sábado, 9 de fevereiro de 2008

ZENIT


O mundo visto de Roma


Serviço diario - 08 de fevereiro de 2008






SANTA SÉ

Crise da família repercute na Igreja, constata Papa


Testemunho: segredo do catequista, explica Papa


Encontro do Papa com párocos de Roma «para ajudar-nos mutuamente»


Bento XVI celebrará seu aniversário nos Estados Unidos


Dor do Papa pela morte do grão-mestre da Ordem de Malta


Papa a bispos da Costa Rica: «buscar novas maneiras de anunciar Cristo»


Poder destruidor da ideologia de gênero, segundo cardeal Cañizares


MUNDO

Estratégia dos promotores do aborto é minar ação da Igreja, diz bispo


A pessoa é chamada a ser habitação da Trindade, diz médica católica


Desafio aos pais: assumir compromisso de preparar filhos para matrimônio


Nova Fundação das Filhas de São Paulo no Sudão


Metropolita Ieronimos, novo arcebispo de Atenas e toda a Grécia


Gênio Feminino é capacidade de ver com os olhos e com o coração


FLASH

Revista «Communio» dedica edição ao «bem da Família»


ESPIRITUALIDADE

Pregador do Papa: Cristo venceu demônio para libertar-nos


ENTREVISTAS

Ser mulher é uma missão


DOCUMENTAÇÃO

Desafios da Igreja na Costa Rica, segundo Bento XVI




Santa Sé

Crise da família repercute na Igreja, constata Papa

Pede ajudas para combater a precariedade e a violência contra a mulher

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI reconheceu hoje que a crise da família não repercute só na sociedade, mas também na vida eclesial, pedindo a mobilização dos católicos para promover seu bem e sua defesa.

Assim explicou aos bispos da Costa Rica, que concluíam sua qüinqüenal visita ao Papa e a seus colaboradores na Cúria Romana, com quem analisou os desafios que a Igreja deve enfrentar neste país centro-americano de profundas raízes cristãs.

«Certamente vos preocupa uma crescente deterioração da instituição familiar, com graves
repercussões tanto no âmbito social como na vida eclesial», começou constatando o Santo Padre.

A este respeito, assegurou, «é necessário promover o bem da família e defender seus direitos ante as instâncias pertinentes, assim como desenvolver uma atenção pastoral que a proteja e ajude de maneira direta em suas dificuldades».

Neste contexto, o bispo de Roma considerou que «é de máxima importância uma adequada catequese pré-matrimonial, assim como uma proximidade cotidiana que leve alento a cada lar e faça ressoar nele aquela saudação de Jesus: ‘Hoje a salvação chegou a esta casa’ (Lc 19, 9)».

Bento XVI explicou que tampouco «devem se esquecer dos grupos de casais e famílias, para ajudar-se entre si a cumprir sua alta e indispensável
vocação».

Desta forma, pediu que se promovessem «serviços específicos que aliviem situações penosas, produzidas pelo abandono da convivência, pela precariedade econômica e pela violência doméstica, da qual são vítimas sobretudo as mulheres».



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Testemunho: segredo do catequista, explica Papa

Deste modo, o que ensinam não fica em meros conhecimentos

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI explicou hoje que o segredo do bom catequista está no «testemunho pessoal», que acompanha o que ensina com o que vive.

Ao analisar junto aos bispos da Costa Rica como é possível anunciar Cristo numa época de materialismo e de surgimento de novos movimentos religiosos, com freqüência seitas, o Papa se deteve a analisar a importância decisiva dos catequistas, em sua maioria leigos.

«É belíssimo comprovar sua colaboração eficaz para manter e difundir a chama da fé mediante a catequese e a cooperação com as paróquias e as diversas organizações pastorais das
dioceses.»

«Merecem sem dúvida a gratidão, o alento e a atenção constante de seus Pastores, para que recebam sempre e de maneira sistemática uma formação cristã sólida, levando em conta também que são eles os chamados a levar os valores cristãos aos diversos setores da sociedade, ao mundo do trabalho, da convivência civil ou da política», declarou.

Dirigindo-se em particular aos catequistas e animadores das comunidades, recordou-lhes «a exigência de viver segundo mandatos do Senhor e com a experiência viva de ser membros fiéis e ativos da Igreja».

«Este exemplo de vida é necessário para que sua instrução não se reduza a uma mera transmissão de conhecimentos teóricos sobre os mistérios de Deus, mas que conduza a adotar um modo de vida cristão.»

Isso era decisivo já na Igreja antiga, recordou, «quando se examinava no final se os catecúmenos «viveram corretamente seu catecumenato, se honraram as viúvas, se visitaram os enfermos, se fizeram boas obras», disse, citando a «Tradição Apostólica» (Traditio Apostolica), uma das constituições eclesiásticas mais antigas, escrita em torno do ano 215.



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Encontro do Papa com párocos de Roma «para ajudar-nos mutuamente»

Jovens, evangelização e desafio educativo no centro de encontro

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI propôs que a Quaresma seja um tempo de jejum de palavras e imagens, no encontro desta quinta-feira no Vaticano com os párocos da diocese de Roma.

O próprio Papa explicou que este encontro, que acontece todos os anos, estava organizado «para ajudar-nos mutuamente».

E como é habitual nestes casos, o bispo de Roma respondeu espontaneamente às perguntas de seus sacerdotes, segundo informa «L’Osservatore Romano».

Outros dos temas enfrentados foram o diálogo inter-religioso, o serviço da caridade e a perda do sentido do pecado que caracteriza a sociedade.

A quem lhe perguntou como viver o
tempo da Quaresma que começou em 6 de fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas, o Papa respondeu: «Acho que o tempo da Quaresma poderia ser também um tempo de ‘jejum de palavras e imagens’. Por precisamos de um pouco de silêncio, de um espaço, sem o bombardeio permanente das imagens».

«Precisamos criar espaços de silêncio e sem imagens para abrir nosso coração à ‘imagem’ verdadeira, à ‘Palavra’ verdadeira», sublinhou.

O pontífice enfatizou a importância de que os sacerdotes saibam dar testemunho de que «podemos verdadeiramente conhecer Deus. Que podemos ser seus amigos e caminhar com Ele».



