonstraram que o esperma pode chegar ao interior das trompas de Falópio, onde acontece a fecundação, depois de cinco minutos da relação [...]. Algumas pesquisas até demonstraram que, com a ajuda das contrações uterinas, o transporte dos espermatozóides ao interior das trompas, já por si rápido, pode durar até um só minuto”[1].

Suponhamos que a mulher esteja em seu período fértil, de modo que tenha havido o encontro entre o óvulo e o espermatozóide, do qual resultou um novo ente humano, uma criança com o tamanho de apenas uma célula, denominada ovo ou zigoto. Esta criança ainda não está no útero. Está na trompa de Falópio, mas será conduzida até o útero, onde se fixará. O processo de implantação (ou nidação) da criança no útero começa no sexto dia de vida e se completa por volta do 12º dia. Nesta fase, a criança já é constituída de várias células, dispostas em uma estrutura denominada blástula ou blastocisto.

Continuemos a nossa estória. No dia seguinte após o ato sexual, a mulher que já concebeu, toma uma pílula. Essa pílula, conhecida como “pílula do dia seguinte”, contém uma dose muito grande de hormônios sintéticos. Que faz essa pílula? Causa um aborto? “De maneira alguma!” – diz o Ministério da Saúde. “Ela não é abortiva! É um anticoncepcional de emergência! Ela apenas impede a concepção”. Mas a concepção já não ocorreu no dia anterior? Sim, mas essa pílula tem um efeito retroativo: ela faz que a concepção – que já ocorreu – deixe de ter ocorrido. Ela faz que a mulher, que já concebeu, nunca tenha concebido. Ela é capaz de alterar o passado. Incrível, não? Costuma-se dizer, jocosamente, que o cúmulo da rapidez é trancar a gaveta e colocar a chave dentro dela. A rapidez a que se refere essa anedota é semelhante à da “anticoncepção de emergência” (AE) da pílula do dia seguinte. O efeito deixa de ser posterior à causa. A causa passa a produzir um efeito anterior a ela!

Ação abortiva da “pílula do dia seguinte”

A chamada "pílula do dia seguinte" é "um preparado a base de hormônios (pode conter estrogênio, estrogênio/progestogênio ou somente progestogênio) que, dentro de e não mais do que 72 horas após um ato sexual presumivelmente fértil, tem uma função predominantemente ‘anti-implantação’, isto é, impede que um possível ovo fertilizado (que é um embrião humano), agora no estágio de blástula de seu desenvolvimento (cinco a seis dias depois da fertilização) seja implantado na parede uterina por um processo de alteração da própria parede. O resultado final será assim a expulsão e a perda desse embrião"[2].

O discurso do fabricante em 2001

O mecanismo de ação descrito acima era confirmado pela própria Aché, que no Brasil, desde a publicação da Portaria n.º 204, de 11 de março de 1999, da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) comercializa a droga sob o nome de Postinor-2. O parágrafo a seguir foi transcrito do próprio sítio da Internet em 2001[3]:

"Como funciona o método de contracepção de emergência Postinor-2?
Se você tomar o primeiro comprimido de Postinor-2 até 72 horas após ocorrer uma relação sexual desprotegida ele vai impedir ou retardar a liberação do óvulo do ovário, impossibilitando a fecundação ou, ainda, impedirá a fixação do óvulo fecundado no interior do útero (a nidação), através da desestruturação do endométrio (parede interna do útero)." (grifo nosso)

O fato que o próprio laboratório fabricante admitia é este: a pílula impede que o ente humano concebido na trompa venha a se implantar no útero. Ora, a causação da morte de um bebê dentro do organismo materno é um aborto. A conclusão óbvia, que ninguém poderia negar, é que a chamada "pílula do dia seguinte" é abortiva. Isso, porém, o fabricante negava, no parágrafo seguinte ao citado anteriormente:

"O método da contracepção é abortivo?
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a gravidez só tem início após a implantação do ovo no útero, quando Postinor-2 não tem mais efeito. Portanto, Postinor-2 não é abortivo."

Vê-se o malabarismo verbal usado para ocultar o aborto. Segundo a Aché, o aborto só poderia haver após o início da gravidez. E como a gravidez — diz a Aché — só começa quando a criança se implantou no útero, não haveria problema em matar a criança concebida, mas ainda não implantada na parede uterina. Tal morte não seria um aborto. Algumas perguntas, porém, ficavam sem resposta: 1) Que diferença faz matar um bebê com poucos dias de vida (ainda no estágio de blástula ou blastocisto) e matar um bebê já fixado no útero, digamos, já com algumas semanas de vida? 2) Baseado em que motivo pode-se dizer que a gravidez começa apenas com a implantação, e não com a fertilização do óvulo pelo espermatozóide?

Etimologicamente, "gravidez" vem do latim "gravis", que significa pesado. A mulher grávida seria aquela que carrega dentro de si um "peso": um bebê por nascer. Um sinônimo de gravidez é "gestação", que vem do latim "gestare", que significa “levar, transportar”. A mulher gestante é aquela que está “carregando” um bebê por nascer.

Não importa que o não nascido esteja na trompa, no útero ou em outro lugar. O que importa é que ele está dentro de sua mãe. Após a implantação (ou nidação), a criança cria uma "rede" de comunicação com a mãe, que inclui a placenta e o cordão umbilical. Mas antes de se implantar, de onde a criança retira seu alimento? Do lugar onde está, é óbvio. Se ainda está na trompa, é lá que ela vai-se alimentar, a fim de desenvolver-se e tornar-se apta a criar sua "casinha" no útero. Portanto, a mãe já é fornecedora de alimentos desde a concepção, que se dá no terço distal da trompa. Não faz sentido dizer que a gestação começa apenas após a implantação. Citemos novamente a Pontifícia Academia para a Vida:

"A gravidez, de fato, começa com a fertilização e não com a implantação do blastocisto na parede uterina, que é o que tem sido implicitamente sugerido."

O discurso do fabricante hoje

Talvez o reconhecimento da fragilidade da argumentação acima tenha feito com que os defensores da “pílula do dia seguinte” mudassem de discurso. Em 2001,a bula de Postinor-2, admitia o efeito abortivo, embora sem usar esse nome:



“Acredita-se que Postinor-2 age para prevenir a ovulação, a fertilização e a implantação. Não é eficaz uma vez iniciado o processo de implantação.
Os seguintes sítios de ação participam da ação contraceptiva do Postinor-2:
(1) eixo hipotalâmico-pituitário-ovariano;
(2) inibição da ovulação dependendo do horário e da frequência de ingestão;
(3) fator endometrial (inibição direta da implantação ou efeito direto sobre a blástula)...” [os grifos são nossos].

Agora, a bula de Postinor-2 garante que a pílula não impede que a criança concebida venha a se implantar na parede uterina (endométrio):



“Assim sua ação pode se dar: pela inibição ou retardo da ovulação; por dificultar o ingresso do espermatozóide no útero; por alterar a passagem do óvulo ou espermatozóide pela tuba uterina. Se já tiver ocorrido a fecundação, ou seja, a união do espermatozóide com o óvulo formando o ovo, a medicação não mais agiria, por não apresentar ação no endométrio”.[4]



Portanto, uma droga que em 2001 era abortiva, agora não seria mais. O mesmo diz hoje o Ministério da Saúde: “Não existe nenhuma sustentação científica para afirmar que AE seja um método que resulte em aborto, nem mesmo em um percentual pequeno de casos. As pesquisas asseguram que os mecanismos de ação da AE evitam ou retardam a ovulação, ou impedem a migração dos espermatozóides. Não há encontro entre os gametas masculino e feminino e, portanto, não ocorre a fecundação”.[5]

Mas a emenda ficou pior do que o soneto. Pois, se esse fármaco tão-somente impede a fecundação, por que ele é usado depois de um ato sexual, em um intervalo de tempo que pode ir até três dias, (ou até cinco dias, segundo o Ministério da Saúde)?

Um efeito acidental

Descartando a hipótese de uma influência sobre o passado, haveria alguma chance de essa pílula funcionar como anticoncepcional? Haveria, mas só acidentalmente. Um relógio de pulso – que é fabricado para mostrar as horas – pode, acidentalmente proteger um cidadão contra uma bala perdida. A pílula do dia seguinte, feita para provocar um aborto, poderia, por acidente, impedir a concepção.

