Boa Nova para cada dia
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“... nenhum profeta é bem recebido em sua pátria” (Lc 4,24).
São Lucas narra o desentendimento entre os habitantes de Nazaré e Jesus na sinagoga.
Observemos o mais importante desta narrativa: Jesus se lamenta de não ser recebido como profeta em sua própria terra, dizendo: “... nenhum profeta é bem recebido em sua pátria” (Lc 4,24).
Ele acrescenta depois provas disto presentes nas Escrituras.
Conta como Elias não foi enviado por Deus aos judeus, mas sim a uma viúva estrangeira no tempo em que precisava se alimentar naquele tempo de fome. Deus preferiu salvar da fome seu profeta por meio de uma estrangeira, não por meio de alguma viúva judia. Isto é, Jesus quis dizer que Deus sabia que as viúvas judias não acolheriam o profeta Elias. Com Jesus aconteceu o mesmo em Nazaré: nenhum de seus habitantes, nem mesmo entre os parentes de Jesus, O acolheu.
A estória do sírio Naamã, lembrada neste Evangelho, confirma o mesmo que Jesus disse sobre Elias.
Depois da rejeição de Jesus, os moradores de Nazaré o expulsaram da sinagoga. Para eles não merecia sequer ser considerado um filho de Abraão. Era como um pagão.
E, pior ainda, queriam matá-Lo. Mas Jesus se livrou deles milagrosamente.
Temos aqui a imagem triste de Jesus rejeitado pelos seus parentes.
Em Igreja, nós hoje em dia, somos da família de Jesus.
É claro que devamos nos perguntar: que tratamento Lhe damos?
Nós O acolhemos ou rejeitamos?
Rejeitar Jesus pode acontecer de muitos modos. Nem é preciso enumerar cada um.
Por exemplo: rejeitamos Jesus quando nos deixamos levar pelo comodismo ou riquezas, achando que não precisamos mais nem Dele nem de Sua Igreja, deixando de frequentá-la. Jesus e Sua Igreja, diz-nos São Paulo, são um só Corpo. Ele é a Cabeça, e nós, seus membros. É o que São Paulo nos ensina em 1Cor 12. Se rejeitamos a Igreja, deixamos de ser seus membros, membros do Corpo de Cristo.
Nossa união com Jesus Cristo é um tipo de parentesco, de natureza espiritual. Como membros de seu Corpo não podemos nos desligar Dele. Com afeto pelos que Lhe pertencem, um dia Jesus disse:
“Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jo 15,5).
Se algum dia corremos o risco de desconsiderar nossa união com Jesus Cristo, perguntemos pelo nosso estado espiritual hoje mesmo. Se encontramos falhas de nossa parte, agora estamos em tempo de conversão. Precisamente agora é que devemos reforçar nosso relacionamento com Jesus. Seus parentes não foram dignos. Que isto não aconteça conosco.
Autor: Pe. Valdir Marques, SJ
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