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Bento XVI celebrará seu aniversário nos Estados Unidos

Confirmadas as datas da viagem a Washington e Nova York: 15 a 20 de abril

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- As datas da viagem apostólica de Bento XVI aos Estados Unidos foram confirmadas na manhã desta sexta-feira pela Sala de Informação da Santa Sé.

O Papa realizará sua primeira viagem ao país entre 15 e 20 de abril de 2008, datas que coincidem com seu aniversário, em 16 de abril.

A visita é uma resposta ao convite do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para que o Papa visite a sede da ONU em Nova York.

O site oficial criada para esta visita, http://www.uspapalvisit.org, apresenta detalhes sobre o itinerário da
viagem.

Na terça-feira, 15 de abril, o Papa aterrissará na Base das Forças Aéreas Andrews, sendo recebido pelo presidente George W. Bush e sua esposa.

Na manhã da quarta-feira, 16 de abril, o presidente e a primeira-dama receberão o Santo Padre na Casa Branca. Será a segunda vez na história que um pontífice visita a residência presidencial. Ao final da cerimônia de boas-vindas, acontecerá um encontro entre o Papa e o presidente, enquanto se reunirão ao mesmo tempo os representantes dos Estados Unidos e da Santa Sé.

Na tarde desse mesmo dia, o Papa terá um encontro de oração e uma reunião com os 350 bispos dos Estados Unidos no Santuário Nacional da Imaculada Conceição, de Washington.

Na quinta-feira, 17 de abril, às 10h da manhã, o Papa presidirá a celebração eucarística no
novo estádio dos Nationals, a equipe de beisebol local. Pela primeira vez, o estádio não acolherá uma partida deste esporte. Católicos de todo o país se preparam para participar.

Na tarde desse dia, diretores de mais de 200 universidades e centros universitários, assim como de representantes das 195 dioceses católicas foram convidados para participar de um discurso de Bento XVI sobre a importância da educação católica. A conferência acontecerá na Universidade Católica da América, única instituição universitária do país dirigida pelos bispos.

Pouco depois, o Papa se reunirá com budistas, muçulmanos, sijs, hindus, judeus e representantes de outras religiões no Centro Cultural João Paulo II, que se encontra junto à Universidade Católica da América.

Na manhã da
sexta-feira, 18 de abril, o Papa dirigirá seu discurso às Nações Unidas e pouco depois voará para Nova York.

À tarde, terá um momento de oração com representantes das demais confissões cristãs na Igreja de São José, fundada em Manhattam por católicos alemães.

Para a manhã do sábado, 19 de abril, está prevista uma missa presidida pelo Papa para sacerdotes, diáconos e religiosos na Catedral de São Patrício, na Quinta Avenida.

Na tarde do sábado, 19 de abril, o Papa se reunirá com milhares de jovens e seminaristas no Seminário de São José em Yonkers.

À noite, Bento XVI visitará «Ground Zero», o terreno no qual estavam as Torres Gêmeas derrubadas pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

No domingo, 20 de abril, o Papa
celebrará a missa no estádio dos Yankees, de Nova York.

O avião papal deixará o país na noite desse mesmo dia rumo à Cidade Eterna.



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Dor do Papa pela morte do grão-mestre da Ordem de Malta

Fra Andrew Bertie, «homem de cultura» que se entregou aos mais necessitados

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI manifestou seus pêsames pelo falecimento do fra Andrew Bertie, aos 79 anos de idade, 78º grão-mestre da Soberana Ordem de Malta, ocorrida em 7 de fevereiro.

O Papa transmite seus sentimentos em um telegrama enviado hoje à sede da Ordem, ao Fra Giacomo Dalla Torre del Tiempo di Sanguinetto, superior em vigor até que seja eleito um novo grão-mestre.

Na mensagem, o Papa elogia «a obra deste homem de cultura e seu compromisso generoso no cumprimento de seu elevado encargo, em especial a favor dos mais necessitados, assim como seu amor à Igreja e seu testemunho luminoso dos princípios evangélicos».

Andrew Willoughby Ninian Bertie foi o primeiro cidadão inglês em ser eleito ao cargo de grão-mestre nos 900 anos de história da Ordem.

Nascido em 15 de maio de 1929, ele se instruiu no Ampleforth College, na Christ Church Oxford e na Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres.

Após realizar o serviço militar na Guarda Escocesa, trabalhou como jornalista financeiro na City de Londres, antes de assumir o cargo de catedrático de Línguas Modernas (francês e espanhol) na Worth School, em Sussex.

Admitido na Ordem em 1956, fez os votos religiosos solenes em 1981 e serviu no Conselho Soberano (governo da Ordem) durante os seguintes sete anos, antes de ser eleito grão-mestre em 8 de abril de 1988.

«Sua alteza Andrew Bertie, que falava com fluência cinco idiomas, supervisionou numerosas mudanças na Ordem de Malta, instaurando uma visão
moderna nos programas humanitários da Ordem, aumentando o número de membros e ampliando as possibilidades de ajuda aos pobres e os necessitados de regiões remotas», constata um comunicado emitido pela ordem.

«Aumentou de 49 a 100 o número de missões diplomáticas bilaterais da Ordem, cujo delicado mandato é oferecer assistência a países atingidos por desastres naturais ou conflitos civis», afirmou.

A Soberana Ordem Militar e Hospitalar de São João de Jerusalém, de Rodas e de Malta, mais conhecida como a Soberana Ordem de Malta, tem um caráter duplo: é uma das mais antigas ordens religiosas católicas, sendo fundada em Jerusalém por volta do ano 1099 (celebrou o nono centenário de sua fundação oficial em 1999); ao mesmo tempo, sempre foi reconhecida pelas nações como um ente independente de Direito
Internacional.

Entre os doutoradoshonoris causa que se atribuem a ele, encontra-se o de Medicina e Cirurgia da Universidade de Bolonha (1992); Jurisprudência da Universidade de Malta (1993); Humanidades da Universidade de Santo Domingo (1995), Universidade Católica Boliviana San Pablo, Bolívia (2002); e Direito na Universidade St. John’s, Minnesota (2003).

A missão da Ordem está definida em seu lema, «Tuitio Fidei et Obsequium Pauperum», a defesa da Fé e o serviço aos pobres.

A Ordem dirige numerosos hospitais, centros médicos, ambulatórios, estruturas especializadas para responder a emergências humanitárias em 120 países.