Imaginemos o seguinte caso: o ato sexual ocorreu hoje; mas a mulher iria ovular amanhã. Amanhã, portanto, haveria o encontro do óvulo recém-produzido com algum espermatozóide do dia anterior. A dose enorme de hormônios dessa pílula, poderia então impedir que o óvulo fosse produzido, e atuar assim como anticoncepcional. Esse efeito acidental não explica, porém, o alto Índice de Efetividade da droga. Segundo o Ministério da Saúde, “a AE apresenta, em média, Índice de Efetividade de 75%. Significa dizer que ela pode evitar 3 de cada 4 gestações que ocorreriam após uma relação sexual desprotegida.”[6]. Uma efetividade tão grande só se explica pela ação fundamentalmente abortiva dessa pílula. Convém lembrar que tal aborto é assintomático, isto é, não é percebido pela mulher, assim como ocorre com as usuárias do DIU (dispositivo intra-uterino) e de outros abortivos que impedem a nidação.

Uma atitude corajosa e pioneira

No dia 24 de janeiro de 2008, o arcebispo de Recife e Olinda, Dom José Cardoso Sobrinho, anunciou que iria ajuizar uma ação judicial para tentar evitar que a Prefeitura de Recife distribuísse a “pílula do dia seguinte” na cidade durante o Carnaval deste ano.[7] A ação civil pública foi ajuizada pela Associação de Defesa dos Usuários de Seguros e Sistema de Saúde (Aduseps). Lamentavelmente, no dia 30 de janeiro, o juiz José Viana Ulisses Filho, da 7ª Vara da Fazenda Pública da capital (mas respondendo também pela 6ª vara, onde tramita o processo n.º 001.2008.003792-6) negou o pedido liminar de suspensão da oferta da droga, alegando não haver provas suficientes de que ela é abortiva.[8]

A atitude de Dom José Cardoso Sobrinho deve, não só ser aplaudida, mas imitada. Ao que se sabe, esta é a primeira vez que alguém no Brasil recorre ao Judiciário contra a “pílula do dia seguinte”. Em outros países latino-americanos, como Argentina e Chile, essa medida já foi tomada há muitos anos pelos defensores da vida. Não podemos desistir. Sempre há a esperança de que o processo venha a cair nas mãos de um juiz que não admita que uma pílula possa mudar o passado...

Roma, 20 de fevereiro de 2008.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis

[1] WILKS, John. Contracepção pré-implantatória e de emergência. In: PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA. Lexicon: termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas. São Paulo: Escolas Profissionais Salesianas, 2007, p. 138.

[2] Pontifícia Academia para a Vida - Declaração sobre a chamada ‘pílula do dia seguinte’ - Cidade do Vaticano, 31 de outubro de 2000.

[3] Disponível em http://www.postinor2.com.br. Acesso em 28/04/2001.

[4] Disponível em: Acesso em: 10 fev. 2008. Os grifos são nossos.

[5] BRASIL. Ministério da Saúde. Anticoncepção de Emergência. 28 jan. 2008. Elaboração: Jefferson Drezett. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/artigo_anticoncepcao_emergencia_2008.pdf Acesso em: 09 fev. 2008.

[6] Loc. cit.

[7] Cf. GUIBU, Fábio. Igreja promete entrar na Justiça contra pílula do dia seguinte em PE. Folha on-line, São Paulo, SP, 24 jan. 2008, 23h28. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u366812.shtml

[8] Cf. BRENDLER, Adriana. TJ-PE nega pedido de suspensão da oferta de pílula do dia seguinte no carnaval. Agência Brasil, Brasília, DF, 30 jan. 2008. Disponível em: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/01/30/materia.2008-01-30.7990285403/view

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Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900
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"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Arcebispo de San Antonio diante da reunião de Hillary Clinton em uma Universidade Católica


SAN ANTONIO, quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos a declaração que Dom José H. Gómez, arcebispo de San Antonio (Texas), emitiu, com o apoio de seus bispos auxiliares, em resposta à presença da senadora Hillary Clinton, candidata à presidência dos Estados Unidos, na Universidade St. Mary.

* * *

Foi uma surpresa para mim receber a notícia de que a Senadora Hillary Clinton se apresentará na Universidade St. Mary. Não fui informado nem consultado pela universidade antes que decidissem permitir que a Senadora Clinton falasse na universidade. As instituições católicas têm o dever de ensinar e promover os valores católicos em todas as circunstâncias. Isso é especialmente importante quando as pessoas olham para nossas universidades católicas em busca de liderança e clareza sobre os discursos políticos, normalmente complicados e contraditórios.

Todos nós sabemos que o histórico de votação da Senadora Clinton, assim como de alguns dos demais candidatos à presidência, não está em conformidade com os ensinamentos da Igreja Católica no que se refere ao importante tema da vida.

Não é minha intenção dizer às pessoas em quem devem votar. Contudo, exorto os católicos para que entendam os ensinamentos da Igreja de maneira integral no que se refere aos temas públicos de grande importância hoje. Rogo aos professores e à equipe de pastoral da Universidade St. Mary que continuem cumprindo sua responsabilidade de educar seus alunos em sua responsabilidade política, seguindo os ensinamentos da Igreja Católica.

Os bispos católicos dos Estados Unidos, em seu documento de 2004, «Católicos na Vida Política», afirmaram que, nas relações com os candidatos políticos e com aqueles que têm cargos públicos, «a comunidade católica e as instituições católicas não devem honrar aqueles que realizam ações que desafiam nossos princípios morais básicos. Não se deveria dar-lhes prêmios, honras ou reconhecimento algum que pudesse sugerir um apoio a suas ações».

Em uma declaração distribuída pela Universidade St. Mary, lê-se que «como uma universidade católica isenta de impostos, St. Mary não apóia nenhum candidato político ou suas posições com relação a temas específicos, e reconhece as diferenças fundamentais entre as posturas dos candidatos presidenciais e as da Igreja Católica».

Nossas instituições católicas devem promover uma clara compreensão de nossas profundas convicções sobre um tema como o aborto, um ato que a Igreja chama de um «crime abominável» e um tema não-negociável.

Cáritas denuncia que pobreza extrema é principal motor do tráfico de pessoas

Intervém na Iniciativa global de luta contra o tráfico humano

VIENA, quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- A Cáritas afirmou que a pobreza extrema é o principal motor do tráfico de pessoas frente à Iniciativa global de luta contra o tráfico humano, um foro convocado pelo Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Delito (UNODD), que se celebra em Viena de 13 a 15 de fevereiro.

A Cáritas Internacional, a rede de 162 agências católicas nacionais, fez um chamado no encontro «a adotar políticas migratórias e econômicas que reduzam a vulnerabilidade ante o tráfico, e que ao mesmo tempo enfrentem as raízes deste tráfico com uma ação decidida para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio».

«Combater o tráfico significa preservar a dignidade humana, lutar contra a pobreza e promover e defender os direitos humanos. Todos estes elementos se encontram no coração da missão e do trabalho da Cáritas», explica o documento que esta instituição submeteu à assembléia.

O presidente da Cáritas Internacional é o cardeal Oscar Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa.

A Cáritas constata que o tráfico desses seres humanos «criados à imagem de Deus» os reduz a «escravos com atos criminosos que violam os direitos humanos básicos, a dignidade inviolável e a integridade da pessoa humana».

Segundo a organização católica, «o tráfico de seres humanos é alimentado pela pobreza, que com freqüência é agravada pela injustiça e pela falta de oportunidades que fazem que as pessoas sejam vulneráveis aos criminosos».

«Na legítima busca de condições de vida dignas ou de sobrevivência, milhares de pessoas, cada vez mais mulheres, deixam suas comunidades e são atraídas ou presas na escravidão.»

A Cáritas faz um chamado aos «líderes do mundo, em particular aos das nações mais ricas, para que honrem seus compromissos para combater a pobreza e para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio».

«Estas promessas não cumpridas estão gerando desespero e uma desumanizante injustiça, que é o que o tráfico de pessoas e a escravidão significam», conclui a organização.

A iniciativa global das Nações Unidas para o combate do tráfico de pessoas foi concebida para unir forças e coordenar a luta contra este problema, baseando-se nos acordos feitos nas Nações Unidas.

Até hoje, mais de 110 nações assinaram o protocolo para a prevenção, supressão e castigo do tráfico de pessoas, especialmente de mulheres e crianças, que a Convenção de Palermo contempla contra o crime organizado transnacional.

