quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Cáritas denuncia que pobreza extrema é principal motor do tráfico de pessoas

Intervém na Iniciativa global de luta contra o tráfico humano

VIENA, quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- A Cáritas afirmou que a pobreza extrema é o principal motor do tráfico de pessoas frente à Iniciativa global de luta contra o tráfico humano, um foro convocado pelo Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Delito (UNODD), que se celebra em Viena de 13 a 15 de fevereiro.

A Cáritas Internacional, a rede de 162 agências católicas nacionais, fez um chamado no encontro «a adotar políticas migratórias e econômicas que reduzam a vulnerabilidade ante o tráfico, e que ao mesmo tempo enfrentem as raízes deste tráfico com uma ação decidida para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio».

«Combater o tráfico significa preservar a dignidade humana, lutar contra a pobreza e promover e defender os direitos humanos. Todos estes elementos se encontram no coração da missão e do trabalho da Cáritas», explica o documento que esta instituição submeteu à assembléia.

O presidente da Cáritas Internacional é o cardeal Oscar Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa.

A Cáritas constata que o tráfico desses seres humanos «criados à imagem de Deus» os reduz a «escravos com atos criminosos que violam os direitos humanos básicos, a dignidade inviolável e a integridade da pessoa humana».

Segundo a organização católica, «o tráfico de seres humanos é alimentado pela pobreza, que com freqüência é agravada pela injustiça e pela falta de oportunidades que fazem que as pessoas sejam vulneráveis aos criminosos».

«Na legítima busca de condições de vida dignas ou de sobrevivência, milhares de pessoas, cada vez mais mulheres, deixam suas comunidades e são atraídas ou presas na escravidão.»

A Cáritas faz um chamado aos «líderes do mundo, em particular aos das nações mais ricas, para que honrem seus compromissos para combater a pobreza e para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio».

«Estas promessas não cumpridas estão gerando desespero e uma desumanizante injustiça, que é o que o tráfico de pessoas e a escravidão significam», conclui a organização.

A iniciativa global das Nações Unidas para o combate do tráfico de pessoas foi concebida para unir forças e coordenar a luta contra este problema, baseando-se nos acordos feitos nas Nações Unidas.

Até hoje, mais de 110 nações assinaram o protocolo para a prevenção, supressão e castigo do tráfico de pessoas, especialmente de mulheres e crianças, que a Convenção de Palermo contempla contra o crime organizado transnacional.

Na conferência, participam também outras realidades católicas, como os salesianos, representados por Dom Meinolf von Spee, encarregado de «Dom Bosco Internacional».

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