Atualmente está composta por 12.500 membros e por 80.000 voluntários permanentes, assistidos por 13.000 médicos, enfermeiros e pessoal de saúde.

A Ordem teve de
converter-se em militar para proteger os peregrinos e enfermos e para defender os territórios cristãos na Terra Santa. Depois da perda de Malta (1798), a ordem deixou de exercer esta função.

Mais informação em http://www.orderofmalta.org



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Papa a bispos da Costa Rica: «buscar novas maneiras de anunciar Cristo»

Ante o avanço do materialismo e das seitas

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Ante as grandes mudanças que a Costa Rica vive, com as quais avançam o materialismo e as seitas, Bento XVI alentou hoje seus bispos a buscar novas maneiras de anunciar Cristo.

Foi uma das mensagens centrais que deixou aos prelados dessa Conferência Episcopal, que cumpriam com sua visita «ad limina apostolorum», no discurso que dirigiu em resposta às palavras do presidente dessa Conferência Episcopal, o arcebispo José Francisco Ulloa Rojas.

Antes da visita, o prelado havia revelado como a secularização e o materialismo «estão minando silenciosamente os princípios cristãos e os valores morais» que
caracterizaram este país.

Em suas palavras em espanhol, o bispo de Roma explicou aos pastores costarriquenhos que «tendes ante vós a tarefa de buscar novas maneiras de anunciar Cristo no meio de uma situação de rápidas e com freqüência profundas transformações, acentuando o caráter missionário de toda atividade pastoral».

Neste sentido, recordou que a recente Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, celebrada no mês de maio em Aparecida, «destacou como acolher e tornar própria a mensagem do Evangelho é algo que corresponde a cada pessoa e cada geração, nas diversas circunstâncias e etapas de sua vida».

«O povo costarriquenho precisa revitalizar constantemente suas antigas e profundas raízes cristãs, sua vigorosa religiosidade popular e sua entranhável piedade mariana, para que
dê frutos de uma vida digna dos discípulos de Jesus», afirmou o Papa depois de ter recebido pessoalmente aos bispos e de ter lido seus informes sobre a situação das dioceses.

Esta vida, declarou, é «alimentada pela oração e pelos sacramentos, de uma coerência da existência cotidiana com a fé professada e de um compromisso de participar ativamente na missão de «abrir-nos nós mesmos e o mundo ao ingresso de Deus: da verdade, do amor e do bem».

O Papa constatou «os riscos de uma vida de fé lânguida e superficial quando se enfrenta o proselitismo das seitas e grupos pseudo-religioso, a multidão de promessas de um bem-estar fácil e imediato, mas que terminam no desengano e na desilusão, ou na difusão de ideologias que, proclamando exaltar o ser humano, na verdade o banalizam».

Em uma situação como
esta, explicou, «adquire um inestimável valor o anúncio da grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões e que é Deus – o Deus que nos amou, e que continua nos amando».

Trata-se não só de uma missão dos religiosos, mas também dos leigos.

«É belíssimo comprovar sua colaboração eficaz para manter e difundir a chama da fé mediante a catequese e a cooperação com as paróquias e as diversas organizações pastorais das dioceses», reconheceu.

«São eles os chamados a levar os valores cristãos aos diversos setores da sociedade, ao mundo do trabalho, da convivência civil ou da política», recordou.

Dos mais de quatro milhões de habitantes da Costa Rica, segundo algumas fontes, 76,3% da população é católica; 13,7%
pertence a denominações evangélicas, enquanto começam a ser estatisticamente importante grupos como as Testemunhas de Jeová, que constituem 1,3%.



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Poder destruidor da ideologia de gênero, segundo cardeal Cañizares

Intervenção no Congresso Internacional do dicastério para os Leigos

Por Marta Lago

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- «Revolução cultural em todos os âmbitos», mais insidiosa e destruidora do que se possa pensar: esta é a trajetória da ideologia de gênero, sobre a qual alerta o cardeal Antonio Cañizares na reflexão internacional que o Conselho Pontifício para os Leigos promove.

Roma acolhe, de quinta-feira a sábado, participantes de 50 países dos cinco continentes em um Congresso, «Mulher e homem, a totalidade dohumanum», pelo XX aniversário da carta apostólica «Mulieris dignitatem», o primeiro documento pontifício dedicado inteiramente à mulher.

Desde o texto de João Paulo II, o cardeal primaz da Espanha, na primeira intervenção do encontro, fez um balanço e traçou perspectivas que alertam sobre o respeito à verdade da pessoa – homem e mulher.

«Mulieris dignitatem» é mais atual que nunca porque nesta carta o Papa expressa «a verdade do homem, que é homem e mulher, e indica seus princípios antropológicos» – sintetizou o cardeal Cañizares a Zenit. E neste momento, uma revolução de gênero no fundo está questionando essa verdade do homem, inseparável, por outra parte, de Deus».

Chave no texto pontifício
é que «o homem é criado por Deus, está constituído com uma verdade, uma humanidade única diferenciada, homem-mulher», acrescentou o purpurado.

Tal «diferença leva à unidade, à comunhão; não pode haver domínio de um sobre o outro, mas com relação à dignidade de ambos em sua singularidade e irrepetibilidade», sublinhou.

Na ideologia de gênero, a sexualidade não se aceita «propriamente como constitutiva do homem» – recordou –, mas «o ser humano seria o resultado do desejo da escolha», de maneira que, «seja qual for seu sexo físico», a pessoa – seja mulher ou homem – «poderia escolher seu gênero» e modificar sua opção quando quiser: homossexualidade, heterossexualidade, transexualismo, etc.

Adverte que «a mudança cultural e
social que o fenômeno leva é de grande alcance», dado que para esta ideologia «não existe natureza, não existe verdade do homem, só liberdade onímoda».

Nesta revolução cultural, «o nexo indivíduo-família-sociedade se perde e a pessoa se reduz a indivíduo» e se constata, portanto, «o questionamento radical da família e de sua verdade – o matrimônio entre um homem e uma mulher aberto à vida – e de toda a sociedade», afirma.

«Ser homem» e «ser mulher» são realidades «queridas por Deus»: «em sua igualdade e em sua diferença, um e outro têm uma comum dignidade», aspecto que o cardeal Cañizares enfatizou de forma especial.