Na conferência, participam também outras realidades católicas, como os salesianos, representados por Dom Meinolf von Spee, encarregado de «Dom Bosco Internacional».

sábado, 9 de fevereiro de 2008

ZENIT


O mundo visto de Roma


Serviço diario - 08 de fevereiro de 2008






SANTA SÉ

Crise da família repercute na Igreja, constata Papa


Testemunho: segredo do catequista, explica Papa


Encontro do Papa com párocos de Roma «para ajudar-nos mutuamente»


Bento XVI celebrará seu aniversário nos Estados Unidos


Dor do Papa pela morte do grão-mestre da Ordem de Malta


Papa a bispos da Costa Rica: «buscar novas maneiras de anunciar Cristo»


Poder destruidor da ideologia de gênero, segundo cardeal Cañizares


MUNDO

Estratégia dos promotores do aborto é minar ação da Igreja, diz bispo


A pessoa é chamada a ser habitação da Trindade, diz médica católica


Desafio aos pais: assumir compromisso de preparar filhos para matrimônio


Nova Fundação das Filhas de São Paulo no Sudão


Metropolita Ieronimos, novo arcebispo de Atenas e toda a Grécia


Gênio Feminino é capacidade de ver com os olhos e com o coração


FLASH

Revista «Communio» dedica edição ao «bem da Família»


ESPIRITUALIDADE

Pregador do Papa: Cristo venceu demônio para libertar-nos


ENTREVISTAS

Ser mulher é uma missão


DOCUMENTAÇÃO

Desafios da Igreja na Costa Rica, segundo Bento XVI




Santa Sé

Crise da família repercute na Igreja, constata Papa

Pede ajudas para combater a precariedade e a violência contra a mulher

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI reconheceu hoje que a crise da família não repercute só na sociedade, mas também na vida eclesial, pedindo a mobilização dos católicos para promover seu bem e sua defesa.

Assim explicou aos bispos da Costa Rica, que concluíam sua qüinqüenal visita ao Papa e a seus colaboradores na Cúria Romana, com quem analisou os desafios que a Igreja deve enfrentar neste país centro-americano de profundas raízes cristãs.

«Certamente vos preocupa uma crescente deterioração da instituição familiar, com graves
repercussões tanto no âmbito social como na vida eclesial», começou constatando o Santo Padre.

A este respeito, assegurou, «é necessário promover o bem da família e defender seus direitos ante as instâncias pertinentes, assim como desenvolver uma atenção pastoral que a proteja e ajude de maneira direta em suas dificuldades».

Neste contexto, o bispo de Roma considerou que «é de máxima importância uma adequada catequese pré-matrimonial, assim como uma proximidade cotidiana que leve alento a cada lar e faça ressoar nele aquela saudação de Jesus: ‘Hoje a salvação chegou a esta casa’ (Lc 19, 9)».

Bento XVI explicou que tampouco «devem se esquecer dos grupos de casais e famílias, para ajudar-se entre si a cumprir sua alta e indispensável
vocação».

Desta forma, pediu que se promovessem «serviços específicos que aliviem situações penosas, produzidas pelo abandono da convivência, pela precariedade econômica e pela violência doméstica, da qual são vítimas sobretudo as mulheres».



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Testemunho: segredo do catequista, explica Papa

Deste modo, o que ensinam não fica em meros conhecimentos

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI explicou hoje que o segredo do bom catequista está no «testemunho pessoal», que acompanha o que ensina com o que vive.

Ao analisar junto aos bispos da Costa Rica como é possível anunciar Cristo numa época de materialismo e de surgimento de novos movimentos religiosos, com freqüência seitas, o Papa se deteve a analisar a importância decisiva dos catequistas, em sua maioria leigos.

«É belíssimo comprovar sua colaboração eficaz para manter e difundir a chama da fé mediante a catequese e a cooperação com as paróquias e as diversas organizações pastorais das
dioceses.»

«Merecem sem dúvida a gratidão, o alento e a atenção constante de seus Pastores, para que recebam sempre e de maneira sistemática uma formação cristã sólida, levando em conta também que são eles os chamados a levar os valores cristãos aos diversos setores da sociedade, ao mundo do trabalho, da convivência civil ou da política», declarou.

Dirigindo-se em particular aos catequistas e animadores das comunidades, recordou-lhes «a exigência de viver segundo mandatos do Senhor e com a experiência viva de ser membros fiéis e ativos da Igreja».

«Este exemplo de vida é necessário para que sua instrução não se reduza a uma mera transmissão de conhecimentos teóricos sobre os mistérios de Deus, mas que conduza a adotar um modo de vida cristão.»

Isso era decisivo já na Igreja antiga, recordou, «quando se examinava no final se os catecúmenos «viveram corretamente seu catecumenato, se honraram as viúvas, se visitaram os enfermos, se fizeram boas obras», disse, citando a «Tradição Apostólica» (Traditio Apostolica), uma das constituições eclesiásticas mais antigas, escrita em torno do ano 215.



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Encontro do Papa com párocos de Roma «para ajudar-nos mutuamente»

Jovens, evangelização e desafio educativo no centro de encontro

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI propôs que a Quaresma seja um tempo de jejum de palavras e imagens, no encontro desta quinta-feira no Vaticano com os párocos da diocese de Roma.

O próprio Papa explicou que este encontro, que acontece todos os anos, estava organizado «para ajudar-nos mutuamente».

E como é habitual nestes casos, o bispo de Roma respondeu espontaneamente às perguntas de seus sacerdotes, segundo informa «L’Osservatore Romano».

Outros dos temas enfrentados foram o diálogo inter-religioso, o serviço da caridade e a perda do sentido do pecado que caracteriza a sociedade.

A quem lhe perguntou como viver o
tempo da Quaresma que começou em 6 de fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas, o Papa respondeu: «Acho que o tempo da Quaresma poderia ser também um tempo de ‘jejum de palavras e imagens’. Por precisamos de um pouco de silêncio, de um espaço, sem o bombardeio permanente das imagens».

«Precisamos criar espaços de silêncio e sem imagens para abrir nosso coração à ‘imagem’ verdadeira, à ‘Palavra’ verdadeira», sublinhou.

O pontífice enfatizou a importância de que os sacerdotes saibam dar testemunho de que «podemos verdadeiramente conhecer Deus. Que podemos ser seus amigos e caminhar com Ele».



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Bento XVI celebrará seu aniversário nos Estados Unidos

Confirmadas as datas da viagem a Washington e Nova York: 15 a 20 de abril

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- As datas da viagem apostólica de Bento XVI aos Estados Unidos foram confirmadas na manhã desta sexta-feira pela Sala de Informação da Santa Sé.

O Papa realizará sua primeira viagem ao país entre 15 e 20 de abril de 2008, datas que coincidem com seu aniversário, em 16 de abril.

A visita é uma resposta ao convite do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para que o Papa visite a sede da ONU em Nova York.

O site oficial criada para esta visita, http://www.uspapalvisit.org, apresenta detalhes sobre o itinerário da
viagem.

Na terça-feira, 15 de abril, o Papa aterrissará na Base das Forças Aéreas Andrews, sendo recebido pelo presidente George W. Bush e sua esposa.

Na manhã da quarta-feira, 16 de abril, o presidente e a primeira-dama receberão o Santo Padre na Casa Branca. Será a segunda vez na história que um pontífice visita a residência presidencial. Ao final da cerimônia de boas-vindas, acontecerá um encontro entre o Papa e o presidente, enquanto se reunirão ao mesmo tempo os representantes dos Estados Unidos e da Santa Sé.

Na tarde desse mesmo dia, o Papa terá um encontro de oração e uma reunião com os 350 bispos dos Estados Unidos no Santuário Nacional da Imaculada Conceição, de Washington.

Na quinta-feira, 17 de abril, às 10h da manhã, o Papa presidirá a celebração eucarística no
novo estádio dos Nationals, a equipe de beisebol local. Pela primeira vez, o estádio não acolherá uma partida deste esporte. Católicos de todo o país se preparam para participar.

Na tarde desse dia, diretores de mais de 200 universidades e centros universitários, assim como de representantes das 195 dioceses católicas foram convidados para participar de um discurso de Bento XVI sobre a importância da educação católica. A conferência acontecerá na Universidade Católica da América, única instituição universitária do país dirigida pelos bispos.

Pouco depois, o Papa se reunirá com budistas, muçulmanos, sijs, hindus, judeus e representantes de outras religiões no Centro Cultural João Paulo II, que se encontra junto à Universidade Católica da América.

