quarta-feira, 19 de março de 2014

Esposo de Maria e Pai adotivo de Jesus

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Dom Fernando
Esposo de Maria e Pai adotivo de Jesus
Texto Bíblico: “...” Mateus 1, 18-24

Na plenitude dos tempos, o Filho de Deus se encarnou no seio puríssimo
da Virgem Maria. O Antigo Testamento orienta-se para Jesus, as
esperanças e promessas de Israel nele se cumprem. Nesse sentido, S.
Mateus desenvolve a história da infância de Jesus e os inícios de seu
ministério. Destaca que Jesus é filho de Davi e de Abraão, o que permite
ser o evangelho de Mateus profundamente judeu em suas concepções e,
ao mesmo tempo, ser uma rigorosa interpretação missionária e
universalista do cristianismo. Nesse sentido, a árvore genealógica,
descrita por ele, conduz a José, da família de Davi, sem deixar de realçar
que o reino de Jesus vai muito além das promessas feitas a Davi: é o
reino do próprio Deus. Ademais, ao fundar o novo povo de Deus, erigido
sobre os Apóstolos, Ele concretiza as promessas feitas aos patriarcas.

O Papa Bento XVI assinala que “se Deus está presente entre nós, são de
essencial importância também os portadores humanos da promessa: José
e Maria. Se José representa a fidelidade de Deus em relação a Israel,
Maria representa a esperança da humanidade. José é pai segundo o
direito, mas Maria é mãe com o seu próprio corpo: dela depende que
Deus se tenha tornado verdadeiramente um de nós”. A figura de José,
silenciosa, revela grandeza de alma e fidelidade aos planos de Deus. Ao
ver Maria grávida, José, homem justo, longe de condená-la, guarda
respeitoso segredo, o que leva S. Jerônimo, com sua habitual
profundidade religiosa, a comentar: “Como pode José ser declarado
‘justo’, se ele escondeu a falta de sua esposa? Longe disso. É um
testemunho em favor de Maria. José conhecendo sua castidade e tocado
pelo que lhe sucede, esconde, por seu silêncio, o acontecimento do qual
ele ignora o mistério”. De modo sucinto, mas direto, S. Jerônimo ressalta
a atitude espiritual, quase mística, de S. José. Diante do fato inexplicável
da concepção, ele reconhece e respeita o Mistério prenunciado: “Eis que a
virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de
Emanuel”.

Com efeito, José estranha o silêncio da sua desposada, mas não se julga
autorizado a levantar o véu do mistério que Maria esconde. Certamente,
seus olhos refletem a fadiga das noites que passa angustiado e sem
dormir. Mas continua a guardar o silêncio e eis que já nos limites da
desolação, pensando em deixá-la, apareceu-lhe em sonho um Anjo do
Senhor e lhe disse: “José, filho de Davi, não temas receber em tua casa
Maria, tua esposa, pois o que nela foi concebido é obra do Espírito Santo”.
O simples carpinteiro de uma pequena aldeia de Nazaré é tratado como
descendente de reis. Com razão, S. Mateus o denomina justo, no sentido
bíblico, por ter seu coração aberto à vontade de Deus, o que lhe
possibilita ouvir o silêncio do mistério, presença do absolutamente Outro,
voz a sussurrar no sacrário de sua consciência. Despertando, ele não
alimenta dúvida, mas traz a certeza de que não estivera simplesmente
sonhando, mas o que acabara de ouvir era mensagem de Deus. Alegria
transbordante, que ultrapassa de longe a angústia que sentira antes.
Dissipam-se as sombras e ele se rejubila e exulta. A obscuridade do seu
sim se torna grandiosa, na ressonância do “fiat” de Maria, pois a árvore
do paraíso cresceu no seio de sua esposa. “Sua sombra abriga o mundo
inteiro, e ela oferece seus frutos, longe e perto” (S. Efrém).

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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