A carta de João Paulo II – «Mulieris dignitatem» – enfatizou que homem e mulher «são
criados como pessoas à imagem de Deus Amor para viver em comunhão»; daí sua reciprocidade e daí que a pessoa esteja chamada também a existir para os demais, convertendo-se em um dom.

A conseqüência é de extrema importância, porque assim, na família «os filhos se encontram no solo de uma realidade sólida e percebem que viver é uma possibilidade gozosa e uma graça – aponta; não uma desgraça ou um azarado destino».



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Mundo

Estratégia dos promotores do aborto é minar ação da Igreja, diz bispo

Dom Carmo Rhoden abriu os trabalhos do Congresso em Defesa da Vida, em Aparecida

Por Alexandre Ribeiro

APARECIDA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Na conferência inaugural do 1º Congresso Internacional em Defesa da Vida, essa quinta-feira, no Santuário de Aparecida, o bispo de Taubaté (São Paulo), Dom Carmo Rhoden, afirmou que uma das estratégias dos promotores do aborto é minar a ação da Igreja Católica.

Diante disso, o bispo convidou os fiéis a defenderem a vida não apenas instintivamente, mas também cristãmente.

Segundo o prelado, a Igreja é por natureza promotora da vida plena, ao dar seguimento
ao mandato de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida» e «vida em plenitude» (Jo 10, 10).

Dom Carmo afirmou que «nós, Igreja, escolhemos a vida, hasteando sua bandeira», e, para além disso, «pelo discipulado de Cristo, queremos assumi-la com amor».

«Não só a defendemos, mas a cultivamos em todos os níveis, em busca da felicidade, que, teologicamente, tem outro sinônimo, santidade», disse.

O bispo de Taubaté enfatizou que os cristãos devem estar à frente na tarefa da defesa da vida, dando testemunho, pois a Igreja «ama e gera a vida em Cristo».

Segundo o prelado, nos dias de hoje, a defesa da vida se torna «um desafio crescente». Dom Carmo recordou que, a partir dos anos 50, surgiram nos Estados Unidos fundações, como a Rockefeller e a Ford, dedicadas a promover o aborto como parte de
uma grande estratégia de redução populacional.

«São verdadeiras centrais de formação da mentalidade pró-aborto», dotadas de «consistentes ajudas econômicas», disse o bispo, enfatizando que estes organismos internacionais têm como meta alcançar a legalização do aborto em todo o mundo até 2015.

Para conseguir esse objetivo, o bispo destacou que uma das estratégias é «minar a ação da Igreja Católica por todos os meios possíveis».

Diante dessas dificuldades, expressou Dom Carmo, a Igreja «deve reagir de modo mais incisivo e firme», especialmente na América Latina e Caribe, pois «a Igreja não é apenas um exército em defesa da vida, mas uma comunidade profética, amante da vida, que deseja transformar-se sempre mais em uma família formadora de
heróis e de santos».



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A pessoa é chamada a ser habitação da Trindade, diz médica católica

Especialistas pró-vida reúnem-se em Congresso no Brasil

APARECIDA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- «A pessoa é chamada a ser habitação da Trindade. É preciso sim, todos nós, anunciarmos a sacralidade da pessoa humana; vamos assumir isso».

Esse foi o convite lançado esta sexta-feira pela Dra. Elizabeth Kipman Cerqueira --médica ginecologista e especialista em Logoterapia, assessora de Bioética da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)-- no 1º Congresso Internacional em Defesa da Vida, que decorre no Santuário de Aparecida até o próximo domingo.

Segundo a médica, que foi uma das principais responsáveis pela elaboração do texto-base da Campanha da
Fraternidade 2008 da Igreja no Brasil, que discute o tema «Fraternidade e Defesa da Vida», a luta pela vida não é algo que aparece de uma evolução natural da humanidade.

«Parece uma evolução natural da humanidade, mas não é; a evolução natural é a favor da vida, do amor, pois o amor é nossa identidade pessoal, aquilo que nos faz verdadeiramente humanos», disse.

De acordo com Elizabeth Kipmann, toda ação a favor da cultura da morte, como as iniciativas pró-aborto, eutanásia, pesquisa com embriões, entre outras, «é desumana» e colocada «artificialmente», de modo «falso», «com a bandeira da ciência».

Neste momento, afirmou a médica, «é exigida de nós uma firme decisão». «Essa luta exige que sejamos santos»,
enfatizou.

Logo no início da manhã, o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer, havia destacado também a necessidade de uma decisão fundamental a favor da vida, valor inviolável em qualquer estágio.

O cardeal disse acreditar que as reflexões propostas pela Igreja no Brasil no contexto da Campanha da Fraternidade podem contribuir para fortalecer o espírito de não-banalização do valor e do sentido da vida humana.

Já o padre Jairo Grajalles, coordenador da Comissão Arquidiocesana de Brasília em Defesa da Vida, disse que quem luta por esse bem fundamental está no «campo de batalha diante de gigantes poderosos». Mas «a Igreja tem a maior riqueza, que é Cristo», disse.

Sobre o poder dos organismos que promovem o aborto e demais estratégias de controle populacional, Jorge Scala, das
Associações Unidas por um Mundo Melhor, de Córdoba, Argentina, explicou que há «grandes somas de dinheiro» destinadas a esses fins.

Segundo o especialista, as organizações atuam em três frentes: o aborto, a contracepção e a promoção da homossexualidade.

Para atingir os objetivos nessas frentes, há financiamentos de bancos mundiais, que condicionam empréstimos e negociações da dívida externa a cláusulas de controle de natalidade.

Há ainda verbas de agências da ONU que visam ao único objetivo geopolítico de controlar a natalidade no mundo, por meio da atuação nos países pobres.

Por fim, há também verbas de uma série de Fundações, especialmente norte-americanas, européias e japonesas. Jorge Scala citou a Fundação Gates, a
Rochefeller, a Ford, entre outras.

Já Raymond de Souza, fundador do apostolado de apologética “Saint Gabriel Communications International” (Estados Unidos), apontou algumas contradições da ditadura do relativismo.

Recentemente no Canadá --destacou-- houve uma passeata de pessoas contrárias à caça dos filhotes de foca, mas no mesmo local outra passeata exigia aborto livre e gratuito. Na África do Sul, após a campanha contra o apartheid, um dos primeiro atos de Mandela foi a aprovação do aborto total. Já na Nova Zelândia, uma espécie de árvore local é protegida por lei, mas o aborto é liberado.