Na manhã da
sexta-feira, 18 de abril, o Papa dirigirá seu discurso às Nações Unidas e pouco depois voará para Nova York.

À tarde, terá um momento de oração com representantes das demais confissões cristãs na Igreja de São José, fundada em Manhattam por católicos alemães.

Para a manhã do sábado, 19 de abril, está prevista uma missa presidida pelo Papa para sacerdotes, diáconos e religiosos na Catedral de São Patrício, na Quinta Avenida.

Na tarde do sábado, 19 de abril, o Papa se reunirá com milhares de jovens e seminaristas no Seminário de São José em Yonkers.

À noite, Bento XVI visitará «Ground Zero», o terreno no qual estavam as Torres Gêmeas derrubadas pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

No domingo, 20 de abril, o Papa
celebrará a missa no estádio dos Yankees, de Nova York.

O avião papal deixará o país na noite desse mesmo dia rumo à Cidade Eterna.



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Dor do Papa pela morte do grão-mestre da Ordem de Malta

Fra Andrew Bertie, «homem de cultura» que se entregou aos mais necessitados

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI manifestou seus pêsames pelo falecimento do fra Andrew Bertie, aos 79 anos de idade, 78º grão-mestre da Soberana Ordem de Malta, ocorrida em 7 de fevereiro.

O Papa transmite seus sentimentos em um telegrama enviado hoje à sede da Ordem, ao Fra Giacomo Dalla Torre del Tiempo di Sanguinetto, superior em vigor até que seja eleito um novo grão-mestre.

Na mensagem, o Papa elogia «a obra deste homem de cultura e seu compromisso generoso no cumprimento de seu elevado encargo, em especial a favor dos mais necessitados, assim como seu amor à Igreja e seu testemunho luminoso dos princípios evangélicos».

Andrew Willoughby Ninian Bertie foi o primeiro cidadão inglês em ser eleito ao cargo de grão-mestre nos 900 anos de história da Ordem.

Nascido em 15 de maio de 1929, ele se instruiu no Ampleforth College, na Christ Church Oxford e na Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres.

Após realizar o serviço militar na Guarda Escocesa, trabalhou como jornalista financeiro na City de Londres, antes de assumir o cargo de catedrático de Línguas Modernas (francês e espanhol) na Worth School, em Sussex.

Admitido na Ordem em 1956, fez os votos religiosos solenes em 1981 e serviu no Conselho Soberano (governo da Ordem) durante os seguintes sete anos, antes de ser eleito grão-mestre em 8 de abril de 1988.

«Sua alteza Andrew Bertie, que falava com fluência cinco idiomas, supervisionou numerosas mudanças na Ordem de Malta, instaurando uma visão
moderna nos programas humanitários da Ordem, aumentando o número de membros e ampliando as possibilidades de ajuda aos pobres e os necessitados de regiões remotas», constata um comunicado emitido pela ordem.

«Aumentou de 49 a 100 o número de missões diplomáticas bilaterais da Ordem, cujo delicado mandato é oferecer assistência a países atingidos por desastres naturais ou conflitos civis», afirmou.

A Soberana Ordem Militar e Hospitalar de São João de Jerusalém, de Rodas e de Malta, mais conhecida como a Soberana Ordem de Malta, tem um caráter duplo: é uma das mais antigas ordens religiosas católicas, sendo fundada em Jerusalém por volta do ano 1099 (celebrou o nono centenário de sua fundação oficial em 1999); ao mesmo tempo, sempre foi reconhecida pelas nações como um ente independente de Direito
Internacional.

Entre os doutoradoshonoris causa que se atribuem a ele, encontra-se o de Medicina e Cirurgia da Universidade de Bolonha (1992); Jurisprudência da Universidade de Malta (1993); Humanidades da Universidade de Santo Domingo (1995), Universidade Católica Boliviana San Pablo, Bolívia (2002); e Direito na Universidade St. John’s, Minnesota (2003).

A missão da Ordem está definida em seu lema, «Tuitio Fidei et Obsequium Pauperum», a defesa da Fé e o serviço aos pobres.

A Ordem dirige numerosos hospitais, centros médicos, ambulatórios, estruturas especializadas para responder a emergências humanitárias em 120 países.

Atualmente está composta por 12.500 membros e por 80.000 voluntários permanentes, assistidos por 13.000 médicos, enfermeiros e pessoal de saúde.

A Ordem teve de
converter-se em militar para proteger os peregrinos e enfermos e para defender os territórios cristãos na Terra Santa. Depois da perda de Malta (1798), a ordem deixou de exercer esta função.

Mais informação em http://www.orderofmalta.org



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Papa a bispos da Costa Rica: «buscar novas maneiras de anunciar Cristo»

Ante o avanço do materialismo e das seitas

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Ante as grandes mudanças que a Costa Rica vive, com as quais avançam o materialismo e as seitas, Bento XVI alentou hoje seus bispos a buscar novas maneiras de anunciar Cristo.

Foi uma das mensagens centrais que deixou aos prelados dessa Conferência Episcopal, que cumpriam com sua visita «ad limina apostolorum», no discurso que dirigiu em resposta às palavras do presidente dessa Conferência Episcopal, o arcebispo José Francisco Ulloa Rojas.

Antes da visita, o prelado havia revelado como a secularização e o materialismo «estão minando silenciosamente os princípios cristãos e os valores morais» que
caracterizaram este país.

Em suas palavras em espanhol, o bispo de Roma explicou aos pastores costarriquenhos que «tendes ante vós a tarefa de buscar novas maneiras de anunciar Cristo no meio de uma situação de rápidas e com freqüência profundas transformações, acentuando o caráter missionário de toda atividade pastoral».

Neste sentido, recordou que a recente Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, celebrada no mês de maio em Aparecida, «destacou como acolher e tornar própria a mensagem do Evangelho é algo que corresponde a cada pessoa e cada geração, nas diversas circunstâncias e etapas de sua vida».

«O povo costarriquenho precisa revitalizar constantemente suas antigas e profundas raízes cristãs, sua vigorosa religiosidade popular e sua entranhável piedade mariana, para que
dê frutos de uma vida digna dos discípulos de Jesus», afirmou o Papa depois de ter recebido pessoalmente aos bispos e de ter lido seus informes sobre a situação das dioceses.

Esta vida, declarou, é «alimentada pela oração e pelos sacramentos, de uma coerência da existência cotidiana com a fé professada e de um compromisso de participar ativamente na missão de «abrir-nos nós mesmos e o mundo ao ingresso de Deus: da verdade, do amor e do bem».

O Papa constatou «os riscos de uma vida de fé lânguida e superficial quando se enfrenta o proselitismo das seitas e grupos pseudo-religioso, a multidão de promessas de um bem-estar fácil e imediato, mas que terminam no desengano e na desilusão, ou na difusão de ideologias que, proclamando exaltar o ser humano, na verdade o banalizam».

Em uma situação como
esta, explicou, «adquire um inestimável valor o anúncio da grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões e que é Deus – o Deus que nos amou, e que continua nos amando».

Trata-se não só de uma missão dos religiosos, mas também dos leigos.

«É belíssimo comprovar sua colaboração eficaz para manter e difundir a chama da fé mediante a catequese e a cooperação com as paróquias e as diversas organizações pastorais das dioceses», reconheceu.

«São eles os chamados a levar os valores cristãos aos diversos setores da sociedade, ao mundo do trabalho, da convivência civil ou da política», recordou.

Dos mais de quatro milhões de habitantes da Costa Rica, segundo algumas fontes, 76,3% da população é católica; 13,7%
pertence a denominações evangélicas, enquanto começam a ser estatisticamente importante grupos como as Testemunhas de Jeová, que constituem 1,3%.



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Poder destruidor da ideologia de gênero, segundo cardeal Cañizares

Intervenção no Congresso Internacional do dicastério para os Leigos

Por Marta Lago

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- «Revolução cultural em todos os âmbitos», mais insidiosa e destruidora do que se possa pensar: esta é a trajetória da ideologia de gênero, sobre a qual alerta o cardeal Antonio Cañizares na reflexão internacional que o Conselho Pontifício para os Leigos promove.

Roma acolhe, de quinta-feira a sábado, participantes de 50 países dos cinco continentes em um Congresso, «Mulher e homem, a totalidade dohumanum», pelo XX aniversário da carta apostólica «Mulieris dignitatem», o primeiro documento pontifício dedicado inteiramente à mulher.

