sexta-feira, 21 de março de 2014

20140321 - Parábola dos vinhateiros homicidas

Parábola dos vinhateiros homicidas
http://www.padremarcelorossi.com.br/liturgia.php

Texto Bíblico: Mateus 21, 33-46

Vendido pelos irmãos, como escravo, José reconcilia-se com a sua
família e a acolhe em sua casa, no Egito. Prenúncio de Jesus que,
traído por um de seus discípulos e estendido no lenho da cruz, tornase
presença de salvação para a família humana. Ao refletir paz, calor
interior, luz divina e misericórdia, as parábolas retratam a
benevolência de Deus e seu carinho para com todos. Assim, na
medida em que as lemos, afastam-se de nós a frieza interior e a
insensibilidade da alma, pois o ardente amor de Deus e a sua divina
luz acaloram e iluminam nossos corações e espíritos.
Ao descrever, na parábola dos vinhateiros homicidas, o envio de
numerosos mensageiros, Jesus assinala a solicitude e a providência
benevolente do Pai, que envia, ao longo do tempo, mensageiros para
cobrar-lhes a parte que lhe cabia. No entanto, eles são rejeitados,
maltratados, por vezes, mortos e mesmo os que retornam ao dono
da vinha trazem as mãos vazias. Exclama S. João Crisóstomo:
“Apesar de terem sido objeto de uma tão grande solicitude, os
vinhateiros, representando o povo da Aliança, superaram os
pecadores e os publicanos, em sua atitude sanguinária e isto desde
o início”.
Finalmente, o pai envia seu próprio filho, designado na parábola
como “o herdeiro”, julgando que eles iriam respeitá-lo. Mas a
crueldade atinge o auge. De fato, a parábola descreve a sanha dos
vinhateiros, que se armam, de forma agressiva e violenta, contra o
filho-herdeiro enviado pelo pai. Eles procuram desembaraçar-se do
filho e herdeiro e, movidos pelo desejo de se apoderarem da
herança, matam-no. Por isso, no final do relato, Jesus conclui: “Eu
vos afirmo que o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo
que produza seus frutos” (v.43). Diante destas palavras, S. Irineu
declara: “Com efeito, o Senhor Deus consignou a vinha, já não
cercada, mas dilatada por todo o mundo, a outros colonos que dêem
fruto ao seu tempo, com a torre de eleição levantada no alto firme e
formosa; porque em todas as partes resplandece a Igreja; e, em
cada lugar, está cavado, ao redor, o lagar, pois sempre há os que
recebem o Espírito”.
Os vinhateiros homicidas representam os que se fecham à bondade
misericordiosa do Pai celestial, que, através de seu Filho, oferece a
reconciliação a todos. Porém, nem todos a acolhem. Daí a exortação
de S. Agostinho: “Que se desperte no homem ‘a sede interior’, que
se lhe abra ‘o olhar interior’ e ele possa contemplar a luz, luz que
ninguém poderá obscurecer”. Quem a abraça permanece em profunda
e inenarrável comunhão com Deus, sente-se solidário com Cristo,
melhor, incluído em Cristo, e assim, regenerado e restaurado em sua
grandeza, “acolhe em si a glória de Deus” (S. Irineu) e torna-se
coerdeiro do Reino dos Céus.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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