«Mais norte-americanos foram mortos pelo aborto do que em todas as guerras que os Estados Unidos participaram, inclusive a guerra civil. Todos os dias, são 4 mil abortos no país», disse.

(Alexandre
Ribeiro
)



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Desafio aos pais: assumir compromisso de preparar filhos para matrimônio

Proposta do médico e professor português Daniel Serrão

APARECIDA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2007 (ZENIT.org).- O médico e professor português Daniel Serrão lançou um desafio aos pais: que eles assumam a tarefa de preparar os filhos para a vivência do amor autêntico no interior da família católica.

Membro da Pontifícia Academia para a Vida, o Prof. Dr. Serrão propôs às famílias católicas, essa quinta-feira --no contexto do 1º Congresso Internacional em Defesa da Vida, que se celebra no Santuário de Aparecida até o próximo domingo-- que elas considerem a preparação dos filhos para o matrimônio como a sua «primeira prioridade».

Para Daniel
Serrão, isso não é de forma alguma querer «voltar no tempo» ou «educar os filhos numa redoma de ignorância», mas sim agir com realismo diante dos novos tempos e ter como desejo fundamental que «os filhos e filhas tenham um matrimônio feliz».

Para cumprir essa tarefa, Serrão sugeriu aos pais uma espécie de programa de vida, que envolveria três aspectos: conhecimento, verdade e tempo.

Primeiramente, para o professor, é preciso saber filtrar a informação disponível hoje e transformá-la em fonte de crescimento pessoal, saber lidar criteriosamente com a informação, visando à formação dos filhos, em um ambiente de liberdade, onde os jovens podem «perguntar, criticar e aprender».

De acordo com o médico e professor, é também importante compreender o fenômeno
psicológico do enamoramento, para ter instrumentos de orientação dos filhos.

O segundo ponto que o Prof. Serrão apontou é a verdade, ou seja, «o fruto da própria vida pessoal e matrimonial dos pais». Os pais devem ser «exemplo e testemunho», na vivência de um amor que «emana para os filhos», uma «mensagem mais forte que milhares de palavras».

O terceiro aspecto que Daniel Serrão indicou é o tempo, já que os pais não podem confiar unicamente ao colégio ou aos professores a tarefa de uma educação que deve ser integral.

«O colégio pode ensinar disciplinas cientificas, mas nada disso tem a ver com educação e preparação de uma pessoa para o matrimônio católico feliz», disse.

«O amor é o maior mistério da humanidade – prosseguiu
Serrão –, é preciso realizá-lo. A família é o espaço mais adequado para descobrir o amor».

(Alexandre Ribeiro)



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Nova Fundação das Filhas de São Paulo no Sudão

No aniversário da morte de sua co-fundadora, a irmã Tecla Teresa Marlo

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Por ocasião do aniversário da morte de sua co-fundadora, irmã Tecla Teresa Merlo, as Filhas de São Paulo fizeram uma nova fundação em Juba, Sudão.

Depois de 25 anos de guerra civil, a zona meridional do país africano está finalmente vivendo um período de tranqüilidade. Após o acordo de paz, o bispo de Torit, Dom Paride Taban, dirigiu um convite a todas as congregações religiosas a estabelecer-se no país para ajudar na reconstrução moral e espiritual da população que agora está voltando à sua pátria.

As Filhas de São Paulo, explica um comunicado recebido
pela Zenit, aceitaram este convite e em 25 de janeiro duas religiosas se mudaram para Juba, «dispostas a colaborar com a Igreja local na evangelização e promoção humana através dos meios de comunicação social».

Juba, descrevem, «é como uma grande aldeia. Moradias destruídas, ruas de terra, poucas construções e muita gente que, ao voltar, deve acostumar-se a viver em barracas, inclusive na cidade. Por todas as partes se vêem obras de construção. Isso dá uma sensação de ‘futuro’, apesar de que as pessoas devem enfrentar uma vida muito dura».

O Sudão tem 44 milhões de habitantes, dos quais 69% são muçulmanos. Os cristãos são 6,3% da população e os católicos, 4,5%; os seguidores das religiões tradicionais somam 25%.

O arcebispo de Juba, Dom Paulino
Lukudu, ofereceu às Filhas de São Paulo uma sala próxima à catedral, que servia também como livraria. Outras sete dioceses do sul do Sudão esperam as duas missionárias que «estão se organizando para arrumar a livraria e a casa e para poder levar a Palavra de Deus a todos».

Desde sua independência, em 1º de janeiro de 1956, o país viveu 39 anos de guerras civis: a primeira aconteceu de 1955 a 1972 e a segunda, de 1983 a 2005. Como se sabe, continuam ainda hoje os confrontos na martirizada região de Darfur.

«A presença das Filhas de São Paulo e seu apostolado – observa o comunicado – podem ajudar a redescobrir a realidade positiva do povo sudanês, que pode ser para a Igreja e para a sociedade uma riqueza de cultura, de religiosidade e de fé.»



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Metropolita Ieronimos, novo arcebispo de Atenas e toda a Grécia

ATENAS, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- O bispo metropolita Ieronimos de Tebe e Levadia, de 70 anos, foi eleito ontem como arcebispo de Atenas e da Igreja Ortodoxa da Grécia, com o voto majoritário dos metropolitanos-membros do Santo Sínodo da Igreja da Grécia.

Ele substitui na sucessão apostólica Sua Beatitude Christodoulos, que era cabeça da sede desde 1998, falecido no dia 27 de janeiro, aos 69 anos, depois de longos meses de enfermidade.

Segundo informam as agências internacionais e fontes locais, o arcebispo Ieronimos apoiou Christodoulos em seus passos de abertura para com o diálogo com a Igreja Católica, que tiveram seu momento mais decisivo com a visita de João Paulo II a Atenas, em 2001. Segundo estas fontes, o
metropolita também mantém boas relações com o patriarca ortodoxo ecumênico Bartolomeu I de Constantinopla, que expressou sua satisfação e alegria após esta eleição.

A cerimônia de entronização do metropolita Ieronimos acontecerá em 16 de fevereiro.