Desde o texto de João Paulo II, o cardeal primaz da Espanha, na primeira intervenção do encontro, fez um balanço e traçou perspectivas que alertam sobre o respeito à verdade da pessoa – homem e mulher.

«Mulieris dignitatem» é mais atual que nunca porque nesta carta o Papa expressa «a verdade do homem, que é homem e mulher, e indica seus princípios antropológicos» – sintetizou o cardeal Cañizares a Zenit. E neste momento, uma revolução de gênero no fundo está questionando essa verdade do homem, inseparável, por outra parte, de Deus».

Chave no texto pontifício
é que «o homem é criado por Deus, está constituído com uma verdade, uma humanidade única diferenciada, homem-mulher», acrescentou o purpurado.

Tal «diferença leva à unidade, à comunhão; não pode haver domínio de um sobre o outro, mas com relação à dignidade de ambos em sua singularidade e irrepetibilidade», sublinhou.

Na ideologia de gênero, a sexualidade não se aceita «propriamente como constitutiva do homem» – recordou –, mas «o ser humano seria o resultado do desejo da escolha», de maneira que, «seja qual for seu sexo físico», a pessoa – seja mulher ou homem – «poderia escolher seu gênero» e modificar sua opção quando quiser: homossexualidade, heterossexualidade, transexualismo, etc.

Adverte que «a mudança cultural e
social que o fenômeno leva é de grande alcance», dado que para esta ideologia «não existe natureza, não existe verdade do homem, só liberdade onímoda».

Nesta revolução cultural, «o nexo indivíduo-família-sociedade se perde e a pessoa se reduz a indivíduo» e se constata, portanto, «o questionamento radical da família e de sua verdade – o matrimônio entre um homem e uma mulher aberto à vida – e de toda a sociedade», afirma.

«Ser homem» e «ser mulher» são realidades «queridas por Deus»: «em sua igualdade e em sua diferença, um e outro têm uma comum dignidade», aspecto que o cardeal Cañizares enfatizou de forma especial.

A carta de João Paulo II – «Mulieris dignitatem» – enfatizou que homem e mulher «são
criados como pessoas à imagem de Deus Amor para viver em comunhão»; daí sua reciprocidade e daí que a pessoa esteja chamada também a existir para os demais, convertendo-se em um dom.

A conseqüência é de extrema importância, porque assim, na família «os filhos se encontram no solo de uma realidade sólida e percebem que viver é uma possibilidade gozosa e uma graça – aponta; não uma desgraça ou um azarado destino».



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Mundo

Estratégia dos promotores do aborto é minar ação da Igreja, diz bispo

Dom Carmo Rhoden abriu os trabalhos do Congresso em Defesa da Vida, em Aparecida

Por Alexandre Ribeiro

APARECIDA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Na conferência inaugural do 1º Congresso Internacional em Defesa da Vida, essa quinta-feira, no Santuário de Aparecida, o bispo de Taubaté (São Paulo), Dom Carmo Rhoden, afirmou que uma das estratégias dos promotores do aborto é minar a ação da Igreja Católica.

Diante disso, o bispo convidou os fiéis a defenderem a vida não apenas instintivamente, mas também cristãmente.

Segundo o prelado, a Igreja é por natureza promotora da vida plena, ao dar seguimento
ao mandato de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida» e «vida em plenitude» (Jo 10, 10).

Dom Carmo afirmou que «nós, Igreja, escolhemos a vida, hasteando sua bandeira», e, para além disso, «pelo discipulado de Cristo, queremos assumi-la com amor».

«Não só a defendemos, mas a cultivamos em todos os níveis, em busca da felicidade, que, teologicamente, tem outro sinônimo, santidade», disse.

O bispo de Taubaté enfatizou que os cristãos devem estar à frente na tarefa da defesa da vida, dando testemunho, pois a Igreja «ama e gera a vida em Cristo».

Segundo o prelado, nos dias de hoje, a defesa da vida se torna «um desafio crescente». Dom Carmo recordou que, a partir dos anos 50, surgiram nos Estados Unidos fundações, como a Rockefeller e a Ford, dedicadas a promover o aborto como parte de
uma grande estratégia de redução populacional.

«São verdadeiras centrais de formação da mentalidade pró-aborto», dotadas de «consistentes ajudas econômicas», disse o bispo, enfatizando que estes organismos internacionais têm como meta alcançar a legalização do aborto em todo o mundo até 2015.

Para conseguir esse objetivo, o bispo destacou que uma das estratégias é «minar a ação da Igreja Católica por todos os meios possíveis».

Diante dessas dificuldades, expressou Dom Carmo, a Igreja «deve reagir de modo mais incisivo e firme», especialmente na América Latina e Caribe, pois «a Igreja não é apenas um exército em defesa da vida, mas uma comunidade profética, amante da vida, que deseja transformar-se sempre mais em uma família formadora de
heróis e de santos».



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A pessoa é chamada a ser habitação da Trindade, diz médica católica

Especialistas pró-vida reúnem-se em Congresso no Brasil

APARECIDA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- «A pessoa é chamada a ser habitação da Trindade. É preciso sim, todos nós, anunciarmos a sacralidade da pessoa humana; vamos assumir isso».

Esse foi o convite lançado esta sexta-feira pela Dra. Elizabeth Kipman Cerqueira --médica ginecologista e especialista em Logoterapia, assessora de Bioética da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)-- no 1º Congresso Internacional em Defesa da Vida, que decorre no Santuário de Aparecida até o próximo domingo.

Segundo a médica, que foi uma das principais responsáveis pela elaboração do texto-base da Campanha da
Fraternidade 2008 da Igreja no Brasil, que discute o tema «Fraternidade e Defesa da Vida», a luta pela vida não é algo que aparece de uma evolução natural da humanidade.

«Parece uma evolução natural da humanidade, mas não é; a evolução natural é a favor da vida, do amor, pois o amor é nossa identidade pessoal, aquilo que nos faz verdadeiramente humanos», disse.

De acordo com Elizabeth Kipmann, toda ação a favor da cultura da morte, como as iniciativas pró-aborto, eutanásia, pesquisa com embriões, entre outras, «é desumana» e colocada «artificialmente», de modo «falso», «com a bandeira da ciência».

Neste momento, afirmou a médica, «é exigida de nós uma firme decisão». «Essa luta exige que sejamos santos»,
enfatizou.

Logo no início da manhã, o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer, havia destacado também a necessidade de uma decisão fundamental a favor da vida, valor inviolável em qualquer estágio.

O cardeal disse acreditar que as reflexões propostas pela Igreja no Brasil no contexto da Campanha da Fraternidade podem contribuir para fortalecer o espírito de não-banalização do valor e do sentido da vida humana.

Já o padre Jairo Grajalles, coordenador da Comissão Arquidiocesana de Brasília em Defesa da Vida, disse que quem luta por esse bem fundamental está no «campo de batalha diante de gigantes poderosos». Mas «a Igreja tem a maior riqueza, que é Cristo», disse.

Sobre o poder dos organismos que promovem o aborto e demais estratégias de controle populacional, Jorge Scala, das
Associações Unidas por um Mundo Melhor, de Córdoba, Argentina, explicou que há «grandes somas de dinheiro» destinadas a esses fins.

Segundo o especialista, as organizações atuam em três frentes: o aborto, a contracepção e a promoção da homossexualidade.

Para atingir os objetivos nessas frentes, há financiamentos de bancos mundiais, que condicionam empréstimos e negociações da dívida externa a cláusulas de controle de natalidade.

Há ainda verbas de agências da ONU que visam ao único objetivo geopolítico de controlar a natalidade no mundo, por meio da atuação nos países pobres.

Por fim, há também verbas de uma série de Fundações, especialmente norte-americanas, européias e japonesas. Jorge Scala citou a Fundação Gates, a
Rochefeller, a Ford, entre outras.

Já Raymond de Souza, fundador do apostolado de apologética “Saint Gabriel Communications International” (Estados Unidos), apontou algumas contradições da ditadura do relativismo.

Recentemente no Canadá --destacou-- houve uma passeata de pessoas contrárias à caça dos filhotes de foca, mas no mesmo local outra passeata exigia aborto livre e gratuito. Na África do Sul, após a campanha contra o apartheid, um dos primeiro atos de Mandela foi a aprovação do aborto total. Já na Nova Zelândia, uma espécie de árvore local é protegida por lei, mas o aborto é liberado.