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Gênio Feminino é capacidade de ver com os olhos e com o coração

Segundo explica Paola Bignardi no congresso vaticano sobre a mulher

Por Miriam Díez i Bosch

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- A expressão de João Paulo II, «gênio feminino», é essa capacidade para «ver longe», «intuir» e «ver com os olhos e com o coração», considera Paola Bignardi, coordenadora do Fórum Internacional da Ação Católica.

Foi uma das idéias centrais de sua palestra no Congresso celebrado pela Santa Sé «Mulher e homem, a totalidade do humanum» que acontece em Roma por iniciativa do Pontifício Conselho para os Leigos para
recordar os vinte anos da publicação da carta apostólica desse Papa, «Mulieris dignitatem».

Para esta leiga italiana, na mulher «sua vocação passa através do amor»; ela sugeriu que a contribuição da mulher na Igreja pode se dar «gerando uma Igreja com o rosto materno», dando testemunho de «uma Igreja que ama, que sabe expressar a sinfonia de um amor que dá sentido à vida».

Com esta contribuição feminina, na Igreja se dá então «uma atenção a toda a pessoa» e uma forma de comunicar a fé na qual se vê a Igreja como «mãe e mestra». Para Bignardi, não tem sentido contrapor estes conceitos, pois «a Igreja
é mestra porque é mãe» e, portanto, «enquanto mãe, não pode calar a Verdade».

Em sua palestra, titulada «Responsabilidade e participação da mulher na construção da Igreja e da sociedade», afirmou que, na Igreja, a mulher, com sua «paciência e capacidade de saber esperar», pode oferecer «a experiência da escuta».

Depois de pedir que nas comunidades cristãs as mulheres estejam mais presentes em conselhos pastorais e em congressos, «não só numericamente», concluiu dizendo que em alguns lugares do mundo a situação feminina é ainda «problemática» ainda que há «sinais reveladores de esperança».

Paola Bignardi revelou à Zenit em que consiste este conceito de «geração» materno na Igreja.


«Creio que a geração seja uma das experiências fundamentais e características da vida da mulher, da mulher que coloca um filho no mundo, mas também da mulher que não gera fisicamente», disse Bignardi, ex-presidente nacional da Ação Católica na Itália.

Esta pedagoga especifica que «a geração é antes de mais nada um dado da alma mais que do corpo, e creio que pertence antropologicamente à existência da mulher».

«Viver a própria identidade na Igreja, para a mulher, creio que significa contribuir para gerar a Igreja, para gerá-la naturalmente em sentido humano; a Igreja está gerada pelo Espírito – declara –, mas humanamente a Igreja precisa ser gerada, e acho que a mulher pode gerá-la em sua maternidade, contribuir para fazer que a Igreja seja realmente mãe.»

O que
o mundo realmente precisa é de uma «Igreja mãe», reconhece Bignardi. «As pessoas de nosso tempo precisam encontrar uma Igreja que acolhe, uma Igreja que oferece a liberdade da própria vida, que sabe perdoar e faz ver que sempre se pode voltar a começar. Creio que este é o trabalho mais profundo da mulher na Igreja hoje.»



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Flash

Revista «Communio» dedica edição ao «bem da Família»

MADRI, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- A revista católica internacional de pensamento e cultura «Communio» dedica seu último número ao tema «o bem da família».

O tema desta edição, inclusive no número 6 da publicação, segundo informou à Zenit a Associação Procommunio em uma nota, é «de indubitável atualidade».

Na edição, assinam artigos Dom Jean Laffite, vice-presidente da Academia Pontifícia para a Vida, sobre «Matrimônio e família: realidade natural e evento de graça».

Outros dos autores são J.J. Pérez Soba, sobre «A família, bem da
pessoa e bem comum»; Maria del Rosario González Martín, que escreve sobre «O caráter esponsal da pessoa: ‘felicidade ou felicidades’», e Álvaro Montero Baranda, DCJM, sobre «Gender: a incompreensão da diferença».

«Communio» é uma revista católica internacional de pensamento e cultura que tem entre seus fundadores Joseph Ratzinger.

Para maior informação: www.communio-es.com.



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Espiritualidade

Pregador do Papa: Cristo venceu demônio para libertar-nos

Comentário do Pe. Cantalamessa sobre a liturgia do próximo domingo

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap. – pregador da Casa Pontifícia – sobre a Liturgia da Palavra do próximo domingo, I da Quaresma.

* * *

I Domingo da Quaresma

Gênesis 2, 7-9; 3.1-7; Romanos 5, 12-19; Mateus 4, 1-11

O demônio, o satanismo e outros fenômenos relacionados são de grande atualidade e inquietam freqüentemente a nossa sociedade. Nosso mundo tecnológico e industrializado está repletos de magos, bruxos urbanos, ocultismo, espiritismo,
escrutinadores de horóscopos, vendedores de feitiços, de amuletos, assim como de autênticas seitas satânicas. Expulso pela porta, o diabo entrou pela janela. Ou seja, expulso pela fé, voltou a entrar com a superstição.

O episódio das tentações de Jesus no deserto, que se lê no primeiro domingo da Quaresma, ajuda-nos a oferecer um pouco de clareza a este tema. Antes de tudo, existe demônio? Isto é, a palavra “demônio” indica de verdade alguma realidade pessoal, dotada de inteligência e vontade, ou é simplesmente um símbolo, um modo de falar que indica a soma do mal moral do mundo, o inconsciente coletivo, a alienação coletiva e coisas pelo estilo? Muitos, entre os intelectuais, não crêem no demônio segundo o primeiro sentido. Mas se deve observar que grandes escritores e pensadores, como Goethe ou Dostoievski, levaram
muito a sério a existência de satanás. Baudelaire, que não era certamente trigo limpo, disse que «a maior astúcia do demônio é fazer crer ele que não existe».

A principal prova da existência do demônio nos evangelhos não está nos numerosos episódios de libertação de possessos, porque na interpretação destes fatos pode haver influência de crenças antigas sobre a origem de certas doenças. Jesus tentado no deserto pelo demônio: esta é a prova. Provas são também os muitos santos que lutaram em vida contar o príncipe das trevas. Não são Quixotes que brigam contra moinhos de vento. Ao contrário: foram homens e mulheres concretos e de psicologia saudável.

Se muitos acham absurdo crer no demônio, é porque se baseiam em livros, passam a vida em bibliotecas ou no
escritório, enquanto o demônio não se interessa por literatura, mas pelas pessoas, especialmente os santos. O que pode saber sobre satanás quem jamais teve nada a ver com sua realidade, mas só com sua idéia, isto é, com as tradições culturais, religiosas, etnológicas sobre satanás? Esses tratam habitualmente deste tema com grande segurança e superioridade, liquidando tudo como «obscurantismo medieval». Mas trata-se de uma falsa segurança. Como se alguém deixasse de temer o leão aduzindo como prova o fato de que viu muitas vezes sua imagem e jamais lhe deu medo. Por outro lado, é totalmente normal e coerente que não creia no diabo quem não crê em Deus. Seria até trágico se alguém que não crê em Deus acreditasse no diabo!

O mais importante que a fé cristã tem a dizer-nos não é,
no entanto, que o demônio existe, mas que Cristo venceu o demônio. Cristo e o demônio não são para os cristãos dois princípios iguais e contrários, como em certas religiões dualistas. Jesus é o único Senhor; satanás não é senão uma criatura que «se perdeu». Se lhe concede poder sobre os homens, é para que estes tenham a possibilidade de fazer livremente uma escolha e também para que «não se ensoberbeçam» (2 Co 12, 7), crendo-se auto-suficientes e sem necessidade de redentor algum. «Que loucura a do velho satanás – diz um canto espiritual negro. Atirou para destruir minha alma, mas errou o tiro e destruiu por outro lado o meu pecado.»

Com Cristo não temos nada a temer. Nada nem ninguém pode fazer-nos dano se nós não quisermos. Satanás – dizia um antigo padre da
Igreja –, após a vinda de Cristo, é como um cão atado na árvore; pode latir e balançar quanto quiser; se não nos aproximamos, não pode morder. Jesus no deserto se libertou de satanás para libertar-nos de satanás! É a gozosa notícia com a qual iniciamos nosso caminho quaresmal para a Páscoa.

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri.]



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Entrevistas

Ser mulher é uma missão

Três participantes do Movimento de Schoenstatt no congresso organizado pela Santa Sé

ROMA, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Três participantes no congresso «Mulher e homem, a totalidade do humanum» organizado pela Santa Sé, membros do Movimento de Schoenstatt, estão certas de que ser mulher é uma autêntica missão.

Explicam à Zenit, Perla Piovera, da Argentina; Alicia Kostka, da Polônia; e Marianne Mertke, da Alemanha; elas oferecem suas contribuições a este encontro mundial a partir da espiritualidade de Schoenstatt, movimento apostólico mariano.

O congresso,
convocado pelo Conselho Pontifício para os Leigos, analisa o impacto da carta apostólica «Mulieris dignitatem», primeiro documento pontifício dedicado à mulher, publicado há vinte anos.

Alicia Kostka, da Polônia, há dois anos fez sua tese de doutorado sobre a dignidade e vocação da mulher na perspectiva do Pe. Josef Kentenich (1885-1968), fundador desta nova realidade eclesial.

«Desde que foi publicado, penso que cresceu o caos de termos na sociedade; define-se segundo cada gosto o que é mulher e homem. Queremos aprofundar no que dizem a Bíblia e a antropologia cristã», explica, fazendo um balanço.

Kostka insiste na proposta do congresso, explicitada em uma das conferências que tem por tema
«Homem e mulher, criados um para o outro».

«Devemos ser conscientes disso também na vida diária», reconhece: «o homem e a mulher representam Deus, cada um de uma maneira».

A mulher, imagem de Deus

«É fascinante como o Pe. Kentenich apresenta sua descrição da mulher como imagem de Deus, e como ainda hoje está muito mais adiante do que a Igreja diz – confessa, como mostra concretamente a mulher como imagem de Deus.»

«A Igreja, em sua doutrina, mostra que a mulher, como pessoa – como pessoa que ama, que pensa, que atua –, reflete Deus. O Pe. Kentenich é muito mais concreto, mostrando como ela é reflexo, imagem de Deus como mulher, ou seja, imagem de um Deus que também é Mãe em sua entrega desinteressada.»

«Poucas vezes se encontra isso na teologia da mulher: o servir desinteressado como dom
natural da mulher, como potência da mulher, é um reflexo de um Deus que nos serve, porque é forte e porque é amor.»

Outra contribuição do Pe. Kentenich, expressa pela teóloga polonesa, «é o papel da mulher na salvação do homem», algo que o fundador expressa através «da atitude do fiat, do sim».

«Se a mulher o desenvolve em si mesma, pode também ajudar o homem a chegar a esta atitude frente a Deus. Em uma palavra, o Pe. Kentenich ofereceu muito para que a mulher possa estar orgulhosa de ser mulher.»



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Documentação

Desafios da Igreja na Costa Rica, segundo Bento XVI

Discurso a seus bispos em visita «ad limina apostolorum»

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI dirigiu hoje aos bispos da Costa Rica ao recebê-los em audiência por ocasião de sua visita «ad limina apostolorum».

* * *

Queridos Irmãos no Episcopado:

1.Alegro-me por receber-vos ao final de vossa visita ad Limina, que me oferece a ocasião de saudar todos juntos e alentar-vos na esperança, tão necessária para o ministério que vos foi confiado e que exerceis com generosidade. Agradeço as palavras do Presidente da Conferência Episcopal, Dom José Francisco Ulloa
Rojas, que quis manifestar os desafios e as esperanças que encontrais em vosso afazer pastoral e expressar vossa proximidade e estreita comunhão com o Bispo de Roma, Sede “na qual sempre residiu a primazia da cátedra apostólica” (S. Agostinho, Ep. 43, 3,7).

Este encontro é, de certo modo, novo para alguns de vós, agregados recentemente ao colégio episcopal, para outros são novas as Igrejas particulares que trazem em seu coração e, para todos, também o rosto do Sucessor de Pedro é novo. É uma novidade que pode contribuir a dar maior intensidade aos propósitos desta visita, entre os quais sobressai a renovação ante os sepulcros de São Pedro e São Paulo da fé em Cristo Jesus, transmitida pelos Apóstolos, e que vos corresponde custodiar como sucessores seus. Ao mesmo tempo, é preciso ajudar a
reavivar vossa «solicitude por toda a Igreja» (Lumen gentium, 23), contribuindo assim a encher também o coração de todos os crentes com a perspectiva de universalidade própria da mensagem cristã.