«Mais norte-americanos foram mortos pelo aborto do que em todas as guerras que os Estados Unidos participaram, inclusive a guerra civil. Todos os dias, são 4 mil abortos no país», disse.

(Alexandre
Ribeiro
)



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Desafio aos pais: assumir compromisso de preparar filhos para matrimônio

Proposta do médico e professor português Daniel Serrão

APARECIDA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2007 (ZENIT.org).- O médico e professor português Daniel Serrão lançou um desafio aos pais: que eles assumam a tarefa de preparar os filhos para a vivência do amor autêntico no interior da família católica.

Membro da Pontifícia Academia para a Vida, o Prof. Dr. Serrão propôs às famílias católicas, essa quinta-feira --no contexto do 1º Congresso Internacional em Defesa da Vida, que se celebra no Santuário de Aparecida até o próximo domingo-- que elas considerem a preparação dos filhos para o matrimônio como a sua «primeira prioridade».

Para Daniel
Serrão, isso não é de forma alguma querer «voltar no tempo» ou «educar os filhos numa redoma de ignorância», mas sim agir com realismo diante dos novos tempos e ter como desejo fundamental que «os filhos e filhas tenham um matrimônio feliz».

Para cumprir essa tarefa, Serrão sugeriu aos pais uma espécie de programa de vida, que envolveria três aspectos: conhecimento, verdade e tempo.

Primeiramente, para o professor, é preciso saber filtrar a informação disponível hoje e transformá-la em fonte de crescimento pessoal, saber lidar criteriosamente com a informação, visando à formação dos filhos, em um ambiente de liberdade, onde os jovens podem «perguntar, criticar e aprender».

De acordo com o médico e professor, é também importante compreender o fenômeno
psicológico do enamoramento, para ter instrumentos de orientação dos filhos.

O segundo ponto que o Prof. Serrão apontou é a verdade, ou seja, «o fruto da própria vida pessoal e matrimonial dos pais». Os pais devem ser «exemplo e testemunho», na vivência de um amor que «emana para os filhos», uma «mensagem mais forte que milhares de palavras».

O terceiro aspecto que Daniel Serrão indicou é o tempo, já que os pais não podem confiar unicamente ao colégio ou aos professores a tarefa de uma educação que deve ser integral.

«O colégio pode ensinar disciplinas cientificas, mas nada disso tem a ver com educação e preparação de uma pessoa para o matrimônio católico feliz», disse.

«O amor é o maior mistério da humanidade – prosseguiu
Serrão –, é preciso realizá-lo. A família é o espaço mais adequado para descobrir o amor».

(Alexandre Ribeiro)



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Nova Fundação das Filhas de São Paulo no Sudão

No aniversário da morte de sua co-fundadora, a irmã Tecla Teresa Marlo

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Por ocasião do aniversário da morte de sua co-fundadora, irmã Tecla Teresa Merlo, as Filhas de São Paulo fizeram uma nova fundação em Juba, Sudão.

Depois de 25 anos de guerra civil, a zona meridional do país africano está finalmente vivendo um período de tranqüilidade. Após o acordo de paz, o bispo de Torit, Dom Paride Taban, dirigiu um convite a todas as congregações religiosas a estabelecer-se no país para ajudar na reconstrução moral e espiritual da população que agora está voltando à sua pátria.

As Filhas de São Paulo, explica um comunicado recebido
pela Zenit, aceitaram este convite e em 25 de janeiro duas religiosas se mudaram para Juba, «dispostas a colaborar com a Igreja local na evangelização e promoção humana através dos meios de comunicação social».

Juba, descrevem, «é como uma grande aldeia. Moradias destruídas, ruas de terra, poucas construções e muita gente que, ao voltar, deve acostumar-se a viver em barracas, inclusive na cidade. Por todas as partes se vêem obras de construção. Isso dá uma sensação de ‘futuro’, apesar de que as pessoas devem enfrentar uma vida muito dura».

O Sudão tem 44 milhões de habitantes, dos quais 69% são muçulmanos. Os cristãos são 6,3% da população e os católicos, 4,5%; os seguidores das religiões tradicionais somam 25%.

O arcebispo de Juba, Dom Paulino
Lukudu, ofereceu às Filhas de São Paulo uma sala próxima à catedral, que servia também como livraria. Outras sete dioceses do sul do Sudão esperam as duas missionárias que «estão se organizando para arrumar a livraria e a casa e para poder levar a Palavra de Deus a todos».

Desde sua independência, em 1º de janeiro de 1956, o país viveu 39 anos de guerras civis: a primeira aconteceu de 1955 a 1972 e a segunda, de 1983 a 2005. Como se sabe, continuam ainda hoje os confrontos na martirizada região de Darfur.

«A presença das Filhas de São Paulo e seu apostolado – observa o comunicado – podem ajudar a redescobrir a realidade positiva do povo sudanês, que pode ser para a Igreja e para a sociedade uma riqueza de cultura, de religiosidade e de fé.»



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Metropolita Ieronimos, novo arcebispo de Atenas e toda a Grécia

ATENAS, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- O bispo metropolita Ieronimos de Tebe e Levadia, de 70 anos, foi eleito ontem como arcebispo de Atenas e da Igreja Ortodoxa da Grécia, com o voto majoritário dos metropolitanos-membros do Santo Sínodo da Igreja da Grécia.

Ele substitui na sucessão apostólica Sua Beatitude Christodoulos, que era cabeça da sede desde 1998, falecido no dia 27 de janeiro, aos 69 anos, depois de longos meses de enfermidade.

Segundo informam as agências internacionais e fontes locais, o arcebispo Ieronimos apoiou Christodoulos em seus passos de abertura para com o diálogo com a Igreja Católica, que tiveram seu momento mais decisivo com a visita de João Paulo II a Atenas, em 2001. Segundo estas fontes, o
metropolita também mantém boas relações com o patriarca ortodoxo ecumênico Bartolomeu I de Constantinopla, que expressou sua satisfação e alegria após esta eleição.

A cerimônia de entronização do metropolita Ieronimos acontecerá em 16 de fevereiro.



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Gênio Feminino é capacidade de ver com os olhos e com o coração

Segundo explica Paola Bignardi no congresso vaticano sobre a mulher

Por Miriam Díez i Bosch

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- A expressão de João Paulo II, «gênio feminino», é essa capacidade para «ver longe», «intuir» e «ver com os olhos e com o coração», considera Paola Bignardi, coordenadora do Fórum Internacional da Ação Católica.

Foi uma das idéias centrais de sua palestra no Congresso celebrado pela Santa Sé «Mulher e homem, a totalidade do humanum» que acontece em Roma por iniciativa do Pontifício Conselho para os Leigos para
recordar os vinte anos da publicação da carta apostólica desse Papa, «Mulieris dignitatem».

Para esta leiga italiana, na mulher «sua vocação passa através do amor»; ela sugeriu que a contribuição da mulher na Igreja pode se dar «gerando uma Igreja com o rosto materno», dando testemunho de «uma Igreja que ama, que sabe expressar a sinfonia de um amor que dá sentido à vida».

Com esta contribuição feminina, na Igreja se dá então «uma atenção a toda a pessoa» e uma forma de comunicar a fé na qual se vê a Igreja como «mãe e mestra». Para Bignardi, não tem sentido contrapor estes conceitos, pois «a Igreja
é mestra porque é mãe» e, portanto, «enquanto mãe, não pode calar a Verdade».

Em sua palestra, titulada «Responsabilidade e participação da mulher na construção da Igreja e da sociedade», afirmou que, na Igreja, a mulher, com sua «paciência e capacidade de saber esperar», pode oferecer «a experiência da escuta».

Depois de pedir que nas comunidades cristãs as mulheres estejam mais presentes em conselhos pastorais e em congressos, «não só numericamente», concluiu dizendo que em alguns lugares do mundo a situação feminina é ainda «problemática» ainda que há «sinais reveladores de esperança».

Paola Bignardi revelou à Zenit em que consiste este conceito de «geração» materno na Igreja.


«Creio que a geração seja uma das experiências fundamentais e características da vida da mulher, da mulher que coloca um filho no mundo, mas também da mulher que não gera fisicamente», disse Bignardi, ex-presidente nacional da Ação Católica na Itália.

Esta pedagoga especifica que «a geração é antes de mais nada um dado da alma mais que do corpo, e creio que pertence antropologicamente à existência da mulher».

«Viver a própria identidade na Igreja, para a mulher, creio que significa contribuir para gerar a Igreja, para gerá-la naturalmente em sentido humano; a Igreja está gerada pelo Espírito – declara –, mas humanamente a Igreja precisa ser gerada, e acho que a mulher pode gerá-la em sua maternidade, contribuir para fazer que a Igreja seja realmente mãe.»

O que
o mundo realmente precisa é de uma «Igreja mãe», reconhece Bignardi. «As pessoas de nosso tempo precisam encontrar uma Igreja que acolhe, uma Igreja que oferece a liberdade da própria vida, que sabe perdoar e faz ver que sempre se pode voltar a começar. Creio que este é o trabalho mais profundo da mulher na Igreja hoje.»



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Flash

Revista «Communio» dedica edição ao «bem da Família»

MADRI, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- A revista católica internacional de pensamento e cultura «Communio» dedica seu último número ao tema «o bem da família».

O tema desta edição, inclusive no número 6 da publicação, segundo informou à Zenit a Associação Procommunio em uma nota, é «de indubitável atualidade».

Na edição, assinam artigos Dom Jean Laffite, vice-presidente da Academia Pontifícia para a Vida, sobre «Matrimônio e família: realidade natural e evento de graça».

Outros dos autores são J.J. Pérez Soba, sobre «A família, bem da
pessoa e bem comum»; Maria del Rosario González Martín, que escreve sobre «O caráter esponsal da pessoa: ‘felicidade ou felicidades’», e Álvaro Montero Baranda, DCJM, sobre «Gender: a incompreensão da diferença».

«Communio» é uma revista católica internacional de pensamento e cultura que tem entre seus fundadores Joseph Ratzinger.

Para maior informação: www.communio-es.com.



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Espiritualidade

Pregador do Papa: Cristo venceu demônio para libertar-nos

Comentário do Pe. Cantalamessa sobre a liturgia do próximo domingo

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap. – pregador da Casa Pontifícia – sobre a Liturgia da Palavra do próximo domingo, I da Quaresma.

* * *

I Domingo da Quaresma

Gênesis 2, 7-9; 3.1-7; Romanos 5, 12-19; Mateus 4, 1-11

O demônio, o satanismo e outros fenômenos relacionados são de grande atualidade e inquietam freqüentemente a nossa sociedade. Nosso mundo tecnológico e industrializado está repletos de magos, bruxos urbanos, ocultismo, espiritismo,
escrutinadores de horóscopos, vendedores de feitiços, de amuletos, assim como de autênticas seitas satânicas. Expulso pela porta, o diabo entrou pela janela. Ou seja, expulso pela fé, voltou a entrar com a superstição.

O episódio das tentações de Jesus no deserto, que se lê no primeiro domingo da Quaresma, ajuda-nos a oferecer um pouco de clareza a este tema. Antes de tudo, existe demônio? Isto é, a palavra “demônio” indica de verdade alguma realidade pessoal, dotada de inteligência e vontade, ou é simplesmente um símbolo, um modo de falar que indica a soma do mal moral do mundo, o inconsciente coletivo, a alienação coletiva e coisas pelo estilo? Muitos, entre os intelectuais, não crêem no demônio segundo o primeiro sentido. Mas se deve observar que grandes escritores e pensadores, como Goethe ou Dostoievski, levaram
muito a sério a existência de satanás. Baudelaire, que não era certamente trigo limpo, disse que «a maior astúcia do demônio é fazer crer ele que não existe».

A principal prova da existência do demônio nos evangelhos não está nos numerosos episódios de libertação de possessos, porque na interpretação destes fatos pode haver influência de crenças antigas sobre a origem de certas doenças. Jesus tentado no deserto pelo demônio: esta é a prova. Provas são também os muitos santos que lutaram em vida contar o príncipe das trevas. Não são Quixotes que brigam contra moinhos de vento. Ao contrário: foram homens e mulheres concretos e de psicologia saudável.

Se muitos acham absurdo crer no demônio, é porque se baseiam em livros, passam a vida em bibliotecas ou no
escritório, enquanto o demônio não se interessa por literatura, mas pelas pessoas, especialmente os santos. O que pode saber sobre satanás quem jamais teve nada a ver com sua realidade, mas só com sua idéia, isto é, com as tradições culturais, religiosas, etnológicas sobre satanás? Esses tratam habitualmente deste tema com grande segurança e superioridade, liquidando tudo como «obscurantismo medieval». Mas trata-se de uma falsa segurança. Como se alguém deixasse de temer o leão aduzindo como prova o fato de que viu muitas vezes sua imagem e jamais lhe deu medo. Por outro lado, é totalmente normal e coerente que não creia no diabo quem não crê em Deus. Seria até trágico se alguém que não crê em Deus acreditasse no diabo!

O mais importante que a fé cristã tem a dizer-nos não é,
no entanto, que o demônio existe, mas que Cristo venceu o demônio. Cristo e o demônio não são para os cristãos dois princípios iguais e contrários, como em certas religiões dualistas. Jesus é o único Senhor; satanás não é senão uma criatura que «se perdeu». Se lhe concede poder sobre os homens, é para que estes tenham a possibilidade de fazer livremente uma escolha e também para que «não se ensoberbeçam» (2 Co 12, 7), crendo-se auto-suficientes e sem necessidade de redentor algum. «Que loucura a do velho satanás – diz um canto espiritual negro. Atirou para destruir minha alma, mas errou o tiro e destruiu por outro lado o meu pecado.»

Com Cristo não temos nada a temer. Nada nem ninguém pode fazer-nos dano se nós não quisermos. Satanás – dizia um antigo padre da
Igreja –, após a vinda de Cristo, é como um cão atado na árvore; pode latir e balançar quanto quiser; se não nos aproximamos, não pode morder. Jesus no deserto se libertou de satanás para libertar-nos de satanás! É a gozosa notícia com a qual iniciamos nosso caminho quaresmal para a Páscoa.

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri.]



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Entrevistas

Ser mulher é uma missão

Três participantes do Movimento de Schoenstatt no congresso organizado pela Santa Sé

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Três participantes no congresso «Mulher e homem, a totalidade do humanum» organizado pela Santa Sé, membros do Movimento de Schoenstatt, estão certas de que ser mulher é uma autêntica missão.

Explicam à Zenit, Perla Piovera, da Argentina; Alicia Kostka, da Polônia; e Marianne Mertke, da Alemanha; elas oferecem suas contribuições a este encontro mundial a partir da espiritualidade de Schoenstatt, movimento apostólico mariano.

O congresso,
convocado pelo Conselho Pontifício para os Leigos, analisa o impacto da carta apostólica «Mulieris dignitatem», primeiro documento pontifício dedicado à mulher, publicado há vinte anos.

Alicia Kostka, da Polônia, há dois anos fez sua tese de doutorado sobre a dignidade e vocação da mulher na perspectiva do Pe. Josef Kentenich (1885-1968), fundador desta nova realidade eclesial.

«Desde que foi publicado, penso que cresceu o caos de termos na sociedade; define-se segundo cada gosto o que é mulher e homem. Queremos aprofundar no que dizem a Bíblia e a antropologia cristã», explica, fazendo um balanço.

Kostka insiste na proposta do congresso, explicitada em uma das conferências que tem por tema
«Homem e mulher, criados um para o outro».

«Devemos ser conscientes disso também na vida diária», reconhece: «o homem e a mulher representam Deus, cada um de uma maneira».

A mulher, imagem de Deus

«É fascinante como o Pe. Kentenich apresenta sua descrição da mulher como imagem de Deus, e como ainda hoje está muito mais adiante do que a Igreja diz – confessa, como mostra concretamente a mulher como imagem de Deus.»

«A Igreja, em sua doutrina, mostra que a mulher, como pessoa – como pessoa que ama, que pensa, que atua –, reflete Deus. O Pe. Kentenich é muito mais concreto, mostrando como ela é reflexo, imagem de Deus como mulher, ou seja, imagem de um Deus que também é Mãe em sua entrega desinteressada.»

«Poucas vezes se encontra isso na teologia da mulher: o servir desinteressado como dom
natural da mulher, como potência da mulher, é um reflexo de um Deus que nos serve, porque é forte e porque é amor.»