2.Tendes ante vós a tarefa de buscar novas maneiras de anunciar Cristo no meio de uma situação de rápidas e com freqüência profundas transformações, acentuando o caráter missionário de toda atividade pastoral. Neste sentido, a recente Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, celebrada em Aparecida, destacou como acolher e fazer própria a mensagem do Evangelho é algo que corresponde a cada pessoa e cada geração, nas diversas circunstâncias e etapas de sua vida.

Também o povo costarriquenho precisa revitalizar constantemente suas antigas e profundas raízes cristãs, sua vigorosa
religiosidade popular e sua entranhável piedade mariana, para que dê frutos de uma vida digna dos discípulos de Jesus, alimentada pela oração e pelos sacramentos, de uma coerência da existência cotidiana com a fé professada e de um compromisso de participar ativamente na missão de «abrir-nos nós mesmos e o mundo ao ingresso de Deus: da verdade, do amor e do bem» (cf. Spe salvi, 35).

3.O Senhor foi pródigo com sua vinha na Costa Rica, onde há um bom número de sacerdotes que são os principais colaboradores do Bispo em seu ministério pastoral. Por isso precisam, além de orientações e critérios claros, de uma formação constante e de apoio no exercício de seu
ministério, uma proximidade própria de «filhos e amigos» (Lumen gentium, 28), que lhes chegue ao coração, animando-os em seus esforços, ajudando-os em suas dificuldades e, se for preciso, corrigindo e consertando eventuais situações que obscurecem a imagem do sacerdócio e da própria Igreja.

Este grande patrimônio de toda Igreja particular se custodia e enriquece com uma esmerada atenção aos seminaristas, cuja idoneidade requer um discernimento rigoroso, e aos que não basta uma formação abstrata e formal, pois se preparam para viver eles mesmos aquelas palavras do Apóstolo: «O que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que estejais unidos a nós nessa união que temos com o Pai e
com seu Filho Jesus Cristo» (1 Jo 1, 3). Também esta é uma perspectiva que pode suscitar nos jovens o entusiasmo por Jesus e sua missão salvadora, fazendo brotar em seu coração o desejo de participar nela como sacerdotes e consagrados.

4.Queridos Bispos, conheceis bem os riscos de uma vida de fé lânguida e superficial quando se enfrenta o proselitismo das seitas e grupos pseudo-religioso, a multidão de promessas de um bem-estar fácil e imediato, mas que terminam no desengano e na desilusão, ou na difusão de ideologias que, proclamando exaltar o ser humano, na realidade o banalizam. Em uma situação como esta, adquire um inestimável valor o anúncio da «grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora» (cf. Spe salvi, 27).

Um testemunho vivo desta esperança, que eleva o ânimo e dá fortaleza nos desvelos da vida humana, corresponde de maneira muito especial aos religiosos, religiosas e pessoas consagradas, que por sua própria vocação estão chamados antes de tudo a ser sinal do «mistério do Reino de Deus que já atua na história» (Vita consecrata, 1). Por isso, são um dom precioso para a Igreja, «como elemento decisivo para a sua missão, visto que ‘exprime a íntima natureza da vocação cristã’» (ibid, 3), pelo que se há
de agradecer ao Senhor sua presença em cada Igreja particular.

Também aos fiéis leigos corresponde participar nesta missão segundo sua vocação específica, e é lindo comprovar sua colaboração eficaz para manter e difundir a chama da fé mediante a catequese e a cooperação com as paróquias e as diversas organizações pastorais das dioceses. Merecem sem dúvida a gratidão, o alento e a atenção constante de seus Pastores, para que recebam sempre e de maneira sistemática uma formação cristã sólida, levando em conta também que são eles os chamados a levar os valores cristãos aos diversos setores da sociedade, ao mundo do trabalho, da convivência civil ou da política. Com efeito, a ordem temporal é uma obrigação sua (cf. Apostolicam actuositatem, 7), a eles corresponde «configurar retamente a vida social, respeitando a sua legítima autonomia e cooperando, segundo a respectiva competência e sob própria responsabilidade» (Deus caritas est, 29).

Sobre os catequistas e animadores das comunidades, em particular, convém recordar a exigência de viver segundo mandatos do Senhor e com a experiência viva de ser membros fiéis e ativos da Igreja. Com efeito, este exemplo de vida é necessário para que sua instrução não se fique em uma mera transmissão de conhecimentos teóricos sobre
os mistérios de Deus, mas que conduza a adotar um modo de vida cristão. Isso era decisivo já na Igreja antiga, quando se examinava no final se os catecúmenos «viveram corretamente seu catecumenato, se honraram as viúvas, se visitaram os enfermos, se fizeram boas obras» (Traditio Apostlica, 20).

5.Certamente vos preocupa um crescente deterioro da instituição familiar, com graves repercussões tanto no âmbito social como na vida eclesial. A este respeito, é necessário promover o bem da família e defender seus direitos ante as instâncias pertinentes, assim como desenvolver uma atenção pastoral que a proteja e ajude de maneira direta em suas dificuldades. Por isso, é de máxima importância uma adequada catequese pré-matrimonial, assim como uma proximidade cotidiana que leve alento a cada lar e faça ressoar nele aquela
saudação de Jesus: «Hoje a salvação chegou a esta casa» (Lc 19, 9). Tampouco se hão de esquecer os grupos de casais e famílias para ajudar-se entre si a cumprir sua alta e indispensável vocação, nem os serviços específicos que aliviem situações penosas, produzidas pelo abandono da convivência, a precariedade econômica ou a violência doméstica, da qual são vítimas sobretudo as mulheres.

6.Ao concluir este encontro, desejo assegurar-vos minha especial proximidade, junto com minhas orações ao Senhor por vosso ministério. Rogo-vos que sejais portadores de meu afeto a vossos fiéis, muito especialmente aos sacerdotes, às comunidades religiosas e às pessoas consagradas, assim como aos catequistas e a todos que estão comprometidos na apaixonante tarefa de levar e manter viva a luz de
Cristo nesta bendita terra da Costa Rica.

Peço à Santíssima Virgem Maria, à qual com tanta devoção os costarriquenhos invocam como de Nossa Senhora dos Anjos, que proteja seus filhos nessa querida nação, e os leve com ternura a conhecer e amar cada vez mais seu divino Filho. A eles e a vós, envio de coração a Bênção Apostólica.

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri.

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana]



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