Outra contribuição do Pe. Kentenich, expressa pela teóloga polonesa, «é o papel da mulher na salvação do homem», algo que o fundador expressa através «da atitude do fiat, do sim».

«Se a mulher o desenvolve em si mesma, pode também ajudar o homem a chegar a esta atitude frente a Deus. Em uma palavra, o Pe. Kentenich ofereceu muito para que a mulher possa estar orgulhosa de ser mulher.»



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Documentação

Desafios da Igreja na Costa Rica, segundo Bento XVI

Discurso a seus bispos em visita «ad limina apostolorum»

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI dirigiu hoje aos bispos da Costa Rica ao recebê-los em audiência por ocasião de sua visita «ad limina apostolorum».

* * *

Queridos Irmãos no Episcopado:

1.Alegro-me por receber-vos ao final de vossa visita ad Limina, que me oferece a ocasião de saudar todos juntos e alentar-vos na esperança, tão necessária para o ministério que vos foi confiado e que exerceis com generosidade. Agradeço as palavras do Presidente da Conferência Episcopal, Dom José Francisco Ulloa
Rojas, que quis manifestar os desafios e as esperanças que encontrais em vosso afazer pastoral e expressar vossa proximidade e estreita comunhão com o Bispo de Roma, Sede “na qual sempre residiu a primazia da cátedra apostólica” (S. Agostinho, Ep. 43, 3,7).

Este encontro é, de certo modo, novo para alguns de vós, agregados recentemente ao colégio episcopal, para outros são novas as Igrejas particulares que trazem em seu coração e, para todos, também o rosto do Sucessor de Pedro é novo. É uma novidade que pode contribuir a dar maior intensidade aos propósitos desta visita, entre os quais sobressai a renovação ante os sepulcros de São Pedro e São Paulo da fé em Cristo Jesus, transmitida pelos Apóstolos, e que vos corresponde custodiar como sucessores seus. Ao mesmo tempo, é preciso ajudar a
reavivar vossa «solicitude por toda a Igreja» (Lumen gentium, 23), contribuindo assim a encher também o coração de todos os crentes com a perspectiva de universalidade própria da mensagem cristã.

2.Tendes ante vós a tarefa de buscar novas maneiras de anunciar Cristo no meio de uma situação de rápidas e com freqüência profundas transformações, acentuando o caráter missionário de toda atividade pastoral. Neste sentido, a recente Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, celebrada em Aparecida, destacou como acolher e fazer própria a mensagem do Evangelho é algo que corresponde a cada pessoa e cada geração, nas diversas circunstâncias e etapas de sua vida.

Também o povo costarriquenho precisa revitalizar constantemente suas antigas e profundas raízes cristãs, sua vigorosa
religiosidade popular e sua entranhável piedade mariana, para que dê frutos de uma vida digna dos discípulos de Jesus, alimentada pela oração e pelos sacramentos, de uma coerência da existência cotidiana com a fé professada e de um compromisso de participar ativamente na missão de «abrir-nos nós mesmos e o mundo ao ingresso de Deus: da verdade, do amor e do bem» (cf. Spe salvi, 35).

3.O Senhor foi pródigo com sua vinha na Costa Rica, onde há um bom número de sacerdotes que são os principais colaboradores do Bispo em seu ministério pastoral. Por isso precisam, além de orientações e critérios claros, de uma formação constante e de apoio no exercício de seu
ministério, uma proximidade própria de «filhos e amigos» (Lumen gentium, 28), que lhes chegue ao coração, animando-os em seus esforços, ajudando-os em suas dificuldades e, se for preciso, corrigindo e consertando eventuais situações que obscurecem a imagem do sacerdócio e da própria Igreja.

Este grande patrimônio de toda Igreja particular se custodia e enriquece com uma esmerada atenção aos seminaristas, cuja idoneidade requer um discernimento rigoroso, e aos que não basta uma formação abstrata e formal, pois se preparam para viver eles mesmos aquelas palavras do Apóstolo: «O que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que estejais unidos a nós nessa união que temos com o Pai e
com seu Filho Jesus Cristo» (1 Jo 1, 3). Também esta é uma perspectiva que pode suscitar nos jovens o entusiasmo por Jesus e sua missão salvadora, fazendo brotar em seu coração o desejo de participar nela como sacerdotes e consagrados.

4.Queridos Bispos, conheceis bem os riscos de uma vida de fé lânguida e superficial quando se enfrenta o proselitismo das seitas e grupos pseudo-religioso, a multidão de promessas de um bem-estar fácil e imediato, mas que terminam no desengano e na desilusão, ou na difusão de ideologias que, proclamando exaltar o ser humano, na realidade o banalizam. Em uma situação como esta, adquire um inestimável valor o anúncio da «grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora» (cf. Spe salvi, 27).

Um testemunho vivo desta esperança, que eleva o ânimo e dá fortaleza nos desvelos da vida humana, corresponde de maneira muito especial aos religiosos, religiosas e pessoas consagradas, que por sua própria vocação estão chamados antes de tudo a ser sinal do «mistério do Reino de Deus que já atua na história» (Vita consecrata, 1). Por isso, são um dom precioso para a Igreja, «como elemento decisivo para a sua missão, visto que ‘exprime a íntima natureza da vocação cristã’» (ibid, 3), pelo que se há
de agradecer ao Senhor sua presença em cada Igreja particular.

Também aos fiéis leigos corresponde participar nesta missão segundo sua vocação específica, e é lindo comprovar sua colaboração eficaz para manter e difundir a chama da fé mediante a catequese e a cooperação com as paróquias e as diversas organizações pastorais das dioceses. Merecem sem dúvida a gratidão, o alento e a atenção constante de seus Pastores, para que recebam sempre e de maneira sistemática uma formação cristã sólida, levando em conta também que são eles os chamados a levar os valores cristãos aos diversos setores da sociedade, ao mundo do trabalho, da convivência civil ou da política. Com efeito, a ordem temporal é uma obrigação sua (cf. Apostolicam actuositatem, 7), a eles corresponde «configurar retamente a vida social, respeitando a sua legítima autonomia e cooperando, segundo a respectiva competência e sob própria responsabilidade» (Deus caritas est, 29).

Sobre os catequistas e animadores das comunidades, em particular, convém recordar a exigência de viver segundo mandatos do Senhor e com a experiência viva de ser membros fiéis e ativos da Igreja. Com efeito, este exemplo de vida é necessário para que sua instrução não se fique em uma mera transmissão de conhecimentos teóricos sobre
os mistérios de Deus, mas que conduza a adotar um modo de vida cristão. Isso era decisivo já na Igreja antiga, quando se examinava no final se os catecúmenos «viveram corretamente seu catecumenato, se honraram as viúvas, se visitaram os enfermos, se fizeram boas obras» (Traditio Apostlica, 20).

5.Certamente vos preocupa um crescente deterioro da instituição familiar, com graves repercussões tanto no âmbito social como na vida eclesial. A este respeito, é necessário promover o bem da família e defender seus direitos ante as instâncias pertinentes, assim como desenvolver uma atenção pastoral que a proteja e ajude de maneira direta em suas dificuldades. Por isso, é de máxima importância uma adequada catequese pré-matrimonial, assim como uma proximidade cotidiana que leve alento a cada lar e faça ressoar nele aquela
saudação de Jesus: «Hoje a salvação chegou a esta casa» (Lc 19, 9). Tampouco se hão de esquecer os grupos de casais e famílias para ajudar-se entre si a cumprir sua alta e indispensável vocação, nem os serviços específicos que aliviem situações penosas, produzidas pelo abandono da convivência, a precariedade econômica ou a violência doméstica, da qual são vítimas sobretudo as mulheres.

6.Ao concluir este encontro, desejo assegurar-vos minha especial proximidade, junto com minhas orações ao Senhor por vosso ministério. Rogo-vos que sejais portadores de meu afeto a vossos fiéis, muito especialmente aos sacerdotes, às comunidades religiosas e às pessoas consagradas, assim como aos catequistas e a todos que estão comprometidos na apaixonante tarefa de levar e manter viva a luz de
Cristo nesta bendita terra da Costa Rica.

Peço à Santíssima Virgem Maria, à qual com tanta devoção os costarriquenhos invocam como de Nossa Senhora dos Anjos, que proteja seus filhos nessa querida nação, e os leve com ternura a conhecer e amar cada vez mais seu divino Filho. A eles e a vós, envio de coração a Bênção Apostólica.

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri.

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana]



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